Divulgada Lista de Ganhadores do Oscar 2012

2012 Oscar Divulgada Lista de Ganhadores do Oscar 2012

Principal premiação do cinema, o Oscar realizou sua 84ª edição na noite deste domingo, 26 de fevereiro, nos EUA. Apresentado pela nona vez por Billy Crystal, foram poucas as surpresas do evento.

Contando com pouco mais de 3 horas de duração, um dos grandes destaques da cerimônia foi o filme A Invenção de Hugo Cabret. Com 11 indicações, o longa de Martin Scorcese levou 5 prêmios, dominando parte das categorias técnicas. Enquanto isso, O Artista consolidou o sucesso alcançado ao longo da temporada de premiações, vencendo como melhor figurino, trilha sonora, melhor direção, melhor ator e ainda como melhor filme. Já o único representante brasileiro – a animação Rio que concorria com melhor canção – foi vencido pelos Muppets.

Confira abaixo à lista de indicados e seus respectivos ganhadores em destaque:

Melhor Filme

  • “A Árvore da Vida”
  • “Os Descendentes”
  • Histórias Cruzadas
  • “A Invenção de Hugo Cabret”
  • “O Homem Que Mudou o Jogo”
  • “Cavalo de Guerra”
  • O Artista” *VENCEDOR
  • Meia-Noite em Paris
  • “Tão Forte e Tão Perto”

Melhor Direção

  • Woody Allen – “Meia-Noite em Paris
  • Michel Hazanavicius – “O Artista” *VENCEDOR
  • Alexander Payne – “Os Descendentes”
  • Martin Scorsese – “A Invenção de Hugo Cabret”
  • Terrende Malick – “A Árvore da Vida”

Melhor Ator

  • Demián Bichir – “A Better Life”
  • George Clooney – “Os Descendentes”
  • Jean Dujardin – “O Artista” *VENCEDOR
  • Gary Oldman – “O Espião Que Sabia Demais”
  • Brad Pitt – “O Homem Que Mudou o Jogo”

Melhor Atriz

Melhor Ator Coadjuvante

  • Christopher Plummer – “Toda Forma de Amor” *VENCEDOR
  • Jonah Hill – “O Homem Que Mudou o Jogo”
  • Kenneth Branagh – “Sete Dias com Marilyn”
  • Nick Nolte – “Guerreiro”
  • Max von Sydow – “Tão Forte e Tão Perto”

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor  Animação

  • “Um Gato em Paris”
  • “Chico & Rita”
  • “Kung Fu Panda 2″
  • “Gato de Botas”
  • “Rango” *VENCEDOR

Melhor  Filme Estrangeiro

  • Bélgica – “Bullhead” – Michael R. Roskam
  • Canadá – “Monsieur Lazhar” – Philippe Falardeau
  • Irã – “A Separação” – Asghar Farhadi *VENCEDOR
  • Israel – “Footnote” – Joseph Cedar
  • Polônia – “In Darkness” – Agnieszka Holland

Melhor Roteiro Original

Melhor Roteiro Adaptado

  • Os Descendentes (Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash) *VENCEDOR
  • A Invenção de Hugo Cabret (John Logan)
  • O Homem que Mudou o Jogo (Steven Zaillian e Aaron Sorkin)
  • Tudo pelo Poder (George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon)
  • O Espião que Sabia Demais (Bridget O’Connor e Peter Straughan)

Melhor Fotografia

  • O Artista – Guillaume Schiffman,
  • Os homens que não amavam as mulheres – Jeff Cronenweth
  • A Invenção de Hugo Cabret – Robert Richardson *VENCEDOR
  • A Árvore da Vida – Emmanuel Lubezki
  • Cavalo de Guerra – Janusz Kaminski

Melhor Direção de Arte

Melhor Figurino

  • Anonymous – Lisy Christl
  • O Artista – Mark Bridges *VENCEDOR
  • A Invenção de Hugo Cabret – Sandy Powell
  • Jane Eyre – Michael O’Connor
  • W.E. – Arianne Phillips

