X-Men: Primeira Classe, de Matthew Vaughn

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X-Men: Primeira Classe (X-Men: Fist Class, no original) é o quinto filme baseado nos quadrinhos dos mutantes criados pela Marvel (Sim, X-Men Origens: Wolverine também entra no barco). Entretanto, ele poderia facilmente ser encarado como o primeiro volume de uma saga, já que lançado cinco anos depois de X-Men: O Confronto Final, dá novo fôlego à história, nos apresentando os primórdios de alguns personagens e preparando o terreno de forma magnífica para os acontecimentos vistos na primeira “trilogia”.

É 1963 (depois de um pequeno salto no tempo, onde o jovem Erik Lehnsherr – o futuro Magneto – vê sua mãe ser morta com um tiro apenas para que seus poderes viessem à tona). Acompanhamos as histórias de Charles Xavier, um jovem brilhante com poderes telecinéticos, ao mesmo tempo que Erik Lehnsherr busca sua vingança, atrás de Sebastian Shaw, o homem que matou sua mãe. Utilizando fatos reais como pano de fundo para a trama, nossos personagens acabam sendo utilizados como agentes da CIA, no que parece ser o início de uma possível Terceira Guerra Mundial.

O assunto abordado em X-Men: Primeira Classe, entretanto, é o da aceitação. Assim como nos demais filmes, as mutações genéticas servem como alegorias e metáforas que nos fazem pensar quão cruéis podem ser os humanos com os diferentes, afinal, de acordo com as leis de Darwin, somente os mais aptos sobrevivem. E no mundo de X-Men, os mutantes são o próximo passo da cadeia evolutiva.

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Com personagens conhecidos sendo vistos por um outro ponto de vista, em sua juventude, o filme nos cativa logo de cara. O Charles Xavier interpretado por James McAvoy é um jovem cheio de vida, galanteador e que, assim como sua versão futura, acredita no ser humano. Já o Erik Lehnsherr de Michael Fassbender é um jovem duro e obcecado com a sede de vingança, mas que encontra na amizade com Xavier uma forma de trabalhar seus poderes. McAvoy e Fassbender tinham um grande pepino em suas mãos, já que suas interpretações seriam, logicamente, comparadas às de Patrick Stewart e Ian McKellen, que viveram, respectivamente, Xavier e Magneto nos filmes originais. Entretanto, os atores se saem muito bem, realizando um trabalho à altura e, em muitos momentos, superior. Com um material mais amplo em mãos e tendo toda a história da amizade que um dia uniu os mutantes que, tempos depois, lutariam em lados opostos por objetivos distintos, os atores dão um show.

Apesar dos personagens de McAvoy e Fassbender serem os responsáveis pela trama central, os demais atores e personagens são igualmente carismáticos e interessantes. A Mística, da jovem indicada ao Oscar Jennifer Lawrence, é uma personagem tão bem construída que nos toca com seus passos até a própria aceitação do corpo azul e olhos amarelos. E é interessante notar que a personagem um dia foi a melhor amiga de Charles Xavier, ao mesmo tempo em que teve uma paixonite pelo Fera, vivido aqui por Nicholas Hoult, que antes de ser totalmente azul e peludo, tinha apenas um pé um tanto quanto deformado.

Além disso, para os fãs de Wolverine (e, claro, de Hugh Jackman), há uma sequência divertida envolvendo o personagem, mesmo que a participação seja relâmpago. Mas que arranca gargalhadas da plateia.

O grande vilão da história é realmente Sebastian Shaw, vivido por um acabado Kevin Bacon em interpretação surpreendente. Ouso dizer que esse é o melhor trabalho do ator depois de anos de ostracismo e participações medíocres em outros filmes. Com um bom personagem em mãos, Bacon é o responsável por ser o primeiro a arquitetar o que, eventualmente, será o objetivo de vida de Magneto: um mundo onde os mutantes seriam a raça dominante.

Com momentos bem humorados e de ação, o filme peca apenas em algumas sequências onde os efeitos especiais são um tanto quanto amadores. Na verdade, num filme tão bom, a gente até releva, mesmo tendo vergonha alheia quando vemos um “submarino” sendo jogado sobre uma ilha e as palmeiras sendo destruídas, quase como se a sequência inteira tivesse sido feita por adolescentes no computador de seu quarto.

