Amanhecer, de Bill Condon

topobd 500x339 Amanhecer, de Bill Condon
O penúltimo filme da “saga” Crepúsculo, escrita pela americana mórmon conservadora Stephenie Meyer, tem um grande problema. Mas não é o diretor, nem a roteirista, nem o elenco. É a história de Amanhecer que é ruim mesmo. O último livro da série vampiresca de Meyer foi talvez o pior romance que já li – o segundo sendo A Hospedeira, da mesma autora, e que acaba de ter o elenco principal de sua adaptação cinematográfica anunciado; Saoirse Ronan (indicada ao Oscar por Desejo e Reparação), Jake Abel (Percy Jackson e o Ladrão de Raios) e Max Irons (A Garota da Capa Vermelha) –, mas a roteirista Melissa Rosenberg, apesar de não ser milagreira, conseguiu transformar a história em um longa no máximo “assistível”.

Quando assinou contrato para dirigir as duas partes de Amanhecer, rodadas simultaneamente (a divisão foi anunciada coincidentemente logo após o estúdio responsável pela série Harry Potter anunciar a divisão de As Relíquias da Morte em Parte 1 e Parte 2), Bill Condon regrediu todo o trabalho que teve em Kinsey ao desmistificar o sexo como tabu, em 2004, mas conseguiu desempenhar um trabalho suficientemente bom para satisfazer o público alvo e se enquadrar na classificação etária. O orçamento de super produção rendeu os melhores efeitos especiais de toda a saga até o momento, mas ainda assim Amanhecer – Parte 1 conseguiu ser o pior dos quatro.

Um spot de TV divulgado três dias antes do lançamento do filme anunciava-o como “uma das histórias de amor mais épicas de todos os tempos”. Como alguém que assiste séries como True Blood e The Vampire Diaries, entendo o apelo dos vampiros. Mas Bella sofre de um masoquismo suicida em um nível que nem Sookie Stackshouse nem Elena Gilbert, protagonistas das duas séries citadas, entenderiam. E como sofre. Meyer – que inclusive faz figuração no filme como uma das convidadas do casamento de Bella e Edward, olhando para a noiva com orgulho de mãe – acha que é bonito morrer por um amor doentio, abandonar família e amigos para sempre, só para viver eternamente ao lado do amado que na primeira noite de amor a deixa cheia de hematomas e arranhões. E como a agressão ocorreu no Brasil, na lua de mel do casal, Edward poderia muito bem ir preso sob a lei Maria da Penha.

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Há um ano, em novembro de 2010, Kristen Stewart e Robert Pattinson vieram ao Brasil filmar algumas cenas da lua de mel de seus personagens. Na Lapa de Condon e Meyer, há um turbilhão de gente sambando ao som de músicas quase tribais, se pegando em roupas curtas pelas paredes e motos tentando abrir caminho pelo “inferninho”. Pelo menos quando Edward precisa falar nossa língua com os nativos, não solta nada em espanhol. Mas claro que a serviçal da casa situada na Ilha de Esme precisava ter traços indígenas.

A primeira parte do filme é aproveitável. Na cena do casamento, os noivos são ofuscados pelos discursos de alguns personagens de apoio – Charlie dizendo que sabe usar uma arma, Renee cantando bêbada e Jessica ainda aparentemente apaixonada por Edward (ou “O Cabelo”). Já no “Brasil”, a preparação de Bella para a “cópula”, escovando os dentes e raspando as pernas (quantos dias eles demoraram para chegar ao Brasil? Ela não se depilou para o casamento?) ao som de Sister Rosetta, da banda indie londrina Noisettes, foi até que divertida, assim como suas tentativas em ser sexy quando Edward não queria mais saber de sexo após tê-la machucado na primeira vez. Mas aí surge a história da gravidez, eles voltam para Forks e o negócio desanda de vez.

Para respeitar a classificação etária que permitiria a entrada do público alvo nas salas de cinema, a tão esperada cena de sexo entre Bella e Edward não poderia mesmo ter mostrado mais do que mostrou. Meu problema foi com a cena do parto, asséptica, calma e rápida demais. Talvez a única cena que eu tenha achado interessante em todos os quatro livros, também era a única que eu ansiava ver no filme todo. Novamente, pela classificação etária, não esperava ver nada muito visceral, mas também não achava que o momento seria tão covarde assim.

