Amor Confesso, com Claudia Ventura e Alexandre Dantas

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Já pararam pra pensar que a maioria das histórias e contos “de amor”, quase sempre, terminam falando de dor, sofrimento e traições? Afinal, parece que os amores sem imprevistos não vendem e acabam sendo chatos. É essa a constatação do casal Claudia e Alexandre em Amor Confesso, uma deliciosa história que merece todos os elogios que vem recebendo. É teatro da melhor qualidade, que arranca gargalhadas sinceras e o deixa sair do teatro com uma sensação boa de diversão e qualidade. Convenhamos, coisa não muito fácil de acontecer.

Claudia e Alexandre estão prestes a se casar. Mas, num insight, se dão conta de que quase toda história de amor é trágica para que vire uma boa história. Assim, batendo um papo com a plateia, contam como tiveram a ideia de montar Amor Confesso, espetáculo baseado em vários contos de Arthur Azevedo, para logo em seguida embarcarem numa apresentação intensa e divertida, dando vida a personagens díspares, cada um mais insano que o outro.

Acompanhados do pianista Roberto Bahal, Alexandre e Claudia encenam esses contos no palco, utilizando músicas conhecidas (como Vai Vadiar e Mulata Assanhada, por exemplo) para narrar cada um desses “dramas”. E o desempenho dos atores é excelente. Indo de personagem a personagem em oito contos, eles convencem em cada momento, mudando totalmente a postura, voz, entonação, ganhando a plateia que não se furta de rir em nenhum momento.

O cenário, que utiliza como elementos cênicos apenas um vestido de noiva e um fraque estilizados, ao lado de uma única cadeira, é econômico e muitíssimo bem utilizado. O piano e seu condutor, Roberto Bahal, quase fazem parte da cena, interagindo o tempo todo com os atores, de forma orgânica e natural.

Em temporada até 15 de janeiro no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, o trabalho dos atores merece cada um dos longos minutos em que são aplaudidos de pé no final da peça. Mais do que recomendado!

Fragmentos Azedos Sobre a Língua, com Samuel de Assis

fragmentos azedos 500x332 Fragmentos Azedos Sobre a Língua, com Samuel de Assis

Você já viveu a experiência de um grande amor? Sabe o que é a sensação de ser acolhido, de sentir-se parte, a metade de um inteiro. Mas, e quando isso chega ao fim e o que resta são apenas as lembranças? Mais do que isso, como se fica quando o fim acontece à sua revelia, sem perguntas ou acordos, apenas com um “acabou, tchau”? Falando com todos aqueles que um dia tiveram um coração partido, Fragmentos Azedos Sobre a Língua é mais do que uma peça teatral, é uma verdadeira experiência.

Baseado em dois contos de Caio Fernando Abreu (Sem Ana, Blues e Os Sobreviventes), autor conhecido por seus textos pungentes e – quase sempre – depressivos, a peça é um monólogo estrelado por Samuel de Assis, que num teatro em forma de arena, dá vida a dois personagens, alternando-se entre eles apenas na mudança de gestual e voz, o que faz magnificamente. Se num momento vemos um homem que perdeu seu grande amor e, apesar de tocar sua vida nunca o esqueceu; em outro temos um mulher louca, exagerada, sofrendo por um fim que nem ela sabe como se deu. O interessante é notar que Samuel modifica-se totalmente de um para o outro, tornando aquelas pessoas plausíveis apesar de suas diferenças.

O cenário é econômico  como pede uma apresentação em arena: cercados pelos expectadores, Samuel encontra-se no meio, com apenas uma poltrona, um criado-mudo, almofadas, discos de vinil jogados pelo chão, algumas imagens de santos e orixás e um aparelho de som como objetos cênicos. A luz, a música e, claro, a entrega do ator, contribuem para que a experiência seja intensa.

Porque sim, Fragmentos Azedos Sobre a Língua é uma experiência. Com o ator tão perto dos espectadores, num monólogo que fala sobre o sofrimento de ser abandonado, a interação com a plateia é espontânea. Assim, Samuel interage de forma orgânica com todos, seja trocando e mantendo olhares, fazendo perguntas retóricas ou, até mesmo, chorando compulsivamente no colo de alguém.