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Quando os créditos começam a subir, a sensação que toma quem acabou de assistir a X-Men: Primeira Classe é a de curiosidade. Mesmo sabendo como aquela história irá se desenrolar no futuro, temos a vontade de continuar acompanhando aqueles dois grupos específicos que acabaram de ser formados. E, levando-se em consideração o sucesso do filme, nos EUA e no resto do mundo, não tenham dúvidas: uma nova aventura da Primeira Classe dos heróis da Marvel certamente chegará aos cinemas. É só uma questão de tempo, podem apostar!

Chuva de Arroz, com Carine Climeck

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Que a maioria das mulheres tem o sonho de se casar é inegável. Várias tramas e histórias giram em torno de noivas e seus mil preparativos para o grande dia, quando tornam-se personagens principais – nem que seja por alguns momentos – de um grande evento. Noivas largadas no altar, em fuga por não terem certeza se é isso o que querem, finais felizes – já vimos tudo isso na ficção (e na vida real). Agora, uma noiva que, traída, invade uma rádio faltando uma hora para seu casamento, rende os funcionários e entra no ar em busca de um novo noivo é novidade. E é o tema de Chuva de Arroz, um delicioso monólogo com a jovem e promissora atriz Carine Climeck.

Aos poucos, durante a peça, vamos conhecendo um pouco sobre a história de Luiza. Às vésperas de seu casamento, graças a uma desconfiança, a noiva pega o celular de seu futuro marido e descobre que está sendo traída. Revoltada, manda o dito cujo para um cativeiro e passa o dia de noiva normalmente, com seus mil preparativos, até que faltando uma hora para a cerimônia, invade uma rádio próxima à igreja, toma às rédeas da programação e, ironia das ironias, vira uma espécie de celebridade moderna. O final da peça, por exemplo, é ótimo, com uma bela sacada para tempos como os nossos, em que a fama efêmera é tão almejada.

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Carine Climeck está EXCELENTE no papel de Luiza. Divertida, com mil caras e bocas, nos convence de seu desespero e desequilíbrio. Cada vez que o telefone tocava e ela atendia arrancava mil gargalhadas da plateia. Assim como quando, entre uma música e outra, voltava a se dirigir aos ouvintes, com todo seu traquejo de apresentadora de rádio. Os momentos hilários são muitos e, apesar de sozinha em cena, Carine não perde o timming em momento algum.

Com uma montagem simples, Chuva de Arroz é um programa ótimo para se fazer a dois ou com bons amigos.

Agora, se liga porque a temporada (curtíssima) está em seu final, pelo menos no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro. Até segunda ordem, é possível ver a peça apenas até o domingo, dia 15/05. Corra, aproveite os ótimos preços e se divirta.

A Rede Social, de David Fincher

rede social cartaz A Rede Social, de David Fincher

Você, provavelmente, conhece o Facebook. Pode ser que você não esteja conectado à rede social mais famosa do mundo mas, partindo do pressuposto que você se interessou por essa resenha, está na internet e me lê, creio que está familiarizado com o que essa rede social representa atualmente. Hoje em dia, a frase ‘Quem é você no Facebook?’ pode ser bastante emblemática.

Baseado no livro Bilionários Por Acaso, de Ben Mezrich, o filme A Rede Social (The Social Network, no original), de David Fincher mergulha na história da criação do Facebook, nos levando a acompanhar os passos de Mark Zuckerberg (o impressionante Jesse Eisenberg), um gênio da universidade de Harward. O jovem rapaz é o protagonista absoluto do longa, que mostra as batalhas judiciais em que ele acabou envolvido com seu ex-sócio, o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), e com os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (ambos vividos pelo ator Armie Hammer).

rede social2 570x377 A Rede Social, de David Fincher

Depois de levar um fora da sua namorada, Mark acaba criando um site de avaliação de mulheres dentro do campus de Harward, que se transforma num sucesso e acaba derrubando a rede da universidade em apenas 4h no ar. Por causa disso, Mark é procurado pelos gêmeos Winklevoss, que o convidam para trabalhar de programador num site de relacionamento interno de Harward. Nesse meio tempo, Mark aperfeiçoa a idéia e lança, junto com Eduardo, o thefacebook.com, que mais tarde seria o site que conhecemos.