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Tecnicamente falando, a fotografia de Guillermo Navarro, o mesmo responsável pelo visualmente belo O Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro, é escura e ruim, mas o departamento de maquiagem merece aplausos pela transformação de Bella no decorrer da gravidez. A cena final só é boa por não parecer em nada com o resto de toda a saga e, apesar do final “Avatar” ser meio clichê e previsível, foi o mais impactante dos quatro filmes (sendo que dois dos três anteriores acabaram com um pedido de casamento bem novela das 8).

Novamente a cargo da supervisora musical Alexandra Patsavas, a trilha sonora é ótima e consegue dar o clima certo às cenas. Aliás, a única coisa boa de todos os quatro filmes é a trilha sonora. A escolha de tocar músicas das trilhas anteriores nas cenas do casamento (Flightless Bird, American Mouth, do Iron & Wine, presente trilha de Crepúsculo e My Love, da cantora Sia, saída da compilação de músicas tocadas em Eclipse) combinada com a volta do compositor Carter Burwell como responsável pelo score das duas partes finais (Burwell compôs a trilha instrumental do primeiro filme) criou, ainda que apenas por alguns momentos, um bom clima de nostalgia.

Diferente de outras séries cinematográficas que possuem um leitmotiv característico, cada compositor criou um tema musical diferente para cada longa da saga Crepúsculo. Notas de New Moon (The Meadow), do score de Alexandre Desplat, podem ser ouvidas por todo o filme Lua Nova, e variações de Jacob’s Theme, de Howard Shore, dominam o score de Eclipse, junto com acordes de Eclipse (All Yours) do Metric. Com a batuta novamente em mãos, Burwell usou novamente o tema criado para Crepúsculo: Bella’s Lullaby, fazendo uma conexão musical dos últimos filmes (provavelmente a música voltará a ser ouvida na Parte 2) com o primeiro. Fechando o ciclo.

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A divisão de Amanhecer em dois longas foi desnecessária. Fizessem então um filme que excedesse em uns 30 minutos as duas horas características, já que a única parte interessante da história é a batalha final, que, apesar de já filmada, só será exibida nos cinemas em novembro de 2012. A melhor parte do filme veio nos créditos finais, em uma cena dos Volturi que antecipa o que está por vir na Parte 2. Veio com um ótimo Michael Sheen sem medo de ser cafona, mesmo com toda a vestimenta, maquiagem, peruca e um roteiro que também não ajudava para ser levado a sério, e funcionou bem. Possivelmente pelo bom uso da música que embalava os créditos quando a cena apareceu, I Didn’t Mean It, da dupla The Belle Brigade.

Analisando como adaptação de um livro horrível, Amanhecer – Parte 1 é ótimo. Mas vendo pelo lado que realmente importa – o de um filme –, é ruim, vergonhoso, covarde e cafona. Só não reclamo do quesito atuação de Kristen Stewart porque Bill Condon, assim como Chris Weitz em Lua Nova, conseguiu utilizar-se de sua cara de sofrimento para o bem, e aqui Bella quase nem fala. Aquela revolta dos lobos e o amor eterno de Jacob nem merecem menção. Assista, se você já gastou quase seis horas de sua vida assistindo aos três anteriores (sendo que os dois primeiros nem são tão ruins assim, confesso). Para os fãs, esperar um ano para ver o último filme é uma tortura. Para aqueles que só querem que isso acabe logo, também.

A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, de Stephenie Meyer

brre tanner A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, de Stephenie Meyer

Eclipse é meu livro favorito da saga Twilight (gosto de Crepúsculo, odeio toda a baboseira depressiva de Lua Nova, e Amanhecer considero uma boa história com um climax imbecil). Assim, foi com curiosidade que comecei a leitura de A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, que tem o sutil subtítulo de uma história de eclipse.

Confesso que não consigo entender esse meu fraco pelos vampiros que brilham ao sol criados por Stephenie Meyer. As histórias são idiotas, os personagens desinteressantes e totalmente irreais (e nem digo isso pelo fato de termos vampiros e lobisomens entre os personagens e sim porque tomam atitudes idiotas que NINGUÉM normalmente tomaria), a moral mórmão da autora me causa náuseas, mas… Não consigo não ler os livros. Na verdade, a prosa prolixa de Stephenie Meyer me diverte de uma forma que não consigo explicar. #Fail, eu sei, mas real.

