É difícil ser imparcial quando se fala de algo que gostamos. Mais difícil ainda quando falamos de uma das melhores obras do gênero!

Capa da primeira edição de Sandman, lançada nos Estados Unidos, autografada por Neil Gaiman
Sandman foi lançado no Brasil em 1989, pela editora Globo, um ano depois de seu lançamento nos Estados Unidos. Escrito por Neil Gaiman e ilustrada por Dave McKean, Sandman conquistou fãs pelo mundo inteiro desde sua estréia. Fugindo um pouco dos quadrinhos convencionais de super heróis, trazia as histórias de Sonho, o monarca do Sonhar. Sonho é um dos Perpétuos, seres que não são deuses, mas sim entidades que personificam alguns aspectos humanos. Ao lado dele estão seus irmãos Morte, Destino, Desejo, Delírio, Desespero e Destruição.
As histórias, recheadas de referências literárias, históricas, musicais e de ícones da cultura geral, tinham uma atmosfera algumas vezes sombria, outras extremamente oníricas, todas entrelaçadas num universo extremamente complexo e coeso. Sonho, que também era conhecido como Morfeus, Sandman, Oneiros, Oniromante e Lorde Moldador, muitas vezes era personagem secundário em suas próprias histórias. Você podia acompanhar desde os sonhos de um imperador romano até a inspiração que William Shakespeare precisava para escrever a peça Sonhos de uma Noite de Verão.

Sandman, nos traços de Mike Dringenberg & Malcolm Jones III
Outra característica de Sandman era a riqueza de seus personagens secundários. Uma enorme galeria de personagens passaram pelas páginas de cada edição. Personagens históricos (como Júlio César, Marco Polo ou Shakespeare); da mitologia greco-romana (como Orpheus, as Fúrias ou as Musas); do panteão egípcio ou criaturas saídas dos piores pesadelos, não importava. Tudo isso você encontrava em Sandman. Sua irmã, Morte, que em nada lembrava a figura com o manto e a foice na mão, conquistou os leitores e ganhou três edições especiais, “Morte – O Preço da Vida”, “Morte – O Grande Momento da Vida” e “Morte – A Festa”.

Morte, em "O Grande Momento da Vida" - Desenhos de Chris Bachalo
Merecidamente, Neil Gaiman ganhou o maior prêmio do mundo dos quadrinhos, o Eisner Award de Melhor Escritor por quatro anos seguidos, entre 1991 e 1994. Além disso, Sandman ganhou o prêmio de Melhor Série em 1991, 1992 e 1993. Também ganhou o prêmio Harvey de Melhor Escritor em 1990 e 1991 e o de Melhor Série em 1992. Mas o mais importante prêmio que Sandman arrecadou foi com a edição 19, com a história Sonhos de uma Noite de Verão, em 1991. O World Fantasy Award, na categoria Melhor História Curta, foi o primeiro grande prêmio literário dado a uma revista em quadrinhos.
Sandman durou 75 edições, sendo publicado pela editora Globo entre 1989 e 1999. Depois disso, teve várias reimpressões pelas editoras Metal Pesado e Brainstore (não publicaram a série completa), pela editora Conrad (série completa em álbuns encadernados de luxo) e atualmente está nas mãos da editora Pixel, embora esta tenha lançado apenas o primeiro arco no início de 2009 e não lançou mais nenhum número.

Uma versão "infantil" dos Perpétuos, no traço de Jill Thompson. Da esq. para a dir.; Desejo, Desespero, Delírio, Sonho, Morte, Destino e Destruição