Dono de uma inteligência fascinante e de um universo todo próprio, Mark é, ao mesmo tempo, interessante e repulsivo. Ele não sabe lidar com as pessoas, tem o hábito de falar sempre o que pensa e parece viver dentro de uma lógica só sua. Entretanto, um cara com apenas um único amigo (Eduardo, que deixaria de sê-lo, depois de ser ‘traído’ por Mark) criou o maior site de relacionamento do mundo.

Quando o Facebook começa a crescer, ganhando terreno fora de Harward e chegando a outras universidades, surge Sean Parker (Justin Timberlake). Pintado no filme como um oportunista, é interessante ver o trabalho de Justin Timberlake dando vida ao criador do Napster, um personagem que chega, literalmente, para desestruturar a relação dos amigos que criaram o Facebook.

rede social 570x427 A Rede Social, de David Fincher

David Fincher nos entrega um filme delicioso, cheio de diálogos rápidos e com mil referências, que nos prendem de tal forma que, quando nos damos conta de que o filme está terminando, é inevitável pensar: ‘Mas já?’.

O bom de uma obra baseada em fatos reais é ficar tentando descobrir o que ali é realmente verdade e o que é ficção. Pelo menos no meu caso, ficou uma dúvida em relação a vários fatos, algo como ‘será que a história aconteceu realmente assim?’. O que, segundo palavras do próprio Eduardo Saverin, realmente acaba não tendo muita importância, já que ele disse, num artigo sobre o filme que narra sua própria vida: “(…) o que eu recolhi ao ver A Rede Social foi maior e mais importante do que se as cenas e detalhes incluídos no roteiro eram precisos. Afinal, o filme foi claramente destinada a ser o entretenimento e não um documentário baseado em fatos. O que mais me impressionou não foi o que aconteceu – e o que não – e quem disse o quê a quem e porquê.(…)”

Legal também foi ver que, apesar de todo o sucesso, todo o dinheiro e toda a projeção que o Mark Zuckerberg do filme alcançou, no final, o que ficou foi a ansiedade dele, ao apertar seguidas vezes a tecla F5 para ver se Erica, a namorada do início do longa, aceitou sua solicitação de amizade no Facebook. Afinal, o que adianta ser o criador da maior rede de relacionamento do mundo, com mais de 500 milhões de membros, se você ainda não superou um pé na bunda?

No geral, A Rede Social entra para o meu TOP  04 melhores fiilmes de 2010, ao lado de A Origem, Toy Story 3, e Tropa de Elite 2. Ou seja, não tenha dúvidas: ASSISTA!

E, quem sabe, não descola algum amigo para adicionar no Facebook na fila ou  na saída do cinema? #FicaDica

Avatar, o sucesso de James Cameron

avatar Avatar, o sucesso de James CameronJames Cameron, o criador de Titanic - considerado até então o filme com maior arrecadação do cinema – ficou fora de Hollywood, para conseguir lançar nas telas o seu grande sonho futurista, Avatar! Um trabalho tão grandioso quanto a gasto para produzí-lo.

James Cameron trabalhou no desenvolvimento de Avatar desde 1994, sendo esse seu primeiro filme depois de Titanic, o que não é para menos, já que Avatar é o filme mais caro da história. Segundo Cameron, foram gastos cerca de 500 milhões de dólares para a sua produção.

Assim que estava saindo do cinema, fiquei escutando comentários alheios sobre o filme, em que todos falavam sobre a magnitude de toda aquela produção gráfica. Realmente, aquilo tudo era inovação, mas o que me deixou mais intrigado foi a criatividade de Cameron ao apresentar um “novo planeta” cheio de detalhes.

Sempre vemos filmes onde alienígenas invadem o planeta Terra em busca de “nossas riquezas”. Mas Cameron mostrou exatamente o contrário, onde os terráqueos invadem o planeta Pandora onde vivem os Na’Vi, uma civilização armada apenas com a sua coragem, união e amor ao seu planeta.

