O MME (Ministério de Minas e Energia) pediu ao Ministério da Fazenda que avalie a redução das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação (QAV), combustível usado no transporte aéreo.
Essa é mais uma tentativa para conter os impactos da forte alta internacional do petróleo sobre o setor. A solicitação foi feita pelo ministro do MME, Alexandre Silveira, na semana passada, e está em análise pela equipe econômica.
O governo Lula (PT) está em vias de anunciar um conjunto de medidas para tentar conter os efeitos da alta do querosene de aviação, em meio à escalada do preço internacional do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Está prevista a oferta de uma linha de crédito emergencial com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), voltada à aquisição de combustível pelas companhias aéreas, numa tentativa de aliviar a pressão imediata sobre os custos.
Segundo o MME, o corte de PIS e Cofins envolveria a redução de tributos federais que hoje somam até R$ 71,20 por metro cúbico de QAV, impostos cobrados tanto na importação quanto na comercialização do produto.
Na prática, a intenção é baratear o custo do combustível para as companhias aéreas, reduzindo a pressão sobre as tarifas e evitando repasses ao consumidor final.
A guerra tem afetado diretamente os preços do petróleo e seus derivados. O barril do tipo Brent, referência global, saiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 em poucas semanas, enquanto o preço do querosene de aviação mais do que dobrou, saltando de US$ 100 para acima de US$ 220.
Nesse contexto, esperam-se impactos sobre o mercado brasileiro de aviação, pois o peso do combustível representa a maior parte (31%) da composição dos custos e despesas operacionais do transporte aéreo, afirmou o ministro Alexandre Silveira, em seu pedido.
A data limite para uma decisão sobre o tema ter efeito já em abril seria a terça-feira, 31 de março de 2026.
Questionado, o Ministério da Fazenda declarou que acompanha de forma permanente a evolução do cenário internacional e que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade, à luz das evidências.
Embora o Brasil produza a maior parte do querosene de aviação que consome, os preços domésticos seguem a chamada paridade internacional, acompanhando as oscilações externas como se o produto fosse integralmente importado.
Em 2025, o país consumiu 7,4 milhões de metros cúbicos de QAV, dos quais 78,4% foram produzidos internamente e 21,6% vieram de importações. O combustível representa cerca de 31% dos custos operacionais das companhias.
Com a disparada recente dos preços, a tendência é de que isso seja repassado para as passagens aéreas.
No documento enviado à Fazenda, o MME ressalta que não há, neste momento, risco de desabastecimento de querosene no país, mas diz que a elevação dos preços representa uma ameaça ao equilíbrio do setor.
A preocupação é evitar que a alta comprometa a conectividade aérea, encareça o transporte e prejudique atividades que dependem da aviação, como turismo e logística.
No sábado, 28 de março, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) enviou um ofício ao MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) alertando para os impactos da crise do petróleo.
A entidade afirmou que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, o preço acompanha a paridade internacional, o que amplifica os efeitos de choques externos.
Entre os principais riscos apontados pelo setor estão a redução de rotas, especialmente regionais, a concentração da oferta em trechos mais rentáveis e a perda de conectividade aérea.