Melhor Documentário

  • Hell and Back Again – Danfung Dennis e Mike Lerner
  • If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front – Marshall Curry e Sam Cullman
  • Paradise Lost 3: Purgatory – Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
  • Pina – Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
  • Undefeated – TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas *VENCEDOR

Melhor Curta de Documentário

  • The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement – Robin Fryday e Gail Dolgin
  • God is the Bigger Elvis – Rebecca Cammisa e Julie Anderson
  • Incident in New Baghdad – James Spione
  • Saving Face – Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy *VENCEDOR
  • The Tsunami and the Cherry Blossom – Lucy Walker e Kira Carstensen

Melhor Montagem

  • O Artista – Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
  • Os Descendentes – Kevin Tent
  • Os homens que não amavam as mulheres – Kirk Baxter e Angus Wall *VENCEDOR
  • A Invenção de Hugo Cabret – Thelma Schoonmaker
  • O Homem que mudou o jogo – Christopher Tellefsen

Melhor Maquiagem 

  • Albert Nobbs – Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 – Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin
  • A Dama de Ferro – Mark Coulier e J. Roy Helland *VENCEDOR

Melhor Trilha Sonora Original

  • Tintin – John Williams
  • O Artista – Ludovic Bource *VENCEDOR
  • A Invenção de Hugo Cabret – Howard Shore
  • Tinker Tailor Soldier Spy – Alberto Iglesias
  • Cavalo de Guerra – John Williams

Melhor Canção

  • “Man or Muppet” – THE MUPPETS – música e letra por Bret McKenzie *VENCEDOR
  • “Real in Rio”- RIO – Música por Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra por Siedah Garrett

Melhor Curta de Animação

  • Dimanche/Sunday – Patrick Doyon
  • The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore – William Joyce e Brandon Oldenburg *VENCEDOR
  • La Luna – Enrico Casarosa
  • A Morning Stroll – Grant Orchard e Sue Goffe
  • Wild Life – Amanda Forbis and Wendy Tilby

Melhor Curta

  • Pentecost – Peter McDonald e Eimear O’Kane
  • Raju – Max Zähle e Stefan Gieren
  • The Shore – Terry George e Oorlagh George *VENCEDOR
  • Time Freak – Andrew Bowler e Gigi Causey
  • Tuba Atlantic – Hallvar Witzø

Melhor Edição de Som

  • Drive – Lon Bender e Victor Ray Ennis
  • Os homens que não amavam as mulheres- Ren Klyce
  • A Invenção de Hugo Cabret – Philip Stockton e Eugene Gearty *VENCEDOR
  • Transformers: Dark of the Moon – Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
  • Cavalo de Guerra – Richard Hymns e Gary Rydstrom

Melhor Mixagem de Som

  • Os homens que não amavam as mulheres – David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
  • A Invenção de Hugo Cabret  – Tom Fleischman e John Midgley *VENCEDOR
  • O Homem que mudou o jogo – Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
  • Transformers: Dark of the Moon – Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
  • Cavalo de Guerra – Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Melhores Efeitos Visuais

  • Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2 – Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
  • A Invenção de Hugo Cabret  – Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning *VENCEDOR
  • Real Steel – Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
  • Rise of the Planet of the Apes – Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
  • Transformers: Dark of the Moon – Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

A Separação, de Asgar Farhadi

Cartaz Separacao A Separação, de Asgar Farhadi

Tendo um conhecimento nulo sobre o cinema iraniano, minha única motivação para assistir A Separação veio de sua indicação ao Oscar 2012, acompanhada de alguns elogios da crítica e outros importantes prêmios. Porém, por mais que esperasse alguma qualidade, não achei que pudesse considerá-lo tão bom e, na falta de outra palavra, angustiante.

Não sei explicar exatamente por que, mas grande parte do filme deixa com uma pequena sensação de nó na garganta, talvez por impotência, talvez por tentar se imaginar  no lugar dos personagens.

