Querido John, de Lasse Hallström

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Acho interessante o exercício de assistir a um filme baseado em um livro logo depois de ler a obra original. Mesmo separando bem na cabeça que cada um (livro e filme) são obras diferentes, produzidos para meios diferentes, já falei mais de uma vez que é quase impossível não comparar os resultados finais. Geralmente, o livro ganha do filme, afinal, nos afeiçoamos aqueles personagens, criamos cenários em nossas mentes, temos uma idéia toda própria de como aquela história aconteceu. Ao ser transposto para as telas do cinema, muito da magia se quebra e, revoltados, amaldiçoamos aquele diretor que acabou com nossa história. Não é o que acontece com Querido John, de Lasse Hallström, baseado no livro de Nicholas Sparks. Aqui, o filme ganha de longe.

A história de ambos é a mesma: um casal se conhece durante duas semanas, mas tem de se separar, já que John é um militar americano prestando serviço fora do país, enquanto Savannah é uma jovem estudante, prestes a se formar. Acompanhamos então o relacionamento à distância dos dois, mantido através de cartas de amor, que, com os acontecimentos do 11 de setembro de 2001, sofre um grande baque e um entrave para se tornar efetivo e ‘pra toda a vida’. E, no filme, a história ganhou todo um charme que eu não consegui vislumbrar no livro.

Os personagens do filme são mais reais, pessoas como nós, com defeitos e qualidades, humanos. Eles tem desejos, tesão, vontade de estar juntos. São egoístas e não apenas pessoas boazinhas e unidimensionais como no livro. Apesar da mudança de aparência dos personagens (do livro para o filme), não há como não se apaixonar pela Savannah de Amanda Seyfried, que enche a tela com sua beleza cada vez que surge nela. Ao mesmo tempo, o John vivido por Channing Tatum é retraído e quieto, mas parece ter um vulcão sempre prestes a explodir dentro de si. Dessa forma, acreditamos realmente que aquela paixão que os toma é real.

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Interessante notar as diferenças sutis que o roteiro decidiu tomar para deixar a história um pouco mais interessante que o livro. Dessa forma, personagens ganham ou perdem destaque e características são atenuadas ou maximizadas. Circunstâncias que estão no livro são tratadas de forma diferente no filme, com um resultado bem mais interessante.

Deixo claro, inclusive, o final diferente escolhido por Lasse Hallström, que deu a essa história um sabor menos amargo ao mesmo tempo que mais real do que o do livro.

Querido John, o filme, é um típico exemplo que uma obra cinematográfica pode ser melhor que uma literária, quando adaptada. E, garanto, até Nicholas Sparks deve teve ficado mais feliz com a história que viu no cinema do que com aquela que escreveu.

Dear John: o filme que tirou Avatar do topo

dear john Dear John: o filme que tirou Avatar do topo

Avatar, de James Cameron, ficou sete semanas no topo do ranking dos filmes mais assistidos nos EUA. Mas essa hegemonia foi quebrada essa semana, quando o filme de James Cameron fez ‘apenas’ US$ 23,6 milhões nos cinemas americanos, acumulando um total de US$ 630,1 milhões na América do Norte.

O filme que destronou Avatar é o lacrimejante Dear John, que conta a história de um soldado americano (Channing Tatum) que, apaixonado por uma estudade de um colégio extremamente conservador (Amanda Seyfried, nome que consta na lista de 2010 das jovens atrizes que mais prometem da Vanity Fair) é convocado após os ataques do 11 de setembro e iniciam um relacionamento à distância. O filme, do diretor sueco Lasse Hallström (Chocolate, Regras da Vida) rendeu um total de US$ 32,4 milhões em três dias de exibição.

O filme é baseado no romance de Nicholas Sparks, que já teve outras obras transpostas para as telas do cinema, como Diário de Uma Paixão e Um Amor Para Recordar.

Dear John ainda não tem um título definido em português, mas estreia no Brasil no dia 23 de abril.