Quantas vezes você estava lá, assistindo um filme feliz da vida e parou para se perguntar: mas quem foi o idiota que deu um nome tão ridículo em português para esse filme? Se vocês forem como eu, que julgo um livro pela capa e um filme pelo nome (e cartaz), o trabalho do infeliz que escolhe o nome nacional para um longa estrangeiro pode influenciar e muito no que você vai ou não assistir no cinema.
Eu, como já estou acostumado com as barbaridades que as produtoras fazem ao batizar filmes em português com nomes bizarros, sempre procuro saber o nome original do longa antes de assistir a um filme. E nessas, quase sempre, acabo me divertindo imaginando que fatores levaram os produtores a adotar determinado nome para um filme no Brasil ao invés de simplesmente traduzir o título original ao pé da letra.
Pensando nisso, lembrei de dez exemplos de filmes que ganharam nomes péssimos (e surreais) em português e montei a lista abaixo que convido você a ler aqui com a gente no Sem Tédio.
Vamos lá?
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
(Annie Hall)
Em 1977, Woody Allen, lançava um de seus mais elogiados filmes, Annie Hall, que contava a história de um humorista judeu chamado Alvy Singer (o próprio Woody Allen), que divorciado, faz análise há quinze anos. Como boa comédia romântica de Allen, Alvy acaba se apaixonando pela Annie Hall do título original (Diane Keaton), uma cantora no início de carreira. O filme brinca com a problemática das crises conjugais e dos desencontros dos relacionamentos.
No Brasil, o filme que originalmente tinha o nome de sua protagonista, Annie Hall, ganhou um título mais longo (e nada a ver): Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Os motivos? Nem Deus deve saber o que se passava na cabeça da pessoa que cometeu essa heresia.
(A Streetcar Named Desire)
Em 1951, Elia Kazan, lançava sua versão em película da peça original de Tennessee Williams. Na trama, Blanche DuBois (Vivien Leigh), frágil e neurótica, vai a Nova Orleans visitar sua irmã grávida (Kim Hunter). Claro que a visita não é gratuita, pois Blanche acabara de ser expulsa de sua cidade natal no Mississipi depois de seduzir um jovem de 17 anos. Sua chegada modifica totalmente a dinâmica de vida de sua irmã e cunhado (Marlon Brando).
Agora, a grande questão: porque traduzir A Streetcar Named Desire como Uma Rua Chamada Pecado? Sério, não dá pra entender. Era apenas uma questão de traduzir ao pé da letra o nome de uma obra mais do que conhecida e chamar o filme, no Brasil, de Um Bonde Chamado Desejo. Mas não, os geniais tradutores preferiram inovar. Então tá então.
—
Ela Dança, Eu Danço
(Step Up)
Filmes de dança tem público cativo. E Step Up é uma deliciosa história que tem a dança como pano de fundo. No filme acompanhamos Tyler Gage (Channing Tatum), um delinquente juvenil que por destruir o auditório de uma escola de artes é obrigado a prestar serviços para a escola como forma de punição. Claro que o jovem rapaz se apaixona pela dança e por uma das alunas.
O surreal é o nome que o filme ganhou no Brasil: Ela Dança, Eu Danço, uma tentativa explícita (e ridícula) de atrair um público adolescente que, penso eu, fosse fã do MC Leozinho e seu funk Se Ela Dança, Eu Danço. Medo dessa gente, sério!
—
Mata-me de Prazer
(Killing Me Softly)
Um suspense muito bom, estrelado por Joseph Fiennes e Heather Graham. Killing Me Softly conta a história da comprometida Alice, pesquisadora londrina que ao conhecer Adam, um alpinista, acaba largando o namorado para ficar com ele. O que Alice nem imagina é que Adam não é quem ela pensa.
O nome original, Killing Me Softly, que dava a ideia do perigo que a protagonista corria, no título nacional foi traduzido como Mata-me de Prazer, agregando um apelo sexual para o longa. Pode até ter funcionado, mas eu achei uma escolha péssima.
—
Todo Mundo em Pânico
(Scary Movie)
Com o sucesso de filmes de terror como Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, em 2000, nascia a franquia Scary Movie, que tirava sarro dos filmes do gênero, com um humor escatológico e feito de gags.
