Então que, mais de um ano depois de falar sobre Desculpa Se Te Chamo de Amor, estou aqui novamente pra falar sobre Desculpa, Quero Me Casar Contigo, a continuação da saga romântica dos atrapalhados Alex Belli e Niki Cavalli.
Ao contrário do primeiro livro, que não me despertou interesse à primeira vista, assim que soube que havia uma continuação, já fiquei interessada. Não tem jeito, quando criamos simpatia por alguma personagem, se inventam um volume 2, o bichinho da curiosidade nos perturba pra saber como a história dela anda. E, apesar de Desculpa Se Te Chamo de Amor ter seus poréns, Alex e Niki acabam por conquistar nossa simpatia.
Se antes o dilema era a possibilidade de duas pessoas com uma diferença de idade de quase duas décadas se amarem verdadeiramente, agora – dois anos depois de se conhecerem – o dilema é se o amor que sentem será capaz de resistir às divergências cotidianas agravadas pelos diferentes estágios que vivem. Enquanto Alex se sente preparado para se comprometer integralmente com uma vida a dois, Niki, no vigor dos seus vinte anos, se vê vacilar diante do peso das palavras “para sempre”.
Em pararelo, tanto os três amigos dele quanto as três amigas dela passam por outros conflitos, que testam seus relacionamentos e eles mesmos. Na verdade, tirando o fato de todos serem ricos ou no mínimo economicamente muito bem resolvidos, e do exagero de citações, especialmente de músicas italianas, que dão ao livro um tom fantasioso, ele narra situações a que todos estamos sujeitos quando se trata de relacionamentos.
O segundo livro, como o primeiro, não tem a pretensão de ser imprevisível ou fugir de clichês. Muito pelo contrário, é literatura com fundamentos comerciais, tanto que até já virou filme (que eu não vi, logo não vou comentar). É bom frisar isso pra que os leitores curtam a história mas mantenham o senso crítico. Ficção é ficção. Pra quem gosta de refletir um pouco mais, cada página convida a pensar nos relacionamentos – o que os faz melhores ou piores, o que os sustenta ou destrói. E em como, é claro, eles nos transformam.
Alguns trechos de aperitivo:
“Ela ainda não sabe o que Alex acaba de decidir, porque às vezes as decisões, grandes ou pequenas, são tomadas pelas razões mais variadas e ninguém sabe realmente qual foi o instante, a sensação, o desconforto ou a emoção que nos levou a decidir.”
“Niki segue serena e segura para casa, deixando-se acariciar pela brisa agradável, sem pensar em nada, com essa felicidade e essa tranquilidade que às vezes nos tomam e nos fazem sentir bem, no centro de tudo, sem inveja, ciúmes ou preocupações, sem saber de onde vem essa espécie de equilíbrio perfeito que nos faz temer até o simples fato de pronunciá-lo. Surpreende-se de ver até que ponto pode ser rara e difícil essa delicadíssima e mágica harmonia na qual nosso mundo parece, de repente, vibrar de maneira adequada. São instantes. Instantes que deveriam ser vividos em profundidade porque são incomuns. E porque, às vezes, podem acabar de repente sem que haja um verdadeiro motivo.”

Então, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.

