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Debate no DF: Candidatos unem forças contra Celina Leão

Debate no DF: Candidatos unem forças contra Celina Leão

Os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) se encontraram neste domingo (9) no primeiro debate das Eleições 2026. O evento, organizado pelo Grupo Bandeirantes, abre a disputa entre as propostas que buscam conquistar o eleitorado candango no pleito de 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro. Participaram do encontro Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Capelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). Segundo a organização, os convites foram definidos pela representação dos partidos no Congresso Nacional.

A tônica do debate foi a união de vários candidatos para questionar Celina Leão. A governadora abriu o encontro afirmando que “herdou” a crise do BRB e outros problemas do governo Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, como a queda no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e as filas para cirurgias e consultas eletivas. Ricardo Capelli e José Roberto Arruda focaram na gestão da Saúde, enquanto Grass tentou atrair o tema da Educação, por ser professor.

No primeiro intervalo, assessores de Grass e Capelli comemoraram a união contra a atual governadora. Membros do PSB, no entanto, disseram que o candidato se descuidou do tempo e abriu brechas, como quando Kiko Caputo criticou o que chamou de “roubalheira da Esquerda”. O pessebista voltou a falar da Saúde e esgotou os dois minutos e meio disponíveis, enquanto Caputo usou quase dois minutos para criticar o governo federal e elogiar o trabalho de Romeu Zena em Minas Gerais. No campo de Arruda, a cúpula da campanha demonstrava confiança. “Ele está jogando com a bola no pé”, comentou um líder pessedista ao Jornal de Brasília.

Arruda e Caputo também trataram de mobilidade urbana. O ex-governador lembrou que construiu as últimas expansões do metrô até Ceilândia e prometeu outras quatro linhas de transporte sobre trilhos. Caputo prometeu novas Estradas-Parque para conectar o Plano Piloto a Planaltina e à saída norte. Celina, alvo de todos, passou a maior parte do tempo se defendendo e exaltou os programas contra a violência doméstica e de gênero, em embate com Paula Belmonte.

No último bloco, Celina, em novo confronto com Belmonte, disse que não interferia na atuação dos parlamentares de sua base na Câmara Legislativa, nem mesmo os de seu partido. Questionada, atacou a gestão anterior. “Eu estou sozinha tentando salvar um banco, eu sou corajosa mesmo”, afirmou. “Nenhum dos candidatos aqui veio ajudar, nem os que têm entrada no governo federal”, completou, declarando que não tem “nada a ver” com o escândalo do BRB e que seu contato “não consta na agenda de Daniel Vorcaro”.

A governadora também selou o rompimento com o ex-governador em embate com Caputo, que é advogado. “A última vez que elegemos um ex-presidente da OAB nós vimos o que aconteceu. Nunca mais o povo do Distrito Federal vai eleger alguém da OAB”, disse, em referência ao antecessor. A Segurança Pública só foi tema no final, quando Capelli questionou Grass sobre suas propostas. “Não adianta colocar câmeras corporais se não tem gente para monitorar”, comentou o petista. Capelli prometeu aumento de efetivo e a volta das duplas de ronda, os “Cosme e Damião”, para patrulhamento.

Em sua última resposta, Capelli sinalizou apoio a Arruda. “Eu defendo seu direito de ser candidato, Arruda”, disse, citando uma suposta conversa de assessores de Celina para “tirar o ex-governador da disputa”. “Já tiraram o Reguffe da última campanha numa manobra partidária, não quero que isso aconteça com o senhor”, completou. Arruda respondeu com ironia, dizendo a Celina que defende o direito de candidatura dela “apesar da Operação Drácon”.

Ao fim do debate, Celina Leão se recusou a falar sobre o rompimento com Ibaneis, mas considerou “normal” a união para colocá-la na parede. “Faz parte do jogo. Eles querem me atrelar a um governo do qual eu não fiz parte”, declarou. “Agora, querem falar de BRB sendo que ninguém se movimentou para salvar o banco, o candidato do PT não foi capaz de falar com o presidente Lula para mediar uma ajuda federal”, completou. Sobre o balanço da instituição, disse “não haver sentido soltar o balanço sem o empréstimo”.

Kiko Caputo disse não ter visto agressão de Celina à OAB. “Não, ela só quer se distanciar do governo do qual ela era vice-governadora”, pontuou. Leandro Grass considerou natural as tabelinhas contra Celina, mas garantiu que não houve acordo. “Cada um traz as suas propostas e apresenta ao público. Foi um bom debate e quem assistiu teve uma boa ideia de quais são as posições dos candidatos”, declarou. Ricardo Capelli disse estar “honrado” por ser alvo dos contra-ataques da governadora. Arruda voltou a classificar a titular do Buriti como “camaleoa” por “abandonar o barco quando aperta”. Paula Belmonte negou ataques coordenados e afirmou que houve apenas “questionamentos sobre um governo falido”.

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