
Havia um tempo que lutava com a trama escrita por Isaac Marion. Acredito que foi o livro mais demorado que já tive em mãos. Apesar de ter só duzentas e cinquenta e duas páginas, a sensação era de quase quinhentas. Sangue Quente traz um Zumbi, R., como personagem principal e esse foi o elemento que me seduziu ao tentar essa leitura e o mais decepcionante.
Zumbis era a evolução natural. Primeiro foram os Vampiros, passamos pelas Bruxas e lobos até que só nos restassem os mortos vivos. Nos filmes e, atualmente, nas séries, eles são os perseguidores dos pobres humanos que tentam sobreviver. Mas em Sangue Quente, apesar da pouca capacidade motora e quase nenhuma cerebral, eles se revelam com sentimento e mostram tédio.
Na verdade, Sangue Quente, tenta mostrar um mundo pós-apocalíptico em que não existe mais esperança, até que um Zumbi começa a se apaixonar por uma humana. Mas isso não faz do livro uma história ruim. A forma com que o autor decidiu contar a trama é até envolvente, mas não funciona em nada. Tudo soa muito irreal. Do linguajar, passando a linha de raciocínio seguida por um morto vivo que não tem quase lembrança de sua vida até o momento em que foi infectado pela praga que o transformou em Zumbi.
O pior de tudo é que seguimos uma história que caminha em círculos e acaba terminando em lugar algum. Para ter uma ideia, R, o zumbi, já apresentava questionamentos sobre sua morte-vida, mas volta a recuperar totalmente um lado humano após comer (sim, comer literalmente) o cérebro do atual namorado de sua futura paquera, Julie. Durante várias páginas ficamos esperando o momento em que haverá o confronto do que foi feito pelo Zumbi no início da história e a reação da menina com que ele começa a se envolver. Mas no final ela entende, foi culpa da “doença zumbi” e não do morto vivo que está com ela e ponto, sem dramas…
Isso mesmo. Insisti com o livro porque não queria largar no meio, não acho justo com quem escreveu e muito menos comigo que comprei. Mas ao me deparar com vinte e cinco páginas restantes para o final, percebi que tudo ficaria sem sentido em seu fim. O que me deu a sensação que li, li, li e o que não havia andado em nada com aquela história. Infelizmente, o meu pressentimento estava mais do que correto. O fim de Sangue Quente é tão ruim quanto poderia imaginar já em seu começo. Existe uma cura que não é só sentida por nosso morto-vivo principal, mas por todos os outros, apesar dessa eventual cura não ser explicada, mas fica subentendido como sendo o sentimento do amor….
Caso você esteja pensando em comprar o livro, meu conselho é para que não o faça em circunstância nenhuma. Melhor guardar seu dinheiro e poupar o seu tempo para algo que valha realmente a pena.
Para ler uma outra resenha do livro, acesse Sangue Quente, de Isaac Marion.