Em A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, somos reapresentados à Bree do título, que já havíamos conhecido nos capítulos finais de Eclipe: uma vampira recém criada para fazer parte do ‘exército’ de Victória com o propósito de acabar com a vida de Bella. Mas nesse novo livro somos apresentados a um mundo desconhecido por nós. Afinal, como a própria Stephenie diz na introdução do livro, em Eclipse Bree vive apenas 5 minutos do ponto de vista de Bella, a narradora daquela história. Agora temos a oportunidade de conhecer essa parte da história pela ótica de outro personagem.

Recém criada, Bree não entende muito bem o que é ser um vampiro. ‘Brincando’ com os clichês, os recém criados acreditam que o sol pode matar e desconhecem o resto dos vampiros e as regras que regem sua espécie. Como marionetes de Riley, o pau mandado de Victória, sua rotina é apenas a de caçar e brigar uns com os outros, eventualmente tendo alguma parte do corpo arrancada.

Mas Bree é diferente da maioria dos novos vampiros com que convive. Bree consegue pensar em algo mais do que sangue (apesar de a sede ser implacável também para ela) e não entende o comportamento de seus iguais. Por isso, numa noite de caça, se aproxima de Diego, outro recém criado, por quem acaba criando grande ‘afeição’, afinal, Diego parece ser como ela e não encarar as coisas como os idiotas recém criados.

Pouco a pouco, Bree e Diego vão se dando conta de que são apenas peões num jogo de xadrez e é bem interessante acompanhar suas descobertas, como por exemplo, que o sol não os mata e sim os faz brilhar (não consigo aceitar essa idiotice). E, claro, com a mente aberta e sabendo que são manipulados, se vêem em perigo e caminhando para um final que todos que leram os demais livros já conhecem.

Um outro personagem interessante é Fred, um recém criado com a habilidade de manter as pessoas afastadas dele, gerando uma espécie de náusea na pessoa, tornando-se praticamente invisível. E como Fred é o único recém-criado tratado com ‘profundidade’ nesse novo livro que sobrevive, acho que pode ser o próximo a ganhar uma história própria da criadora de Crepúsculo.

O livro diverte e é do tipo facilmente devorado. Eu, por exemplo, terminei suas quase 200 páginas em dois dias. Querendo ou não admitir, a história é envolvente e nos prende desde o início, mesmo que já conheçamos o seu fim. Aliás, esse é o grande problema de A Breve Segunda Vida de Bree Tanner: não podemos nos afeiçoar muito a Bree, afinal, já sabemos que sua segunda vida não dura muito. Mas, enquanto dura, Bree é uma excelente companhia.

A Breve Segunda Vida de Bree Tanner
Stephenie Meyer
Editora Intrínseca
Preço Médio: R$ 24,90

