O senador Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP) foi flagrado na manhã de segunda-feira, 23 de março, dirigindo com a CNH vencida e usando um carro sem placas e com luzes estroboscópicas, que imitam o giroflex de viaturas, em Santana, zona norte de São Paulo.
Ele tentou fugir da abordagem policial, mas foi parado e autuado. Após ser multado pelas irregularidades, o senador foi liberado. A reportagem tentou contato com o parlamentar na manhã de quarta-feira, 25, por e-mail e redes sociais, mas não obteve resposta até a publicação.
Nesta mesma quarta, ele participou de um evento com o presidente Lula (PT) em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O parlamentar não falou com a imprensa no local.
Giordano é empresário e assumiu o cargo de senador ao herdar a cadeira de Major Olímpio, do antigo PSL, que morreu por Covid-19 em 2021.
O registro da ocorrência policial, ao qual a reportagem teve acesso, relata que uma equipe da PM viu um Land Rover sem placas trafegando com luzes estroboscópicas ligadas na alameda Afonso Schmidt, por volta das 8h de segunda-feira.
Os policiais pararam o carro e pediram para o condutor descer. Giordano se recusou a sair e se identificou como “federal”. Após insistência, ele saiu do veículo e se identificou como “senador da República”.
Ao perceber que a gravação das câmeras corporais dos agentes foi iniciada, ele começou a ameaçar os PMs, segundo o relato. “Você está gravando? Então você vai ver”, teria dito o senador, de acordo com os policiais.
Os agentes pediram documentos de identidade, mas Giordano se negou a apresentá-los e voltou a ameaçá-los, dizendo que iria “falar com o coronel Henguel”, em referência a Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da pasta de Segurança Pública do estado.
A equipe solicitou reforço. Nesse momento, Giordano teria dito “você vai para a reciclagem, é isso que vai acontecer”, conforme o registro.
Após várias tentativas, os policiais conseguiram abrir o porta-malas do veículo e identificaram as placas do automóvel. Logo depois, Giordano entrou no carro na tentativa de fugir.
Ele subiu na calçada, quase atropelando um dos policiais que estava em frente ao veículo para impedir a fuga. Os PMs acionaram apoio via rádio e conseguiram abordar o carro poucas quadras depois, no cruzamento da rua Doutor César com a avenida Braz Leme.
Com a chegada de outras equipes, o senador foi novamente abordado e autuado por conduzir o veículo sem emplacamento, com a CNH vencida e pela utilização indevida das luzes estroboscópicas. Em seguida, ele e o veículo foram liberados.
O uso de equipamentos que simulam viaturas oficiais por cidadãos comuns é proibido pelo Código de Trânsito Brasileiro. A infração é considerada gravíssima, acarreta multa alta e a retenção do veículo para remoção do equipamento irregular.
Dirigir com a carteira de habilitação vencida também configura infração grave, com multa e retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado. A junção dessas irregularidades pode levar a processos administrativos e até criminais, dependendo das circunstâncias.
Este não é o primeiro caso de parlamentares envolvidos em incidentes de trânsito. O fato reacende discussões sobre a aplicação igualitária das leis e a conduta de autoridades públicas no cumprimento das normas de trânsito.