O que fica no final da apresentação é um sentimento muito conhecido por aqueles que já conhecem a obra de Caio Fernando Abreu: um amargo na boca, um incômodo, uma sensação de soco no estômago. Porque seria ótimo se vida e arte pudessem ser separadas e, ao final dos aplausos, cada um seguisse o seu caminho. Com Caio Fernando Abreu não é bem assim. Sempre fica algo ali na cabeça, martelando, mostrando que a vida daqueles personagens poderia ser muito bem a sua. Ou a minha.

OBS: Fazendo parte de uma homenagem ao escritor Caio Fernando de Abreu, Fragmentos Azedos Sobre a Língua vem sendo apresentado no Rio de Janeiro como um combo 3 em 1, até o dia 18 de dezembro no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea. Há uma exposição, a peça e, no final, um convidado especial fazendo a leitura de um conto de Caio Fernando Abreu. Na sessão que assisti, dois atores que não lembro o nome – #Fail, eu sei – se revezaram na leitura de Aqueles Dois, coincidentemente, um dos meus contos preferidos do autor.

Katy Perry Cotada Para Interpretar Marilyn Monroe em Musical da Broadway

katy marylin 458x500 Katy Perry Cotada Para Interpretar Marilyn Monroe em Musical da Broadway

O filme My Week With Marilyn, estrelado por Michelle Williams e centrado numa semana específica da vida de Marilyn Monroe, ainda nem estreou e já deve render frutos. O produtor Harvey Weinstein declarou ao site E! que, dependendo do resultado do filme junto ao público, ele pode ir parar nos palcos da Broadway:

“Se o filme for bem, vamos fazer um musical sobre ele e eu gostaria de trabalhar com Katy nisso. Acho que ela pode ser uma boa Marilyn no palco da Broadway, acho que ela seria incrível.” – contou Weinstein.

A Katy mencionada por ele é Katy Perry, cantora de hits como I Kissed a Girl e Firework, que se apresentou recentemente no Brasil durante o Rock in Rio. Um remix do hit The One That Go Away, cantado por Katy Perry, faz parte do trailer de My Week With Marilyn e, depois que a cantora tuitou o trailer, 250 mil pessoas o assistiram em menos de uma hora, o que, claro, chamou a atenção de Weinstein.

Será que a cantora toparia investir na carreira de atriz de musicais?

 

Bent, com Augusto Zacchi, Gustavo Rodrigues, Augusto Garcia, Breno Pessurno, Miro Marques, Henrique Pinho, Vinicius Vommaro e Evandro Manchini.

bent cartaz 590x308 Bent, com Augusto Zacchi, Gustavo Rodrigues, Augusto Garcia, Breno Pessurno, Miro Marques, Henrique Pinho, Vinicius Vommaro e Evandro Manchini.

O governo nazista de Hitler na Alemanha já rendeu obras memoráveis no cinema, no teatro e na literatura.  Marcado na história da humanidade, o período é um dos mais deprimentes para todos com o mínimo de sensibilidade, recheado de acontecimentos lastimáveis e que mostram quão vis podem ser as pessoas quando se julgam superiores e detêm o poder. Bent, o texto de 1979 do dramaturgo norte-americano Martin Sherman que retrata a perseguição nazista aos homossexuais e conta uma história densa e triste, ganha no Brasil uma montagem competente e arrebatadora nas mãos do diretor Luiz Furlanetto com um elenco de nomes semi-desconhecidos, mas de competência significativa.

Com tradução de Luiz Fernando Tofanelli, a história de Bent inicia-se em 1934 e acompanha o drama de Maximiliam Berber, um homossexual libertino, descrente em relacionamentos, habitante do meio artístico de uma Berlim efervescente culturalmente e aparentemente alheio às transformações políticas pelas quais a Alemanha passa. Depois de uma noite de sexo casual com um soldado perseguido pelos nazistas, acaba tornando-se um fugitivo ao lado de seu parceiro e, posteriormente, sendo mandado para um campo de concentração onde, para manter a vida, se finge de judeu, negando sua homossexualidade.