Desculpa se te chamo de amor, de Federico Moccia

Então, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.
Agora vocês vão entender o porquê dessa pequena introdução. O livro em destaque hoje é “Desculpa se te chamo de amor”, de Federico Moccia, autor italiano em ascendência. Ele não chega a ser tão conhecido quanto Dan Brown ou Stephenie Meyer, mas já chegou por aqui com um certo prestígio, com direito até a busdoor que, embora não seja super atraente, como qualquer busdoor não passa despercebido às pessoas ao menos um pouco observadoras.
Fato é que eu já tinha reparado nesse busdoor algumas vezes, especialmente pelo título do livro, que de primeira me sugeriu tratar de uma nova peça de teatro. Afinal, guarda alguma semelhança com “A história de nós dois”, ou “Despertar da primavera”, outros títulos de peças em cartaz na cidade.
Mas eis que, em busca de algo para ler, numa conversa com um amigo, ele me disse que havia comprado dois livros, sendo um deles “Desculpa se te chamo de amor”. Ele me perguntou se eu queria emprestado e, na falta de outra leitura que me chamasse mais atenção no momento, disse que sim, sem grandes expectativas (Isso não chega a ser uma novidade, inicio praticamente qualquer leitura sem grandes expectativas).
Enfim, comecei a leitura, e as primeiras dez páginas não me chamaram muito a atenção. Mas persisti, porque vários livros não prendem mesmo nas primeiras páginas. E aí Alessandro começou a ficar interessante pra mim. Talvez porque a sua incapacidade de aceitar o término de uma relação sem motivo claro aproxime o personagem do universo feminino. Ou talvez porque ele pareça o ideal de homem que desejamos: aquele que busca ser o melhor na vida, tanto no plano da razão quanto no da emoção, no auge dos seus 37 anos.
E, é justo esse cara, que acaba literalmente atropelando – e sendo atropelado – por uma adolescente sem freios na língua, no corpo e na alma: Niki. Em algum momento da história, alguém a qualifica com o adjetivo “solar”. E essa me parece mesmo a melhor palavra para defini-la. Uma garota que exala a energia da juventude, e atinge Alessandro como uma onda, trazendo para o seu mundo um frescor do qual ele já não se lembrava.
Fica divertido acompanhar o envolvimento desse casal que, contra todas as diferenças, dá certo. Como se juntos eles conseguissem se encontrar num ponto médio, entre aqueles em que um e outro estão. É claro que não é assim o tempo inteiro, todo bom romance precisa de obstáculos para sobre eles se mostrar maior. E esse não foge à regra.
No mais, as tramas paralelas não se valorizam por si mesmas, cumprem apenas a sua função básica como complemento para delinear os perfis dos protagonistas, pela apresentação dos ambientes em que eles transitam e das pessoas com as quais convivem. Algumas partes da história são previsíveis, outras um pouco forçadas. Alguns diálogos soam um pouco truncados. Mas nada que chegue a comprometer.
No geral, a história flui bem, o texto é leve, atual, com algumas tiradas engraçadas e com algumas passagens eventualmente poéticas. Mas agrada especialmente por nos trazer outro amor de ficção, daqueles improváveis, que povoam sonhos desde sempre, numa versão moderninha. Vale a pena ler “Desculpa se te chamo de amor”.
desculpasetechamodeamor Desculpa se te chamo de amor, de Federico MocciaEntão, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.
Agora vocês vão entender o porquê dessa pequena introdução. O livro em destaque hoje é Desculpa se te chamo de amor, de Federico Moccia, autor italiano em ascendência. Ele não chega a ser tão conhecido quanto Dan Brown ou Stephenie Meyer, mas já chegou por aqui com um certo prestígio, com direito até a busdoor que, embora não seja super atraente, como qualquer busdoor não passa despercebido às pessoas ao menos um pouco observadoras.
Fato é que eu já tinha reparado nesse busdoor algumas vezes, especialmente pelo título do livro, que de primeira me sugeriu tratar de uma nova peça de teatro. Afinal, guarda alguma semelhança com A história de nós dois”, ou “Despertar da primavera”, outros títulos de peças em cartaz na cidade do Rio de Janeiro.
Mas eis que, em busca de algo para ler, numa conversa com um amigo, ele me disse que havia comprado dois livros, sendo um deles “Desculpa se te chamo de amor”. Ele me perguntou se eu queria emprestado e, na falta de outra leitura que me chamasse mais atenção no momento, disse que sim, sem grandes expectativas (Isso não chega a ser uma novidade, inicio praticamente qualquer leitura sem grandes expectativas).
Enfim, comecei a leitura, e as primeiras dez páginas não me chamaram muito a atenção. Mas persisti, porque vários livros não prendem mesmo nas primeiras páginas. E aí Alessandro começou a ficar interessante pra mim. Talvez porque a sua incapacidade de aceitar o término de uma relação sem motivo claro aproxime o personagem do universo feminino. Ou talvez porque ele pareça o ideal de homem que desejamos: aquele que busca ser o melhor na vida, tanto no plano da razão quanto no da emoção, no auge dos seus 37 anos.
E, é justo esse cara, que acaba literalmente atropelando – e sendo atropelado – por uma adolescente sem freios na língua, no corpo e na alma: Niki. Em algum momento da história, alguém a qualifica com o adjetivo “solar”. E essa me parece mesmo a melhor palavra para defini-la. Uma garota que exala a energia da juventude, e atinge Alessandro como uma onda, trazendo para o seu mundo um frescor do qual ele já não se lembrava.
Fica divertido acompanhar o envolvimento desse casal que, contra todas as diferenças, dá certo. Como se juntos eles conseguissem se encontrar num ponto médio, entre aqueles em que um e outro estão. É claro que não é assim o tempo inteiro, todo bom romance precisa de obstáculos para sobre eles se mostrar maior. E esse não foge à regra.
No mais, as tramas paralelas não se valorizam por si mesmas, cumprem apenas a sua função básica como complemento para delinear os perfis dos protagonistas, pela apresentação dos ambientes em que eles transitam e das pessoas com as quais convivem. Algumas partes da história são previsíveis, outras um pouco forçadas. Alguns diálogos soam um pouco truncados. Mas nada que chegue a comprometer.
No geral, a história flui bem, o texto é leve, atual, com algumas tiradas engraçadas e com algumas passagens eventualmente poéticas. Mas agrada especialmente por nos trazer outro amor de ficção, daqueles improváveis, que povoam sonhos desde sempre, numa versão moderninha. Vale a pena ler “Desculpa se te chamo de amor”.
Federico Moccia
Editora Planeta
Preço Médio: R$ 30

