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Dólar sobe com ataques no Oriente Médio

O dólar fechou em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,217, nesta quinta-feira, 19 de março de 2026. O pregão, em São Paulo, foi marcado por volatilidade, com o impacto das decisões de juros do Copom e do Fed, além do preço do petróleo.

O comportamento da moeda norte-americana acompanhou o exterior, onde o índice DXY, que mede a força do dólar, recuou 1,08%. O movimento da tarde contrastou com o da manhã, quando a moeda chegou a R$ 5,313, em alta de 1,34%, em meio à aversão global ao risco.

A Bolsa de Valores encerrou o dia em alta de 0,35%, aos 180.270 pontos.

O pregão foi influenciado por novos capítulos do conflito no Oriente Médio. Na madrugada, o Irã respondeu a ataques de Israel e dos EUA com bombardeios a instalações de energia na região.

A escalada impactou o petróleo, que ultrapassou US$ 119 por barril, seu maior nível em mais de uma semana. Ao longo do dia, porém, a cotação do Brent perdeu força e encerrou a US$ 108,65, com avanço de 1,18%. Isso reduziu a busca por ativos de segurança e favoreceu os mercados acionários.

Declarações de um funcionário da Casa Branca, que disse que os EUA não consideram proibir exportações de petróleo, influenciaram a mudança. A informação de que Israel ajuda os EUA a retomar navegações pelo estreito de Hormuz também acalmou o mercado.

Para Bruno Botelho, da ONE Investimentos, o dia teve um movimento de ajuste após um choque externo. A disparada inicial veio com a piora do cenário internacional, principalmente pela escalada no Oriente Médio, e as decisões do Fed e do Copom reduziram o diferencial de juros.

Segundo ele, o movimento perdeu intensidade. O quadro reforça um ambiente de alta volatilidade, com o câmbio reagindo a eventos externos, mas ainda com suporte nos juros elevados e no fluxo doméstico.

A instabilidade global se refletiu nos juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram em bloco, mas recuaram ao longo do pregão. Às 17h, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com queda de 10 pontos-base. Para janeiro de 2035, a taxa era de 13,84%, com queda de 6 pontos-base.

O mercado de juros futuros segue pressionado porque a alta do petróleo pode reacender a inflação no Brasil. Isso pode levar o Copom a manter os juros elevados por mais tempo.

Na última quarta-feira, o Copom reduziu a Selic para 14,75% ao ano e confirmou o plano de iniciar a redução de juros em março. Foi a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo.

O comitê, porém, não antecipou seus próximos passos e deixou a decisão em aberto, citando forte aumento da incerteza. Evitou palavras como redução ou cortes, optando por calibração da política de juros. A ideia é ter mais clareza sobre o conflito no Oriente Médio antes de definir novos movimentos.

Às vésperas do encontro, cresceu a aposta por uma redução menor de juros, de 0,25 ponto percentual, diante da disparada do petróleo. Antes da escalada do conflito, o consenso era de corte de 0,5 ponto.

No exterior, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No comunicado, afirmou que não haverá cortes se não houver progresso na inflação, indicando que o processo desinflacionário não está no ritmo desejado.

A declaração foi vista como hawkish (agressiva) pelos operadores, o que minou a atratividade de ativos de risco. Para Lucca Bezzon, da StoneX, esse é um fator que pressiona o real. Além disso, a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, piorando o cenário doméstico.

Diante da volatilidade, o Banco Central do Brasil realizou dois leilões simultâneos: um de dólar à vista e outro de swap cambial reverso, com oferta de US$ 1 bilhão em cada operação. A medida busca aumentar a liquidez em momentos de estresse.

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