A montagem brasileira, apesar de simples, tem um vigor que impressiona. Os objetos cênicos são adequados e orgânicos à trama e assim é perfeitamente plausível acreditarmos que o mesmo palco pode ser o apartamento de Max, um camarim de cabaré, o vagão de um trem ou um campo de concentração. A iluminação impressiona e nos transporta para um clima inicialmente boêmio e posteriormente claustrofóbico, com bom resultado em ambos os momentos. Digno de nota é a existência de uma pilha de pedras reais no palco, importantes para o terço final de toda a história, e que só nos damos conta de que lá estão quando começam a ser utilizadas.

Bent pedras 590x423 Bent, com Augusto Zacchi, Gustavo Rodrigues, Augusto Garcia, Breno Pessurno, Miro Marques, Henrique Pinho, Vinicius Vommaro e Evandro Manchini.

O elenco impressiona e merece destaque. Sem contar com nomes conhecidos do grande público, grande parte da força da peça vem do desempenho de seus atores. O destaque fica por conta de Augusto Zacchi e Gustavo Rodrigues, que vivem Max e Horst. Os personagens, que se envolvem emocionalmente ao viverem uma situação limite, são defendidos à altura por seus intérpretes, que ficam visivelmente esgotados ao final da peça graças ao esforço de intepretação e físico que os papéis exigem. Mereciam, certamente, ser conhecidos pelo grande público.

Apesar da temática específica, que pode afastar muitas pessoas, Bent é uma obra que deveria se tornar obrigatória. Como bem lembrado no final do espetáculo, 01 homossexual é assassinado por dia no Brasil, apenas por ser homossexual. E apesar dos direitos pouco a pouco conseguidos na justiça, a grande parcela de políticos evangélicos e ignorantes que tomam conta das manchetes dos jornais com sua intolerância, um verdadeiro retrocesso da “democracia” brasileira, parecem levar como uma afronta pessoal que pessoas vivam bem e tenham seus direitos assegurados apenas por serem quem são.

A história é repleta de passagens que nos lembram quão cruel e intolerante pode ser a humanidade. Bent apenas mostra isso, colocando o dedo na ferida, sem medo de chocar e de alertar. Um espetáculo obrigatório.

Velha é a Mãe, com Louise Cardoso e Ana Baird

velha e a mae Velha é a Mãe, com Louise Cardoso e Ana Baird

Setenta anos, mas corpinho de cinquenta e oito. É isso o que frisa o tempo todo a protagonista de Velha é a Mãe, vivida por Louise Cardoso, no teatro. E, brincando com o clichê da busca pela juventude, o texto de Fabio Porchat diverte ao transpor para o palco as crises existenciais de uma geração que tem pavor da velhice e do que ela acarreta.

Abandonada pelo marido de 85 anos, a protagonista está puta fula da vida com a situação e é consolada por sua filha Alice. Enquanto a filha vai, aos poucos, contando os detalhes do novo relacionamento do pai para a mãe, vamos gargalhando com a performance de Louise, que é ao mesmo tempo divertida e insana.

Basicamente um embate entre mãe e filha, a peça discorre sobre assuntos como a busca pela juventudade e a conhecida rivalidade feminina. Louise Cardoso e Ana Baird estão à vontade em cena, mostrando uma grande cumplicidade e convencendo perfeitamente no papel de mãe e filha. Os momentos de fúria de Alice, ao descobrir uma “traição” da mãe ficam ainda mais divertidos devido aos detalhes de gestual que a atriz rouba da interpretação da “mãe”. Uma química primordial para passar a veracidade do espetáculo.

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Com direção de João Fonseca, o texto de comédia escancarada de Fabio Porchat não descamba para o besteirol e diverte na medida, sem soar grosseiro ou gratuito.

Velha é a Mãe é mais uma excelente comédia apresentada nos palcos e que merece ser vista, principalmente para podermos nos lembrar de tantas mulheres que poderiam ser, sem tirar nem por, a protagonista daquela história.