Partindo de uma desavença entre o casal Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami) e sua possível separação, o filme cresce através das consequências trazidas pelas decisões dos dois. Enquanto ela deseja ir embora para uma nova vida fora do país, ele não quer deixar o pai que tem mal de Alzheimer, tendo ainda uma jovem filha no meio do caminho. Dessa forma, cria-se uma situação temporária, em que precisam descobrir o que fazer e como lidar com tudo da melhor maneira. E é justamente nesse momento que entra a empregada Razieh (Sareh Bayat) e todo um aprofundamento na cultura do lugar. Disposta a ajudar nas finanças de casa, a personagem grávida decide trabalhar para a família, sem que o marido saiba. E em meio a essa nova rotina, acaba perdendo o bebê, talvez por culpa do chefe. A partir daí, é impossível tirar os olhos da trama, que prende sem precisar de grandes reviravoltas, explorando a humanidade dos envolvidos direta ou indiretamente no aborto.

Mesmo não sabendo muito sobre como funcionam as leis iranianas, é bastante interessante notar como acontece o processo de julgamento do caso. Com diversos elementos a serem considerados e sem nunca revelar precocemente quem fala ou não a verdade, é fácil mudar de ideia durante todo filme, apoiando um lado e desconfiando de outro, sucessivamente. Chega a ser impressionante o quanto o enredo não recorre a qualquer tipo de maniqueísmo, utilizando questões religiosas e  familiares, sem precisar de qualquer juízo de valor óbvio.

Separacao Filme A Separação, de Asgar Farhadi

Na verdade, seria até bastante fácil usar  alguma lição de moral ou discurso motivacional, já que trata muito de valores e crenças, e de sua rigidez por lá – pelo menos até determinado ponto. Ainda assim, todo trabalho de descobrir quem está possivelmente certo ou errado fica por conta do telespectador, sem pretensões. Mesmo sendo favorável a enredos fechados e bem definidos, foi uma boa surpresa sentir uma certa manipulação de sentimentos para chegar a alguma conclusão.

Mas, mais do que o desfecho principal, a força da história parece estar no relacionamento dos personagens e no quanto é possível sentir alguma ligação com o que lhes acontece. É fácil, por exemplo, sentir uma plena compaixão pelo pai de Nader que mal consegue fazer as coisas sozinho. Da mesma forma, a fidelidade religiosa de Razieh é tão assustadora quanto admirável, considerando aqueles que mantém uma fé irrevogável, a qualquer preço. Sem contar, é claro, aquela eterna dúvida sobre o quanto uma mentira com ‘boas intenções’ se diferencia de uma com um objetivo ruim.

Como disse no começo, não lembro de ter assistido – conscientemente – a outro filme iraniano e sei muito pouco sobre a realidade local. Por isso, talvez possa considerar apenas uma ótima primeira impressão, sem poder dar uma opinião mais profunda, ficando apenas com a sensação de que é uma obra mais instigante do que muita produção mais divulgada por aí.

O Artista, de Michel Hazanavicius

Artista Cartaz e1330226911856 O Artista, de Michel Hazanavicius

Minha primeira reação ao saber que um dos filmes favoritos ao Oscar 2012 era mudo e preto e branco, foi de que se tratava de uma obra pretensiosa, além é claro, de possivelmente entediante. Com tantos recursos tecnológicos e possibilidades a serem exploradas, é difícil acreditar que uma produção desse tipo possa ter uma razão sincera de existir. No entanto, depois de assistir a’O Artista, de Michel Hazanavicius, a sensação é de que existe muito mais preconceito no telespectador, do que pretensão em quem resolveu seguir em frente com o projeto.

