2 Coelhos, de Afonso Poyart

2Coelhos Cartaz 2 Coelhos, de Afonso Poyart

Mesmo tendo gostado de alguns filmes nacionais nos últimos tempos, sempre fico com um pé atrás antes de sentir vontade de assisti-los. E com 2 Coelhos não foi diferente. Mesmo que muita gente tenha comentado sobre sua qualidade e narrativa um pouco mais incomum, só decidi parar para ver depois do anúncio de que deve ganhar uma versão americana. Não que isso seja necessariamente relevante, mas criou uma curiosidade maior sobre a história. E o que posso dizer é que fico feliz que tenha acontecido, já que a trama dirigida por Afonso Poyart surpreende positivamente.

Por não ter uma noção muito grande de qual era a premissa da história, foi fácil ficar interessada na vida de Edgar (Fernando Alves Pinto) e tentar decifrar e encaixar as peças apresentadas ao longo do filme. Embora soubesse que essa era sua tentativa de vingança/redenção, se é que se pode chamar assim, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a sensação de não conseguir adivinhar o que estava por vir em alguns momentos. Claro que não conseguiu fugir de alguns clichês, mas em meio a corrupção e criminalidade, gostei de não ter visto engajamentos óbvios e didáticos.

Seguindo recortes da vida do protagonista, a história conta com recursos que não costumam estar presentes em produções brasileiras. Em alguns momentos, fiquei um pouco apreensiva com a possibilidade de acabar me perdendo, mas isso não aconteceu em nenhum momento.

Sem precisar se apoiar apenas em personagens puramente carismáticos como é comum (e não um desmérito, na verdade), todo enredo é ágil, alternando diferentes percepções. Não é como se fosse possível ficar preso apenas a uma pessoa e torcer por ela, por exemplo. Demora até que fique claro quem é digno de torcida, por assim, dizer, o que não necessariamente indica que exista uma definição maniqueísta. Pelo contrário, mesmo com o final, fica difícil saber quem é herói e quem é vilão. A linha tênue que divide as duas coisas é bastante explorada, mas, de novo, sem cair no risco de um simples conto de fadas.

Simples, talvez seja justamente uma palavra chave para o filme. Sua narrativa não é simples, seus cortes não são simples, suas personalidades não são simples. Ainda assim, quando tudo se junta, o objetivo final é sim recheado de simplicidade. E isso deixa um gosto meio amargo, meio de admiração. Quase dando vontade de voltar ao começo, para rever a trama com novos olhos, agora tendo consciência de onde vai levar.

Tenho muitas dúvidas sobre o que pode acontecer se for mesmo transformado em um remake hollywoodiano, mas gosto de saber que conseguiu chamar atenção além do eixo Selton Mello/Wagner Moura de produções nacionais. Isso apenas comprova que ainda existem muitas histórias que merecem ser contadas, e que o cinema brasileiro pode seguir por caminhos diferentes, com a mesma qualidade.

Não sei se posso dizer que está na minha lista de produções favoritas até hoje, mas sem dúvida foi parar na lista de ‘Por que eu não vi isso antes?’.

Os Vingadores, de Joss Whedon

Vingadores LINDO Os Vingadores, de Joss Whedon

“Loki is a full tail Diva.”

É preciso alguma petulância e coragem para se dar ao luxo de brincar com uma franquia de potencial estrondoso. E, correndo o risco de parecer exagero, Joss Whedon fez isso com maestria em Os Vingadores, recém lançado. Com diálogos rápidos e nenhum medo de ser feliz (e dramático, quando necessário), a adaptação dos quadrinhos é tudo o que esperava, e muito mais.

Juntar Capitão América, Homem de Ferro, Viúva Negra, Thor, Gavião Arqueiro e Hulk em um só filme já seria sinônimo de muito potencial. Mas é incrível perceber o quanto os personagens conseguiram funcionar bem juntos. Mesmo que Tony Stark parecesse reinar nas imagens de divulgação, existiu um certo equilíbrio entre eles ao longo da história, e isso é algo digno de elogios – que por sinal, vão aparecer muito ao longo deste texto.