A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

 A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

Uma história de amor água com açúcar entre dois jovens apaixonados que devem enfrentar um empecilho para viver esse amor. História batida e contada desde que o mundo é mundo, não? Romeu e Julieta, Jack e Rose (Titanic), Tristão e Isolda. Já vimos/lemos/ouvimos milhares de vezes uma trama semelhante. O que faz a diferença é a forma como isso é contado e que dessa forma prende a atenção do público.

Por isso, tome o mote principal do casal e transforme um deles num vampiro centenário e o outro num ser humano. Crie uma mitologia própria para os seus vampiros e, voilà, é essa a história da série de livros Crepúsculo (Twilight, em inglês), de Stephenie Meyer, que conquistou legiões de fãs, agitou o mercado editorial e agora vira febre novamente com a transposição do segundo livro para as telas do cinema.

Os quatro livros da saga Crepúsculo, que falarei com detalhes a seguir, já venderam juntos, mais de 42 milhões de cópias em todo o mundo, com traduções em 37 linguas diferentes. Na época do lançamento do primeiro livro, Meyer chegou a ser comparada a J.K. Rowling, autora dos best sellers Harry Potter e que também enriqueceu com uma obra literária. E parece que Meyer seguiu os passos de Rowling direitinho, afinal, achou uma boa história e soube manter a atenção do público nela até o seu final.

Sendo membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (também conhecida no Brasil como Mórmons), casada e tendo três filhos, Meyer criou um romance tatibitati, por vezes inocente, onde apesar de insinuada, a sexualidade é tratada de forma respeitosa, quase santa (isso numa história sobre seres das trevas).

Lançado em 2005, Meyer conta que a história de Crepúsculo surgiu em 02 de junho de 2003, quando teve um sonho onde era uma garota vampira e havia um vampiro apaixonado por ela e que desejava o seu sangue. Baseado nesse sonho, Meyer escreveu a transcrição do que agora é o capítulo 13 do primeiro livro da série.

stephenie meyer A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de VampirosA Mães dos Vampiros de Crepúsculo – Stephenie Meyer

Stephenie Meyer é formada em inglês pela Brigham Young University, mas até escrever Crepúsculo, ela não tinha muita experiência na construção de uma trama literária. Mesmo assim, em apenas três meses, ela transformou seu sonho em um romance que, tempos depois, seria um enorme sucesso editorial.

A partir de agora, conheceremos um pouco mais dessas quatro histórias que movimentam milhões de dólares e transformam seus admiradores em verdadeiros fanáticos pela série.

E faço essa análise com o embasamento de ter lido todos os livros e até mesmo gostado da história. Porém, não sou um fã incondicional e cego e sei que, como todas as histórias, os livros tem seus prós e contras.

Bem vindo ao universo dos livros Crepúsculo! Mas, como já deve ter percebido, não pouparei os spoilers… Continuar a leitura é por sua conta e risco.

Crepúsculo (Twilight)
crepusculo A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

Bella Swan é uma jovem normal, da ensolarada Phoenix, no Arizona e que depois do novo casamento de sua mãe, se muda para a pequenina e chuvosa Forks, Washington, para morar com seu pai, Charlie.