Não vou dizer que seja fácil e absolutamente empolgante acompanhar uma história que foge tanto do que costuma fazer sucesso hoje em dia. Não acho que mil efeitos especiais sejam essenciais, e tenho alguma implicância com o uso desvairado do 3D, porém, não dá pra negar que a falta de diálogo parece assustadora à primeira vista. Afora a obrigatoriedade de Charlie Chaplin, não lembro de ter parado pra acompanhar qualquer coisa parecida nos últimos anos. E é estranho perceber que acabou não sendo uma experiência ruim.

Acompanhando os altos e baixos da carreira de George Valentim, o longa consegue tanto ser uma espécia de homenagem ao cinema quanto uma trama de amor simples e cativante, à sua maneira. Pessoalmente, precisei assistir em duas partes, já que a tecnologia/internet tem um poder absurdo de me prender justamente quando não deve, porém, imagino que no cinema deva ser mais muito mais instigante.

Ainda assim, apesar da interrupção, não esperava que pudesse gostar tanto do enredo. Não é nada altamente elaborado, e talvez justamente por essa simplicidade acabe sendo tão bem feito e amarrado. Aqui não é apenas uma questão de fazer com que os personagens se apresentem, falem, interajam. Eles precisam demonstrar empatia imediata, tendo apenas suas expressões como apoio. E isso, tanto Jean Dujardin como protagonista e Bérénice Bejo como Peppy Miller fazem com maestria. A química entre os dois é aparente, tornando impossível não gostar dos dois logo no começo.

Artista Filme O Artista, de Michel Hazanavicius

O mais interessante é que a jornada dos personagens justifica perfeitamente a decisão do filme ser dessa maneira. Fosse feito em cores e com falas, existiria uma grande incoerência, podendo se tornar apenas bobo, o que não é o caso.

Chama atenção também o cuidado que a produção precisou ter para trabalhar com seus possíveis poucos recursos. A trilha sonora consegue ser ótima e mais do que nunca uma parte essencial da história. Da mesma forma, os poucos momentos em que conta com áudio propriamente dito são essenciais, conseguindo um tom dramático que eu sinceramente não esperava ver em uma determinada cena.

No meio disso tudo, entretanto, tenho uma grande ressalva, que vem diretamente da minha falta de sensibilidade. Não gosto de cachorros, gatos, elefantes, tartarugas e afins. Logo, fiquei com uma preguiça eterna de Uggie, considerado um destaque do enredo. Sempre me recuso a assistir qualquer produção que tenha animaizinhos salvadores e achei bastante desnecessária sua presença aqui. Em todo caso, sei que isso é algo extremamente pessoal, que em nada afeta minha opinião geral sobre esse ser um filme suficientemente interessante de se assistir.

Claro que, se inaugurar uma moda, e outras produções seguirem o mesmo caminho, duvido que consigam sobreviver ou pelo menos ter  10% do  hype que The Artist tem conseguido. De qualquer maneira, o filme merece certo destaque, nem que seja por sua coragem de seguir um caminho diferente.

We Showed You: Cartazes de Filmes Clássicos Divulgam Oscar 2012

Batman Ledger We Showed You: Cartazes de Filmes Clássicos Divulgam Oscar 2012

Contando com algumas polêmicas na edição desse ano, o Oscar 2012 lançou uma séries de cartazes relembrando os filmes que já mereceram destaque na premiação. Intituladas ‘We Showed You” (Nós Te Mostramos, em tradução livre), as imagens tentam reconquistar a confiança do evento.

Através de 42 longas, a frase indica que a Academia mostrou “como ir à loucura”, com Batman e Heath Legder, “como ser poderoso” com O Poderoso Chefão; “como ter estilo” com Audrey Hepburn; “como sentir medo” de Hannibal Lector, entre outros. Os pôsteres fazem parte da campanha de divulgação da cerimônia, que contou com mudanças em sua direção, e a saída de Eddie Murphy como apresentador, sendo substituído por Billy Cristal, além da eliminação de inserções musicais no evento, numa tentativa de torná-lo menos cansativo.