Minha primeira reação ao sair do cinema foi pensar que precisaria voltar e assistir de novo. E de novo. E de novo. Prefiro não entrar em detalhes sobre a história, já que grande parte da graça está em descobrir por si só os caminhos que levam a essa reunião, por isso, basta dizer que mesmo com 2h10, mal é possível perceber o tempo passar. Sabe aquelas tramas que demoram a se desenrolar, que ficam numa eterna introdução, pra ao final ter 5 minutos de ação incrível? Isso nem de longe acontece em Avengers. Claro que existem períodos de alguma calmaria, mas sempre com uma certa pressa . O ritmo acelerado prende atenção, já que não se sabe exatamente quando tudo vai dar errado, ou como vai dar errado.

Talvez um dos méritos esteja no vilão Loki e sua quase simpatia imprevisível. Sabemos um pouco sobre seu histórico, temos conhecimento de uma invasão alienígena, mas qual será seu próximo passo? Qual é seu objetivo? Essa agradável dúvida aparece em diversos momentos, deixando aquela sensação de que nem vamos nos importar muito se for algo ruim, já que pelo menos serviu para reunir os protagonistas.

A dinâmica entre os heróis, por sua vez, também é deliciosa de acompanhar. A prepotência, vontade de ter um plano previamente desenhado, o desejo de honra, tudo está ali, em pessoas diferentes que não sabem como agir em grupo, e acabam precisando descobrir. São personalidades únicas, admiráveis a seu modo, tendo a necessidade de ceder e até mesmo de aprender uns com os outros. Fosse isso feito de uma maneira equivocada, teria grandes chances de se tornar motivacional e brega, mas o roteiro não cai nessa armadilha em nenhum momento. Mesmo que Stark e Bruce Benner pareçam se dar bem, por exemplo, eles não viram necessariamente BFF’s, sempre com possibilidade de conflitos.

Falando no médico que se transforma em Hulk, será que sou a única a desejar um filme próprio com Mark Ruffalo o quanto antes? Já sabia que existiam muitos elogios para o personagem, mas apenas depois de assistir é possível entender a dimensão de seu carisma.

Ruffalo Hulk1 Os Vingadores, de Joss Whedon

De todos, apesar de meu amor eterno por Robert Downey Jr e seu Tony, Rufallo e Benner foram meus preferidos. Não lembro de ter visto longa com Edward Norton, de 2008, mas me parece difícil conseguir equilibrar a mesma calma e sarcasmo do texto de Whedon. Na verdade, acho que o sarcasmo e a ironia presentes em todo este filme é algo que não vai se repetir tão facilmente em outra produção do tipo.

Ok, sei que estou sendo levemente grudenta ao falar do enredo, mas realmente parece justo enchê-lo de elogios. Como conheço pouco dos quadrinhos, conversei com alguém que acompanha as HQ’s, e fiquei feliz em descobrir que não existiu nenhum ‘desrespeito’, que pudesse dividir opiniões como em Wolverine, por exemplo, e isso também é um grande mérito.

De qualquer forma, acho que estou meio cega de amor, então não conseguiria apontar nenhum defeito. Foram poucas as vezes que saí de uma sessão com orgulho de um longa, sabendo que superou expectativas e que conseguiu se manter despretensioso apesar dos riscos corridos. Seria fácil misturar apenas milhões de efeitos especiais – também importantes -, e esquecer da trama, mas isso não acontece. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre ver ou não, roubo uma frase que vi muitas pessoas dizendo nos últimos 2 dias: Pare tudo o que estiver fazendo agora, e vá assistir Os Vingadores. 

Ps. Somos todos adeptos da lojinha de torrent, mas esse é um filme que merece ser assistido no cinema.

Millenium – A Menina Que Brincava Com Fogo, de Stieg Larsson

Menina Fogo Millenium   A Menina Que Brincava Com Fogo, de Stieg Larsson

Passada toda fama súbita em torno de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, finalmente senti vontade de conhecer o resto da história de Lisbeth Salander. Com menos expectativa para esse segundo volume da coleção Millenium, acho que acabou se tornando mais fácil gostar do enredo de Stieg Larsson, pelo menos no começo.