Introspectiva, Bela é descrita como uma menina comum, sem grandes atrativos. Entretanto, como é novidade na cidade, acaba atraindo a atenção de vários dos garotos locais quando finalmente começa a freqüentar a escola local. Forçadamente, já que é um pouco anti-social, Bela acaba amiga de Mike, Jéssica, Angela, Eric e Tyler. E seria apenas isso se o jovem mais belo da escola, Edward Cullen, não cruzasse o seu caminho em uma aula de Biologia. O rapaz, descrito como tendo uma beleza absurda, começa um jogo de atração e repulsa com Bela. Óbvio que eles acabariam se apaixonando.

Mas, como trata-se de uma obra de ficção, nada poderia ser perfeito. Edward e seus ‘irmãos’ vivem à margem dos outros alunos da escola, parecem nunca se alimentar e, apesar de extremamente lindos, causam intimidação nas pessoas, que não tem coragem de se aproximar.

O que não é o caso de Bella, que acaba envolvida com Edward. Entretanto, os mistérios do rapaz a deixam desconfiada e, peça a peça ela vai montando um quebra cabeças até que com a ajuda não-intencional de seu amigo Jacob Black, um jovem local da tribo Quileute, Bella descobre que Edward e sua família são na verdade vampiros vegetarianos, que se esforçam em viver numa dieta que não inclui sangue humano.

Apesar disso tudo, Bella e Edward entram num relacionamento e vivem uma história de amor não convencional, afinal, Edward deseja o sangue de Bella, que é descrita como tendo um cheiro delicioso para os vampiros. E é exatamente por isso que ela acaba envolvida numa história absurda do meio do livro pro final: durante um evento dos Cullen (a ‘família’ de Edward), três vampiros aparecem e conhecem Bella. E não demora muito para que James, um vampiro rastreador, deseje Bella absurdamente e passe a persegui-la. É esse o mote que move o livro do seu meio até o final.

Claro, que como em toda história, o vilão é morto pelos Cullen, num final alucinante. Entretanto, James deixa Victória, sua companheira vampira, que certamente procurará se vingar de Bella, o ser que foi o responsável pela morte de seu amado.

Lua Nova (New Moon)
lua nova A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

Originalmente publicado em 2006, o livro  veio saciar a curiosidade que Crepúsculo deixou nos leitores.

A trama começava no aniversário de 18 anos de Bella e na festa que os Cullen faziam para ela. Entretanto, por um acidente, Bella se corta e Jasper, o mais ‘novo’ dos Cullen a ataca repentinamente. Devido ao incidente, Edward fica transtornado e desaparece, terminando o namoro de forma abrupta. Claro que Bella entra numa depressão pavorosa. O interessante do livro é que Edward só reaparece no terço final da história. Até lá, vemos o envolvimento de Bella com seu amigo Jacob Black, o que faz com que a jovem se sinta novamente feliz, mesmo longe de Edward.

É nesse livro que surgem os lobisomens da história, sendo Jacob um deles. Do meio pro final, a reviravolta de sempre: Alice, a outra ‘irmã’ de Edward, tem uma visão de Bella se jogando de um penhasco e acha que ela se matou. E Edward, desesperado, tenta acabar com a própria vida, rumando para a Itália para desafiar os Volturi (o clã vampiro que faz as leis do mundo das trevas) de uma forma exótica: caminhando em plena luz do sol no meio da cidade movimentada e assim chamando a atenção de todos os humanos, afinal, os vampiros brilham no sol.

Alice descobre seu equivoco, percebe que Bella está viva e aparece para a jovem para que juntas rumem para a Itália para resgatar Edward. É quando Edward descobre que Bella está viva, mas já é tarde demais, afinal os Volturi já sabem da intenção original do vampiro de se expor. Conhecemos o clã vampiro e a forma como eles vivem. Para serem liberados pelos Volturi, uma promessa tem de ser feita: a de que Bella será transformada numa vampira.

Com o casal protagonista fazendo as pazes, já que Edward explica que achava que mantendo-se longe a deixaria livre de perigos, Jacob, perdidamente apaixonado por Bella, sofre.

Claro que nesse meio tempo tínhamos um vislumbre de Victória rondando a cidade atrás de Bella, afinal, não nos esqueçamos: no primeiro livro ela jurou vingança à Bella, a causadora da morte de seu parceiro.

