Shakespeare Versão Mangá

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William Shakespeare é adaptado desde sempre. As obras do autor inglês já foram reescritas, encenadas no teatro, levadas às telas do cinema, com bons ou maus resultados. Dessa vez, entretanto, Shakespeare vai debutar num território novo: o selo Galera Record lançará uma nova série, baseada nas obras do autor, no estilo mangá!

Em PB e com cerca de 200 páginas, as obras de Shakespeare escolhidas para abrir a coleção foram Hamlet e Romeu e Julieta. Cada exemplar das mangás shakespearianas custará R$ 24,90.

O selo garante que a fidelidade ao texto original será mantido e a tradução é do poeta Alexei Bueno. No time de ilustradores, nomes como Emma Vieceli e Sonia Leong. Além dos títulos iniciais, outras adaptações já estão sendo preparadas, como Ricardo III, Sonhos de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza e Othello. Apesar do estilo mangá, entretanto, a leitura obedecerá o modo ocidental, da esquerda para a direita.

Será que a idéia vingará?

MacBeth, de Shakespeare

Macbeth 01 MacBeth, de Shakespeare

Shakespeare não é um autor fácil. E o sonho de todo ator é dar vida a um de seus personagens. Suas peças são encenadas e reencenadas e não perdem o vigor, já que tratam de emoções universais: amor, ódio, vingança, inveja. Por isso, qualquer montagem de uma peça de Shakespeare causa ansiedade e gera burburinho. Ainda mais quando nomes de peso da dramaturgia nacional se aventuram nessas montagens.

Em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Tom Jobim (aquele famoso, dentro do Jardim Botânico), está uma nova montagem do clássico shakespeariano MacBeth. No elenco, nomes como Daniel Dantas e Renata Sorrah (como MacBeth e Lady MacBeth, respectivamente), acompanhados de Camilo Bevilaqua, Thelmo Fernandes, Felipe Martins, Erom Cordeiro e outros.

Fui assistir à peça, acompanhado de um amigo, na sexta-feira, 19/02. Expectativa era o que não me faltava pois, confesso, foi a primeira vez que assisti a uma peça de Shakespeare, ainda mais com tamanho elenco. Minhas impressões? Gostei, mas só.

Não sei se esperava mais ou se a montagem decepciona mesmo. A cenografia é ótima e conta com algumas mesas no centro do palco (que fica no centro da platéia, como um picadeiro) e algumas cadeiras. Os objetos de cena são poucos, mas usados de forma harmoniosa.

O que realmente me incomodou foi a dicção de alguns atores. Em vários momentos eu não conseguia entender o que estavam dizendo. Sei que era muito texto e que a linguagem não era fácil, mas Daniel Dantas, que dava vida à MacBeth, muitas vezes parecia que tinha um ovo na boca. E tenho pena das pessoas nas primeiras fileiras, já que devem ter tomado um verdadeiro banho, já que o ator falava cuspindo (muito) o tempo inteiro. Renata Sorrah está muito bem como Lady MacBeth e dá pra sentir toda a emoção do papel através da atriz.

Outra coisa, é a densidade da história. Como se trata de uma história pesada, de ambição e traições, mortes e conflitos, você sai do teatro com uma energia pesada, que pode ter influenciado na minha impressão sobre a montagem que assisti.

macBeth MacBeth, de Shakespeare

Não estou dizendo, de forma alguma, que é uma peça ruim. Muito pelo contrário, já que você sai pensando em como um texto tão antigo pode ser tão atual e lidar com emoções que esbarramos todos os dias. Mas também não foi uma montagem que me arrancou aplausos e que me desperte uma vontade para uma segunda conferida.

É bom, mas não é perfeito. Mas é Shakespeare! Então, se você não assistiu, vale a pena.

MacBeth
Teatro Tom Jobim
Tel.: (21) 2274- 7012