A Menina Que Brincava com Fogo meio que divide minha opinião. Em primeiro lugar, é absolutamente decepcionante que a descrição de sua sinopse entregue o enredo de bandeja. Não existe frustração maior do que não poder apenas imaginar para onde a história vai caminhar, já que tudo já foi explicado antes. Por contar com uma longa introdução até chegar ao eixo principal, acaba sendo chato ficar se perguntando quando tudo vai acontecer, quando vai começar. Fosse mais singela a descrição presente na capa, talvez o prazer da descoberta fosse diferente, mais simples.

Apesar disso, o início acaba sendo por vezes mais atraente do que a trama que desenrola mais pra frente. Ao contrário do primeiro livro em que Mikael Blomkvist tem mais destaque, é Lisbeth quem se torna o principal destaque, e isso não poderia ser melhor.

A personagem consegue ser tão fascinante quanto possível. Embora a trilogia se foque em conspirações e violência, é ela quem segura o enredo. Existe toda uma atmosfera de mistério, de desejo de que ela consiga se encontrar, que é instigante. Ao mesmo tempo que suas atitudes são diferentes das ‘comuns’, também fazem questionar o que é normal ou não, deixando um rastro de admiração por tudo que consegue fazer, mesmo que não sejam apenas ações louváveis.

O problema pra mim, apesar de realmente ter gostado da narrativa inicial, é que a protagonista acaba se tornando mal aproveitada. Não ela, necessariamente, mas a história que é construída ao seu redor. Quando a trama de tráfico de mulheres foi apresentada, fiquei curiosa sobre qual seria sua relação com o caso, mas quando isso começa a ficar claro, soa forçado, irreal, absurdo demais.

Claro que tramas de ficção não têm a menor obrigação de ser coerentes com a realidade, mas pesar a mão apenas no ‘acaso’ dos acontecimentos é difícil de comprar. E é isso que acontece com o enredo depois de um determinado ponto. Contar apenas com reviravoltas e peças do destino é superficial demais, e acredito que desnecessário aqui, já que a riqueza dos personagens poderia ser melhor explorada do que dependendo apenas de coincidências improváveis.

Improváveis, mas ao mesmo tempo também previsíveis – alguém ainda se surpreendeu com a verdadeira identidade de Zala? – em alguns momentos. Com isso, o impacto dos acontecimentos não foram tão bons quanto poderiam. A explicação sobre “Todo Mal” foi particularmente decepcionante nesse sentido. Imaginei mil possibilidades mais chocantes, não sei. Devo ter uma mentalidade mais trágica ou cética, mas não considerei o passado de Lisbeth tão abominável assim. E a parte da inteligência ter escondido mil segredos também não me interessou tanto.

Ainda assim, mantenho meu interesse pela história. O gancho que deve ser resolvido em A Rainha do Castelo de Ar não é do tipo que causa ansiedade eterna, mas o apego pela protagonista o torna importante. Fico com um pouco de medo sobre como as coisas podem ser encerradas no último volume, mas como a narrativa de Stieg é agradável em grande parte das páginas, acredito que pelo menos o caminho até chegar ao final vai valer a pena.

A Arma Escarlate, de Renata Ventura – Uma Segunda Opinião

Arma Escarlate A Arma Escarlate, de Renata Ventura   Uma Segunda Opinião

Quando eu ouvi falar pela primeira vez em A Arma Escarlate, logo pensei: “Ah, que ridículo, uma cópia barata de Harry Potter!” Mas logo começaram a pipocar pela Internet dezenas de resenhas maravilhosas sobre o livro, e eu resolvi dar uma chance para ele. Comprei. Qual não foi minha surpresa: o livro é fantástico! Nunca minha boca caiu tão rápido. Nunca tive que me retratar tão rapidamente. Nunca um livro brasileiro me empolgou tanto!

A Arma Escarlate, apesar de fazer discretas e divertidas referências à obra de J.K. Rowling, é um livro extremamente diferente, original, criativo e empolgante. Recomendo a todos os brasileiros, sem exceção. Mesmo aos que não gostam de Harry Potter ou de livros de fantasia em geral.

