Os motores estão parados. As baterias se esgotaram. O paddock permanece vazio. A Fórmula 1 de 2026 deveria passar pelo Oriente Médio neste mês de abril, mas o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã levou ao cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita. A competição ficará um mês sem atividade.
Não é a primeira vez que problemas na região afetam o campeonato. Em março de 2022, durante os treinos livres em Jeddah, uma refinaria da Saudi Aramco foi atingida por um míssil lançado por rebeldes houthis. Uma grande fumaça foi vista do autódromo.
Na ocasião, após reuniões, as atividades do fim de semana foram mantidas. A decisão foi diferente da tomada no GP do Bahrein em 2011, que foi cancelado devido a protestos violentos da Primavera Árabe.
Mais de uma década depois, a questão de segurança em períodos de tensão ainda é um desafio para países da região que investem pesado em eventos esportivos. A Arábia Saudita chegou a oferecer um sistema antimísseis para garantir a corrida deste ano, mas a proposta não foi aceita.
O especialista em Turismo Esportivo Ricardo Ricci Uvinha, da USP, afirma que tais conflitos fazem os turistas reconsiderarem viagens não só para os países diretamente envolvidos, mas para toda a área ao redor. Países como Líbano, Jordânia, Emirados Árabes e Catar também podem ser afetados.
No curto prazo, o setor aéreo já registra impacto. As companhias enfrentam uma crise, com milhares de voos cancelados e perdas bilionárias em valor de mercado.
Para a Fórmula 1, a paralisada atrapalha o desenvolvimento dos carros em um ano de novas regras. O jornalista André Netto avalia que 2026 seria a pior temporada para ter um mês de intervalo, justamente quando as equipes precisam aprender com os carros na pista.
Tensões geopolíticas sempre influenciaram o esporte. Na Crise de Suez, em 1957, o racionamento de combustível levou ao cancelamento de vários Grandes Prêmios na Europa.
Em 1985, o boicote ao regime do Apartheid na África do Sul fez com que equipes como a Renault se recusassem a correr lá. Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia resultou no cancelamento do GP em Sochi e no rompimento de contratos, com a equipe Haas dispensando o piloto russo Nikita Mazepin.
A Fórmula 1 de 2026 retorna às pistas no início de maio, com o Grande Prêmio de Miami, nos Estados Unidos. Enquanto isso, o conflito que causou essa pausa forçada ainda não tem previsão para terminar.
