Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil



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Os Festivais! Para uma pessoa nascida na década de 80 (que é o meu caso), entender a comoção nacional que os festivais de música causavam na década de 60 pode ser um pouco complicado. Nasci numa época em que os ídolos da música não apareciam (e ainda não aparecem) em festivais de música e, quase sempre, são fabricados por gravadoras ou surgem espontaneamente na internet. No Brasil, nem mesmo as versões nacionais de programas de televisão como American Idol deram muito certo, afinal, você apontaria algum participante do Ídolos ou do Fama como um cantor relevante? (Excluindo-se daí o nome de Roberta Sá, que efetivamente fez sucesso por si própria e não por sua participação em uma edição qualquer do Fama, da Globo).

Mas na década de 60, tudo era diferente e um Festival, em especial, é hoje antológico: o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, de 1967. A partir de acontecimentos e canções apresentadas naquela noite, a música brasileira nunca mais seria a mesma.

O documentário Uma Noite Em 67, dos diretores Renato Terra e Ricardo Calil, cobrem a data, utilizando imagens reais do festival (apresentações e entrevistas) com depoimentos atuais de nomes que viveram aquela noite de forma intensa. Assim, é interessante observar os jovens de 20 e poucos anos Caetano Veloso, Chico Buarque, Edu Lobo, Roberto Carlos e Gilberto Gil dando seus depoimentos para os ‘jornalistas’ durante o festival e vê-los hoje, já na casa dos 60 anos, se lembrando daquela noite e de particularidades vividas nela.

No Festival que deu a Ponteio, de Edu Lobo, o primeiro lugar, hoje clássicos da nossa música eram apresentados pela primeira vez. Alegria, Alegria, do Caetano; Domingo no Parque, de Gilberto Gil; Roda Viva, de Chico Buarque. Todas essas músicas foram ouvidas pela primeira vez em 1967, arrancando as mais diversas reações do público que assistia ao vivo as apresentações.

O mais interessante de viver numa época politicamente correta e diferente e ver imagens de um Festival que aconteceu há tanto tempo é notar as disparidades de costumes. Nas entrevistas dos bastidores, entrevistadores e entrevistados fumavam como chaminés, uma pergunta era feita a um entrevistado para ele logo em seguida ser deixado de lado quando outra pessoa mais interessante passava pelos entrevistadores, fora as reações totalmente inflamadas da platéia durante as apresentações que, nesse festival específico gerou uma reação absurda do cantor Sérgio Ricardo, que é bastante explorada no início do documentário.

Uma Noite Em 67 merece ser conferido. Se você acompanhou aqueles tempos, certamente será um exercício saudosista de uma época que não volta mais. Se você é mais jovem, acompanhará com curiosidade um mundo muito diferente do que está habituado.

E, mais interessante é notar que para nomes como Chico, Caetano e Edu Lobo, ícones da música popular brasileira e protagonistas daquela noite, aquilo tudo já passou e eles nem mesmo pensam muito sobre o festival. Afinal, o passado é passado e ninguém quer ser lembrado por algo que aconteceu há tanto tempo, n’Uma Noite em 67 perdida nos arquivos da história.

 
Sobre Leandro Faria

Trackbacks

  1. [...] brasileira (se você gosta do tema, sugiro que assista ao documentário Uma Noite Em 67, excelente, mais informações clicando aqui). Já a Bossa Nova é considerada a música feita na época de ouro da produção cultura no país. [...]

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