Confira abaixo à galeria completa de imagens, basta clicar na miniatura para vê-la em tamanho completo. Lembrando que o Oscar 2012 será realizado no próximo dia 26 de fevereiro.

 

Histórias Cruzadas, de Tate Taylor

Historias Cruzadas Histórias Cruzadas, de Tate Taylor

Enquanto alguns filmes parecem concebidos para dar um passo à frente, outros apenas passeiam em cima do que já foi feito e refeito, muitas vezes sendo mais clichê do que muitas obras. Tendo isso em mente, não dá pra dizer que Histórias Cruzadas (The Help) seja necessariamente ruim, contudo, está longe de ser brilhante, ou mesmo, tão real quanto se propõe.

Falar de racismo nos EUA é algo que costuma garantir empatia. Os absurdos vividos durante toda sua história de segregação racial quase sempre conseguem prender atenção, e no filme de Tate Taylor, não é diferente. O problema é que, na medida em que se para pra pensar no enredo, muita coisa soa superficial demais, com um enfoque até pretensioso. As dificuldades dos personagens causam comoção, mas às vezes deixa a sensação de que esse é seu único objetivo. Chocar e separar a trama entre bondade e maldade, pura e simplesmente.

Partindo de Skeeter, personagem de Emma Stone, uma jornalista que decide dar voz a empregadas domésticas negras que dedicam sua vida a crianças e famílias de cor branca, o filme circula por tramas que comprovam o preconceito, ao mesmo tempo que abusa de certos estereótipos. Muitas vezes, ao invés de focar nas vítimas, por exemplo, o que se vê é uma exploração eterna de jovens mimadas que se deixam levar pelas opiniões da época. Seria algo interessante, se não soasse repetitivo. Com mais de 2 horas de duração, e um universo rico em possibilidades, é frustrante que acabe insistindo em detalhes que parecem não merecer tanto destaque. Uma certa torta de chocolate que o diga.

Esse elemento, que acaba sendo determinante na história, é repetido até a exaustão, meio que perdendo seu impacto inicial. Por alguns bons minutos, a trama se sustenta apenas nisso, o que não precisava ter acontecido. Da mesma forma, é uma pena que Minny (Octavia Spencer) acabe indo parar apenas no papel de alívio cômico, enquanto seu histórico de violência familiar, e até mesmo seus filhos, são deixados de lado. O que a salva, assim como a grande parte dos personagens, é a força do elenco, em especial a de Viola Davis e sua Aibileen.

Sem dúvida o grande destaque do filme, a atriz parece ser a mais natural dentre todas. Seu primeiro sorriso durante a história é incrivelmente marcante e significativo, de uma sutileza que falta no restante da trama. Talvez esteja exatamente nisso o que me fez não comprar a ideia de The Help, as coisas são explicadas didaticamente, definindo heroísmos e forçando a gostar das pessoas certas, nos momentos certos.

Viola Davis Histórias Cruzadas, de Tate Taylor

De novo, não é como se o enredo fosse péssimo e impossível de acompanhar até o final. Assistir não é uma tarefa torturante, de maneira nenhuma. Contudo, não convence de que essa é mesmo uma história que precisava ser contada. Muitos outros filmes que tratam de racismo são interessantes e causam a mesma revolta e reação contra o período retratado. A diferença é que eles não ganharam um indicação ao Oscar como melhor do ano.

Não existe nada de extraordinário e inovador em Histórias Cruzadas. Há até quem defenda que a trajetória de Skeeter reforça a ideia de que o heroísmo está em não ser preconceituoso, e não em sobreviver ao preconceito. Levando a ferro e fogo, o argumento torna o longa muito mais fraco, embora talvez seja uma interpretação dura demais.

Dessa forma, gostar ou não talvez dependa muito do quanto se espera dessa trama. Para ser só mais uma, não dá pra reclamar. Mas, pensando numa listinha pessoal de obras que  merecem destaque e elogios eternos, está longe de ser a mais interessante.