O livro, pra mim o mais chato de todos, termina com o pedido de Edward a Bella em casamento.

Eclipse (idem)
eclipse A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

Esse é, em minha opinião, o melhor dos livros da saga criada por Stephenie Meyer. A história continua seguindo os passos de Bella, que dessa vez não sabe como lidar com seu relacionamento com Edward e sua amizade com Jacob. Como amar um vampiro e ter como melhor amigo um lobisomen?

Nesse meio tempo, uma horda de vampiros recém-criados começa a assolar as ruas de Seattle e os Cullen estão bastante alertas no que isso possa significar. Bella ainda pensa em sua futura vida imortal, já que ser transformada em vampira faz parte do acordo com os Volturi, o clã vampiro que mantém a ordem no mundo obscuro. Uma história densa, com muitas reviravoltas e muitos detalhes sobre o passado de outros integrantes dos Cullen dão o tom a Eclipse. No meio da história vemos o retorno de Victória à trama e em seu fim temos a possibilidade de vermos novamente os Volturi em ação.

Entretanto, a grande dúvida do livro é a grande deixa para o capítulo final da história: Edward transformará Bella em vampira?

Amanhecer (Breaking Dawn)
amanhecer A Saga CREPÚSCULO – Como Stephenie Meyer Reinventou as Histórias de Vampiros

E chegamos ao último livro da saga! Para os que achavam que ficaríamos na dúvida até o final se Bella se transformaria ou não em vampira, uma surpresa: essa história é até que rapidamente resolvida.

A estrutura do livro é simples: dividido em três partes, a primeira narrada por Bella, a segunda por Jacob e a terceira, novamente por Bella, o livro mostra o casamento de Edward com Bella, sua lua de mel (acreditem, no Brasil!), e uma improvável gravidez de Bella. Por causa dessa gravidez de um ser que é metade vampiro, metade humano, Bella pode morrer durante o parto e é salva por Edward que a transforma em vampira.

E assim nasce Renesmee. Jacob, o eterno apaixonado por Bella sofre o chamado imprinting (uma espécie de ligação entre um lobisomen e outro ser) com a filha de sua amada e tudo se resolve.

Tudo seria lindo se os Volturi não achassem que Renesmee é um bebê vampiro – algo proibido de existir no mundo das trevas. E assim começa uma verdadeira preparação para uma guerra entre os Cullen e seus aliados e os Volturi.

Claro que no fim do livro tudo se acerta e a paz parece reinar para nossos personagens.

Curiosidade:

Meyer tinha o plano de depois de encerrar a saga, lançar um novo livro intitulado Midnight Sun (Sol da Meia Noite). A nova obra contaria a mesmíssima história de Crepúsculo só que sob a ótica de Edward. Entretanto, os doze primeiros capítulos da obra vazaram na internet e Meyer suspendeu sua idéia original. Pode até ser que ela um dia dê continuidade a esse plano, mas devido ao vazamento, isso foi interrompido.

Resumidamente, essa é a história dos quatro livros de Stephenie Meyer.

Pode parecer bobo, infantil, mas eu garanto: vicia! Não são obras primas, mas servem como diversão descompromissada.

E é inegável o apelo dos livros da saga Crepúsculo em jovens leitores! Os livros viraram uma verdadeira febre, as versões cinematográficas atraem milhões e são campeãs de bilheteria.

Depois disso, nos perguntamos: qual será a próxima obra literária a mexer tanto com a imaginação dos leitores?

Lua Nova: Cameron Bright Será Alec no Filme

alec cameron bright Lua Nova: Cameron Bright Será Alec no Filme

E as novidades sobre o elenco de Lua Nova não param de chegar. E, claro, ficamos todos curiosos para saber quem interpretará os vampiros criados por Stephenie Meyer no cinema.

Quando o nome de Dakota Fanning foi anunciado para viver a maquiavélica Jane, muitas pessoas se surpreenderam. Pois agora já temos o nome do ator que viverá Alec, o outro vampiro poderoso da guarda dos Volturi: trata-se do jovem Cameron Bright.

Pouco a pouco vamos vendo a história tomando forma.

E você, animado para a estreia de Lua Nova, a continuação de Crepúsculo?