E vou dizer o porquê: o livro de Renata Ventura não fica preso apenas à magia. Muito pelo contrário. Há muito mais realidade do que fantasia em ‘A Arma Escarlate’. E essa é uma das maiores qualidades do livro: ele realmente nos faz PENSAR! Ele fala de drogas, de racismo, de desigualdade social, de violência, de abandono, de insegurança, de corrupção, de preconceito cultural, de criminalidade, de abuso de autoridade… fala de MUITA COISA! E tudo de uma forma super agradável, que nos faz pensar nos problemas do Brasil enquanto nos divertimos, nos espantamos, nos emocionamos com as ações, decisões e dilemas dos personagens principais. Um livro absolutamente lindo de se ler.

A Arma Escarlate conta a história de Hugo, um menino que vive na favela Santa Marta, no Rio de Janeiro. Hugo mora com a mãe e a avó em uma situação precária, sob constantes ameaças de Caiçara, braço direito do chefe do tráfico no morro.

E aqui começa uma das grandes diferenças entre A Arma Escarlate e Harry Potter: Quando Hugo descobre ser bruxo, ele vê nisso uma oportunidade para derrotar seu maior inimigo e para se salvar da situação insustentável em que se meteu.

Isso já o torna completamente diferente de Harry. Enquanto Harry inicialmente vê na magia uma curiosidade, Hugo a encara como sua única chance de sobrevivência. Em outras palavras: enquanto Harry vê a varinha como ferramenta, Hugo a vê como uma arma. E isso faz toda a diferença na trama.

Hugo é um personagem extremamente rico e complexo. Apesar de ter vivido a infância inteira em meio à violência, ele não se deixa transformar em simples vítima. Ele sempre precisou ser esperto para sobreviver, ser ambicioso, às vezes pensar em si mesmo antes de pensar nos outros. Só por isso ainda está vivo, mas também por isso, acaba levando sua realidade junto com ele para o mundo mágico.

É então que entra outra maravilha do livro: a comunidade bruxa brasileira. Que diferença para a comunidade britânica! A escola Nossa Senhora do Korkovado não poderia ser mais oposta à Hogwarts. Desorganização, falta de verba, corrupção, professores e alunos faltosos… uma maravilha. Lembra alguma coisa? Pois é. Escolas públicas não são sempre uma beleza no Brasil.

A Arma Escarlate é um livro que merece muito ser lido, pois imagino que haja poucas obras nacionais que tenham criado um universo ficcional tão rico e que, ao mesmo tempo, explorem a realidade tão profundamente.

Eu poderia ficar aqui o dia inteiro falando das qualidades desse livro: dos personagens multifacetados e apaixonantes, das situações que me deixaram de queixo caído e de coração na mão… dos momentos em que eu chorei e sofri lendo o livro… das risadas que eu dei… de tanta coisa, que acho melhor parar por aqui.

Leiam por vocês mesmos. Tomem suas próprias conclusões. Mas, sobretudo, leiam de mente aberta! (Já vi algumas pessoas criticando o livro por se passar no Brasil! Vê se pode! Quer país mais mágico do que o nosso?!)

colaboração dos leitores Miguel Ferraz e Gabriel Moreira

No final do ano passado, o Sem Tédio publicou a primeira opinião sobre A Arma Escarlate, de Renata Ventura, em resenha escrita por Leandro Faria. Agora, à pedido da autora, um novo espaço foi aberto para que outros leitores pudessem opinar sobre a obra, apresentando um ponto de vista diferente. Dessa forma, fica por sua conta apostar ou não na leitura do livro, e decidir com qual dos dois textos se identifica mais.

Sete Dias Com Marilyn, de Simon Curtis

Week Marylin Sete Dias Com Marilyn, de Simon Curtis

Confesso nunca ter assistido nenhum filme com Marilyn Monroe, porém, conheço sua figura mítica tanto quanto possível. Por isso, quando soube do projeto de “Sete Dias Com Marilyn”, logo imaginei que essa seria a chance de descobrir se sentiria vontade de ir atrás de sua obra ou não. E, depois de assistir ao filme, acho que minha curiosidade aumentou consideravelmente, embora tenha me frustrado por não poder conhecê-la melhor.

