Sherlock Holmes, de Guy Ritchie

sherlock holmes Sherlock Holmes, de Guy Ritchie

Devo confessar que nunca li um livro de Sir Arthur Conan Doyle. Dessa forma, conheço apenas o Sherlock Holmes que, acredito eu, seja o mais comum na mente da maioria das pessoas: aquele detetive de meia idade, lento, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Watson. Das obras modernas que deram vida ao famoso personagem, me lembro do filme dos anos 80 O Enigma da Pirâmide, com um jovem e obstinado Sherlock; e do clássico (e bem humorado) livro de Jô Soares, O Xangô de Baker Street, que colocou o detetive inglês para resolver um caso na Brasil Imperial.

Assim, foi de forma descompromissada que assisti a esse Sherlock Holmes, dirigido por Guy Ritchie e estrelado por Robert Downey Jr. e Jude Law, dando vida, respectivamente, a Sherlock Holmes e a Watson. O bom de não ter muitas expectativas é poder ser surpreendido por uma obra leve, bem humorada e realizada de forma bastante competente.

Acompanhamos nessa história o possível último caso da dupla de detetives, já que Watson planeja deixar o parceiro para se casar com a jovem Mary (Kelly Reilly). Interessante notar que a relação de Holmes e Watson é tão íntima, que poderíamos considerá-los um casal, não fosse o fato de tratar-se de dois homens heterossexuais. A implicância de Sherlock com o romance de Watson, claramente incomodado em perder o parceiro para Mary, dá todo um charme à história. Os momentos deles discutindo sobre a posse de Gladstone, o cachorro de ambos, são impagáveis.

Mas, o que seria o último trabalho dos dois detetives, transforma-se num intricado quebra-cabeças quando Lord Blackwood (Mark Strong), um assassino em série envolvido com magia negra, parece ressuscitar dos mortos e ter um plano maior para dominar o mundo. Nesse meio de história é que surge Irene (Rachel McAdams), uma velha conhecida de Sherlock, que os ajudarão a decifrar o mistério.

Numa história ágil e envolvente, vamos acompanhando e conhecendo um novo perfil de conhecidos personagens. O Sherlock de Downey Jr. e o Watson de Law são lutadores rápidos e competentes; a história tem belas lutas coreografadas e um ritmo envolvente. Claro que não é só de força física que vive essa releitura de Sherlock, já que sua memória prodigiosa é um caso à parte no filme, que tem tiradas bem interessantes e um humor afiado e bem utilizado.

Guy Ritchie tem uma direção segura, com planos interessantes e uma boa direção de atores. Claro que ter nomes como Robert Downey Jr., Jude Law, Mark Strong e Rachel McAdams deve ajudar, mas um mau diretor consegue fazer até mesmo bons atores saírem-se mal. Não é o que acontece nessa história.

Envolvente, dinâmico e divertido, Sherlock Holmes é um filme para ser conferido e saboreado. Mas, não pisque durante a projeção, já que o filme cobrará de você uma certa percepção que, se for do tipo desatento, poderá não conseguir acompanhar a trama que, ao contrário de muitas produções atuais, não é pra ser assistida com o cérebro em off.

Com um final que deixa um super gancho para uma sequencia, envolvendo o nome de um dos maiores inimigos de Sherlock Holmes, Professor Moriarty, nos resta torcer e esperar para que um novo filme de Sherlock Holmes saia do plano dos projetos e chegue aos cinemas. Afinal, os telespectadores merecem mais do que filmes pipoca para serem assistidos e esquecidos. Gostamos de boas histórias mas, convenhamos, isso é elementar, não é mesmo, meus caros leitores?