A invasão humana em Pandora se dá pela busca de um minério chamado Unobtanium. Essa invasão é comandada por uma empresa mineradora que vai  ao planeta em busca de idéias econômicas. Em uma dessas expedições entra em cena Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro naval que tem a missão de conhecer a cultura Na’Vi, como também as riquezas do planeta Pandora. Para ter a confiança da população Na’Vi, conhecemos os avatares (corpos Na-Vi projetados com a mis­tura de DNA humano com os nati­vos do planeta). Em busca de conhecer essa cultura, Jake Sully se apaixona pela bela Neytiri (Zoe Saldana), uma guerreira Na’Vi e também pelo planeta Pandora. Então começa o “drama” em que ele tem que escolher um lado para lutar.

Posso dizer que Avatar é de uma beleza surreal  em todos os detalhes na linguagem, nas cores. Tudo está devidamente atrelado à idéia mitológica criada pelo filme. Falando nisso, tenho que destacar “Eywa” como é chamada a grande mãe natureza, no filme. É atra­vés dela que o herói é aceito pelos Na’vi, já que esta o sal­vara por ter um cora­ção puro.

Também é de impres­si­o­nar a riqueza de cada deta­lhe poten­ci­a­li­zada em clo­ses, como expressões faci­ais sutis, linhas de rostos, a refle­xão e absor­ção de luz na pele, o escor­rer de lágri­mas.

São 166 minutos de um filme eletrizante em que você se prende a cada momento com detalhes surpreendentes. E se você é ainda um louco que não assistiu a essa obra de arte que é Avatar, corra pro cinema para entender porque ele foi indicado em nove categorias para o Oscar desse ano.

Por Marcio Lourenço, que adora dar os seus pitacos no Twitter!

Ninja Assassino – Conferimos o filme em primeira mão!

ninja assassino Ninja Assassino   Conferimos o filme em primeira mão!

Ninja Assassino definitivamente não é para todos os gostos. Vou mais além. Ninja Assassino é um filme produzido para meninos que adoram videogames violentos e não se importam muito com um roteiro consistente e com personagens bem desenvolvidos. Infelizmente esse não é o meu caso.

Dirigido por James McTeigue, do excelente V de Vingança, esse filme narra a história de Raizo, um dos assassinos mais mortais do mundo, em busca de vingança contra o Clã que o criou. Junto desse fiapo de história, temos várias outras subtramas que tentam dar ao filme um pouco de profundidade sem obter muito sucesso, como por exemplo o treinamento de Raizo quando ainda era uma criança, sua primeira paixão e uma pesquisadora de uma agência do governo tentando descobrir a verdade sobre os ninjas. Tudo muito chato e desnecessário, afinal de contas, o que realmente importa em um filme como Ninja Assassino são as cenas de luta e elas não decepcionam.

Apesar da fotografia escura demais e do excesso de sangue digital, as lutas impressionam pela sua consistência e dificuldade. Em alguns momentos, os ninjas se movem tão rápido que você só percebe o que aconteceu quando as partes do corpo se soltam do todo. Merece destaque também o ator principal que é um exímio lutador e com o seu olhar enigmático e sua falta de expressão convence até nos momentos mais absurdos.

É uma pena que o roteiro do quase sempre competente J. Michael Straczynski insista em não fazer o menor sentido e o que é mais absurdo, não se preocupe em desenvolver nenhum personagem e também não crie ninguém profundo o suficiente para que o público possa se identificar. Outro defeito do filme é dar superpoderes aos ninjas. A destreza do Clã Ozunu já era o suficiente, eles não precisavam de super velocidade, aderência às paredes e poder de cura. Esses poderes tiram muito do impacto que ninjas treinados desde de criança deveriam causar.

No fim das contas o saldo do filme é positivo, mas não assistiria ele novamente. Vale o ingresso? Sim, mas somente se você não estiver muito ocupado com outras coisas. Vá ao cinema sem esperar muito, chame os amigos, compre um baldão de pipoca, desligue o cérebro e divirta-se com os ninjas modernos.

O filme estreia oficialmente nos cinemas no dia 05/02/2010.

Por Michael Oliveira, do Blog NaTV