O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não planeja incluir ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em um possível acordo de delação premiada no processo sobre a gestão fraudulenta do Banco Master. Ele só fará isso se for inevitável.
Essa intenção foi manifestada por ele a diversas pessoas antes mesmo de decidir seguir com um acordo de colaboração com a Justiça. Em primeiro lugar, Vorcaro afirmava ter consciência de que, para levar um magistrado da alta Corte para o centro das investigações, precisaria de provas incontestáveis de crimes.
Ele avaliava o risco de sua delação ser rejeitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), por setores da PF (Polícia Federal) e pelo próprio STF. Após ouvir conselhos de interlocutores que conhecem o Judiciário, ele também manifestava a certeza de que envolver um magistrado poderia despertar o espírito de corpo da maioria da Corte.
Isso, segundo ele, dificultaria a solução de seus problemas criminais. Portanto, ele só deve falar sobre a relação com magistrados em depoimentos caso seja pressionado pelas autoridades a discorrer sobre essa convivência.
Em conversas com interlocutores antes de ser preso pela segunda vez, no início do mês, Vorcaro sempre demonstrou apreço pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Ele dizia que o magistrado era um amigo.
O ex-banqueiro defendia a contratação, pelo Banco Master, do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, por R$ 129 milhões em um período de três anos. Vorcaro afirmava que ela de fato trabalhou para o banco, mobilizando dezenas de advogados para diversos temas.
O trabalho incluía desde a elaboração de cartilhas de compliance para a instituição até processos previdenciários. Já o ministro Dias Toffoli era poucas vezes citado por Vorcaro nas conversas. Toffoli é sócio da Maridt, empresa que vendeu a um fundo ligado ao Master a participação que tinha em um resort no Paraná.
O ex-banqueiro ficou contrariado ao saber que o ministro Kassio Nunes Marques votou pela manutenção de sua prisão na semana passada. Vorcaro acreditava que líderes do Centrão próximos a ele, e que têm amizade com o magistrado, pudessem convencê-lo a votar por sua liberdade.
No entanto, esse sentimento negativo não seria suficiente para que ele decidisse envolver o STF na delação. A decisão de poupar os ministros permanece, a menos que as autoridades responsáveis pelo acordo insistam no tema durante os depoimentos.
O caso segue sob a análise da Procuradoria-Geral da República, que avalia os termos de uma possível colaboração. A delação premiada é um instrumento usado em investigações de grande complexidade, onde a revelação de novos fatos e envolvidos pode levar a benefícios na pena do colaborador.
A situação de Vorcaro está sendo acompanhada de perto, dado o impacto que alegações envolvendo membros do Supremo Tribunal Federal poderiam causar. O Banco Master é alvo de operações policiais e investigações judiciais há anos, centradas em suspeitas de desvios e gestão irregular de recursos.