Contando com Colin Clark (Eddie Redmayne) como protagonista, a história tem Marilyn como principal eixo, narrando a relação do jovem assistente de produção com aquela que se torna sua musa durante as gravações de O Príncipe Encantado na década de 50. Sua presença, no entanto, não é como a de uma biografada – cujos passos podem ser decifrados e acompanhados o tempo todo – se assemelhando mais a um alvo, que mantém sempre um certo mistério e misto de aproximação e distância. Baseada em livro escrito pelo próprio Clark, a trama prende atenção, mas deixa a sensação de que ainda existe muito mais a ser contado. Especialmente por que, ao ter Colin como principal ponto de vista, não prioriza outras figuras importantes, como o premiado ator e diretor Laurence Oliver, pouco aprofundado e principalmente Vivien Leigh, a eterna intérprete de Scarlet O’Hara, aqui interpretada por Julia Ormond.

Claro que por não serem o principal destaque do enredo, isso em nada atrapalha o entendimento. Apenas reforça a ideia de que Marilyn precisa de um filme apenas dela, do início ao fim, que explique os motivos pelos quais age da maneira como foi apresentada pelo filme. Tanto que uma de minhas principais dúvidas aqui é saber se gosto e admiro a atriz, ou se a considero uma diva mimada. A princípio, ela parece insegura e guiada por pessoas que talvez não a entendessem direito, mas não acho possível entendê-la apenas através dos poucos dias com Colin, e essa é minha principal ressalva.

Tentando deixar de lado desejos pessoais (e esperanças de uma cinebiografia completa), a produção é até divertida de assistir, por que cria uma espécie de expectativa sobre o momento em que Colin vai se apaixonar e se envolver com Monroe, já que inicialmente começa a sair com Lucy (Emma Watson). É interessante perceber o quanto seu olhar parece mudar à medida em que se aproxima do mito, e o quanto se mantém encantado, mesmo quando ela parece tentar ser apenas Norma Jean.

Sete Marylin Sete Dias Com Marilyn, de Simon Curtis

Na verdade, não sei se acredito 100% nas angústias de Marilyn o tempo todo, até por que suas motivações permanecem incógnitas. Existe uma inconstância em sua maneira de agir que é intrigante. E Michelle Williams está absolutamente perfeita no papel. Pensando em seu começo de carreira ainda na série Dawson’s Creek, não imaginava que pudesse personificá-la de maneira tão natural. Os trejeitos delicados, com uma sensualidade displicente e calculada, tudo leva a acreditar que outra pessoa não poderia tornar a personagem tão real quanto ela. E, novamente, isso me deixa com uma grande vontade de vê-la num longa que seja apenas seu. Podendo ser a Marilyn fora do olhar de Clark.

Acho que isso talvez tenha sido mesmo o que mais me incomodou no filme. Ao contrário do que eu esperava, não existe uma desmistificação de MM. O que acontece é apenas a exploração de como sua imagem costumava afetar as pessoas na época, neste caso, focando em Colin. Não é como se fosse uma história ruim e dispensável, mas também não consegue ser mais do que apenas um pedaço que precisa de um quebra cabeça em que se encaixar. E ao final do filme, isso faz falta.

Por outro lado, como mencionado no começo, o longa me incentivou a tentar conhecer um pouco mais de sua carreira, pra tentar entender por que parecia tão fascinante. Mesmo que esse não deva ser o objetivo, acredito que seja um ponto positivo.

Dessa forma, My Week With Marilyn parece válido como uma introdução, uma porta de entrada para o universo que permeava a carreira da atriz. Entretanto, uma experiência meio frustrante para quem gostaria de acompanhar mais do que apenas uma semana de sua vida. Pensando no título, reconheço a incoerência de reclamar por isso, mas antes de acompanhar 7 dias do universo de Marilyn, eu não sabia que gostaria de conhecer mais do que isso.