A qualidade das histórias não era nada boa, mas o nome original, que traduzido ao pé da letra seria algo como Filme de Terror, acabou ganhando o sutil nome no Brasil de Todo Mundo em Pânico, claro, pegando uma grande carona no filme de terror de maior expressão na época.
—
Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu
(Airplane)
Ainda na área do besteirol, mas voltando no tempo ao longínquo ano de 1980, temos de lembrar de Airplane, a maluca história de um piloto ex-combatente (Robert Hays), que se vê obrigado a assumir os controles do avião quando a tripulação tem problemas por consumir comida contaminada.
Porque ser óbvio era super tendência em 1980, no Brasil o filme ganhou o incrível nome de Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu.
—
Encontro Explosivo
(Knight and Day)
A dobradinha com Tom Cruise e Cameron Diaz é divertida e narra a as aventuras de Roy Miller, agente da CIA que se vê perseguido pela agência ao ser acusado de roubar uma bateria de vida infinita. No meio do caminho encontra June Havens, a mocinha que estará em seu caminho e conquistará seu coração.
O nome original, Knight and Day, faz referência ao personagem de Cruise, num jogo de palavras que somente assistindo ao filme dá pra entender. E não é legal contar e estragar a surpresa. O nome nacional, Encontro Explosivo, é apenas preguiçoso e burocrático. Tudo que o filme não é.
—
Corpo Fechado
(Unbreakable)
Logo depois do sucesso de O Sexto Sentido, o diretor e roteirista M. Night Shyamalan lançou Unbreakable, trabalhando novamente com Bruce Willis, que aqui vive David Dunn, um homem que sobrevive a um acidente de trem sem nenhum arranhão. Tentando entender o que acontece, David acaba descobrindo que faz parte de um grupo muito especial de pessoas.
O nome brasileiro do longa, Corpo Fechado, é pra mim um dos maiores exemplos de como se equivocar ao traduzir um título. Enquanto uma tradução ao pé da letra do original, gerando um Inquebrável, seria perfeita para a história, Corpo Fechado faz alusão à crendices nacionais que nada tem a ver com a história do filme, que não trata do sobrenatural.
—
Separados Pelo Casamento
(The Break-Up)
The Break-Up foi vendido, por ocasião de seu lançamento em 2006, como mais uma comédia romântica. Uma pena, pois a história protagonizada por Jenifer Aniston e Vince Vaughn é um retrato bem humorado de como uma relação pode acabar se desgastando. Acompanhamos na história, como um casal, depois de separado, tem de viver debaixo do mesmo teto e aguentar as atitudes infantis um do outro, que fazem de tudo para irritar o ex-conjuge.
No Brasil, os tradutores ignoraram o sutil Separação e optaram pelo pseudo-engraçadinho Separados Pelo Casamento. O problema é que o filme não é só engraçadinho e tem muito mais a dizer do que o título idiota pode sugerir.
—
MeninaMá.com
(Hard Candy)
Com direção de David Slade e atuações soberbas de Ellen Page e Patrick Wilson, acompanhamos em Hard Candy o embate entre um fotógrafo de 32 anos que marca um encontro pela internet com uma jovem de 14 anos. Num verdadeiro jogo psicológico, vamos acompanhando o terror que se transforma essa história que trata de assuntos como pedofilia, vingança e ódio.
Hard Candy, o título original, expressava bem a idéia da história, que tem em Ellen Page uma protagonista aparentemente doce, mas que durante o filme vai mostrando toda a força da jovem atriz. O nome nacional do longa, MeninaMá.com chega a ser ridículo ao fazer um joguinho idiota de palavras com um endereço qualquer da internet. Ignora a inteligência do roteiro e do expectador.
—
A lista é extensa, mas termino por aqui. E faço a pergunta: o que vocês acham que leva alguém a traduzir de forma, muitas vezes equivocada, o nome de um filme para o português?
A caixa de comentário é de vocês, inclusive para aumentar ainda mais essa lista que, tenho certeza, vai ficar cada vez maior.













