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175 mil com deficiência votam sem acessibilidade

175 mil com deficiência votam sem acessibilidade

Mais de 175 mil eleitores com deficiência de locomoção estão registrados em seções sem acessibilidade no Brasil. O número equivale a mais de 37% dos 471 mil brasileiros com esse tipo de deficiência, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às eleições de 2024.

A Justiça Eleitoral permite que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida transfiram o título de eleitor para uma das 185 mil seções acessíveis do país. O prazo para solicitar a mudança neste ano vai até o dia 6 de maio.

Em nota, o TSE afirmou estar comprometido com o “aprimoramento contínuo das condições de acessibilidade”. O tribunal informou que desenvolve “iniciativas contínuas para ampliar a inclusão desse público”, como as ações previstas no Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, criado em 2012, além de campanhas de conscientização.

O levantamento foi feito pelo Estadão e cruzou o cadastro de votantes com deficiência com o registro das zonas e seções eleitorais de todo o país. Os dados não incluem o Distrito Federal, onde não há eleição municipal.

O cruzamento mostrou que, em 2024, 37,1% dos eleitores com deficiência de locomoção estavam em seções sem acessibilidade. Em dois estados, o índice superou 90%: Mato Grosso e Alagoas. Roraima apareceu em terceiro lugar, com 89,1% dos votantes com deficiência em seções não acessíveis.

O pior índice foi registrado em Mato Grosso. Na eleição passada, 94,6% das pessoas com deficiência de locomoção votaram em seções sem acessibilidade. Das mais de oito mil seções eleitorais do estado, apenas 405 tinham recursos de acessibilidade. Dos 5.209 mato-grossenses com deficiência ou mobilidade reduzida, somente 279 estavam em locais de votação adequados.

Procurado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) disse “não reconhecer os critérios utilizados” pelo levantamento, mas não apresentou dados para contestar a informação.

Para Roberto Tiné, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), a Justiça Eleitoral fez esforços para incluir eleitores com deficiência. Ele citou que, de 2012 a 2022, o número de seções acessíveis passou de 23 mil para 156 mil. “Um avanço que tivemos foi o cadastramento da pessoa com deficiência. Depois, o mapeamento dos locais de votação. Agora, precisamos tornar todas as seções acessíveis”, afirmou.

Tiné lembrou que a acessibilidade não é só para pessoas com deficiência. “Há gestantes, obesos, idosos, mães com carrinhos de bebê, pessoas com mobilidade reduzida. O razoável é que tenhamos seções acessíveis para todos”, disse. “Seção acessível deveria ser pleonasmo. Todos os inscritos em uma seção têm direito a exercer o voto em condições plenas.”

Todas as urnas eletrônicas têm recursos de acessibilidade para outros tipos de deficiência, como auditiva e visual. Em 2024, o eleitorado com deficiência registrado foi de 1,4 milhão. Esse número pode ser maior, pois o cadastro na Justiça Eleitoral é autodeclaratório.

Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem pedir a transferência do título para uma seção acessível pelo site do TSE. O passo a passo inclui acessar a página de Autoatendimento Eleitoral, selecionar a opção “Título Eleitoral” e depois “Atualize ou corrija seu título eleitoral”. Em seguida, o eleitor deve clicar em “Troque seu local de votação dentro do mesmo município”, preencher o formulário e enviar uma foto segurando um documento de identificação, além de uma cópia digital do documento. O eleitor pode escolher o local de votação dentro do mesmo município e selecionar a opção de votar em uma seção com acessibilidade. Após confirmar, um protocolo é gerado e pode ser acompanhado pelo site.

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