Desculpa, Quero Me Casar Contigo – de Federico Moccia

desculpa quero me casar contigo Desculpa, Quero Me Casar Contigo   de Federico Moccia

Então que, mais de um ano depois de falar sobre Desculpa Se Te Chamo de Amor, estou aqui novamente pra falar sobre Desculpa, Quero Me Casar Contigo, a continuação da saga romântica dos atrapalhados Alex Belli e Niki Cavalli.

Ao contrário do primeiro livro, que não me despertou interesse à primeira vista, assim que soube que havia uma continuação, já fiquei interessada. Não tem jeito, quando criamos simpatia por alguma personagem, se inventam um volume 2, o bichinho da curiosidade nos perturba pra saber como a história dela anda. E, apesar de Desculpa Se Te Chamo de Amor ter seus poréns, Alex e Niki acabam por conquistar nossa simpatia.

Se antes o dilema era a possibilidade de duas pessoas com uma diferença de idade de quase duas décadas se amarem verdadeiramente, agora – dois anos depois de se conhecerem – o dilema é se o amor que sentem será capaz de resistir às divergências cotidianas agravadas pelos diferentes estágios que vivem. Enquanto Alex se sente preparado para se comprometer integralmente com uma vida a dois, Niki, no vigor dos seus vinte anos, se vê vacilar diante do peso das palavras “para sempre”.

Em pararelo, tanto os três amigos dele quanto as três amigas dela passam por outros conflitos, que testam seus relacionamentos e eles mesmos. Na verdade, tirando o fato de todos serem ricos ou no mínimo economicamente muito bem resolvidos, e do exagero de citações, especialmente de músicas italianas, que dão ao livro um tom fantasioso, ele narra situações a que todos estamos sujeitos quando se trata de relacionamentos.

O segundo livro, como o primeiro, não tem a pretensão de ser imprevisível ou fugir de clichês. Muito pelo contrário, é literatura com fundamentos comerciais, tanto que até já virou filme (que eu não vi, logo não vou comentar). É bom frisar isso pra que os leitores curtam a história mas mantenham o senso crítico. Ficção é ficção. Pra quem gosta de refletir um pouco mais, cada página convida a pensar nos relacionamentos – o que os faz melhores ou piores, o que os sustenta ou destrói. E em como, é claro, eles nos transformam.

Alguns trechos de aperitivo:

“Ela ainda não sabe o que Alex acaba de decidir, porque às vezes as decisões, grandes ou pequenas, são tomadas pelas razões mais variadas e ninguém sabe realmente qual foi o instante, a sensação, o desconforto ou a emoção que nos levou a decidir.”

“Niki segue serena e segura para casa, deixando-se acariciar pela brisa agradável, sem pensar em nada, com essa felicidade e essa tranquilidade que às vezes nos tomam e nos fazem sentir bem, no centro de tudo, sem inveja, ciúmes ou preocupações, sem saber de onde vem essa espécie de equilíbrio perfeito que nos faz temer até o simples fato de pronunciá-lo. Surpreende-se de ver até que ponto pode ser rara e difícil essa delicadíssima e mágica harmonia na qual nosso mundo parece, de repente, vibrar de maneira adequada. São instantes. Instantes que deveriam ser vividos em profundidade porque são incomuns. E porque, às vezes, podem acabar de repente sem que haja um verdadeiro motivo.”

Desculpa se te chamo de amor, de Federico Moccia

Então, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.
Agora vocês vão entender o porquê dessa pequena introdução. O livro em destaque hoje é “Desculpa se te chamo de amor”, de Federico Moccia, autor italiano em ascendência. Ele não chega a ser tão conhecido quanto Dan Brown ou Stephenie Meyer, mas já chegou por aqui com um certo prestígio, com direito até a busdoor que, embora não seja super atraente, como qualquer busdoor não passa despercebido às pessoas ao menos um pouco observadoras.
Fato é que eu já tinha reparado nesse busdoor algumas vezes, especialmente pelo título do livro, que de primeira me sugeriu tratar de uma nova peça de teatro. Afinal, guarda alguma semelhança com “A história de nós dois”, ou “Despertar da primavera”, outros títulos de peças em cartaz na cidade.
Mas eis que, em busca de algo para ler, numa conversa com um amigo, ele me disse que havia comprado dois livros, sendo um deles “Desculpa se te chamo de amor”. Ele me perguntou se eu queria emprestado e, na falta de outra leitura que me chamasse mais atenção no momento, disse que sim, sem grandes expectativas (Isso não chega a ser uma novidade, inicio praticamente qualquer leitura sem grandes expectativas).
Enfim, comecei a leitura, e as primeiras dez páginas não me chamaram muito a atenção. Mas persisti, porque vários livros não prendem mesmo nas primeiras páginas. E aí Alessandro começou a ficar interessante pra mim. Talvez porque a sua incapacidade de aceitar o término de uma relação sem motivo claro aproxime o personagem do universo feminino. Ou talvez porque ele pareça o ideal de homem que desejamos: aquele que busca ser o melhor na vida, tanto no plano da razão quanto no da emoção, no auge dos seus 37 anos.
E, é justo esse cara, que acaba literalmente atropelando – e sendo atropelado – por uma adolescente sem freios na língua, no corpo e na alma: Niki. Em algum momento da história, alguém a qualifica com o adjetivo “solar”. E essa me parece mesmo a melhor palavra para defini-la. Uma garota que exala a energia da juventude, e atinge Alessandro como uma onda, trazendo para o seu mundo um frescor do qual ele já não se lembrava.
Fica divertido acompanhar o envolvimento desse casal que, contra todas as diferenças, dá certo. Como se juntos eles conseguissem se encontrar num ponto médio, entre aqueles em que um e outro estão. É claro que não é assim o tempo inteiro, todo bom romance precisa de obstáculos para sobre eles se mostrar maior. E esse não foge à regra.
No mais, as tramas paralelas não se valorizam por si mesmas, cumprem apenas a sua função básica como complemento para delinear os perfis dos protagonistas, pela apresentação dos ambientes em que eles transitam e das pessoas com as quais convivem. Algumas partes da história são previsíveis, outras um pouco forçadas. Alguns diálogos soam um pouco truncados. Mas nada que chegue a comprometer.
No geral, a história flui bem, o texto é leve, atual, com algumas tiradas engraçadas e com algumas passagens eventualmente poéticas. Mas agrada especialmente por nos trazer outro amor de ficção, daqueles improváveis, que povoam sonhos desde sempre, numa versão moderninha. Vale a pena ler “Desculpa se te chamo de amor”.
desculpasetechamodeamor Desculpa se te chamo de amor, de Federico MocciaEntão, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.
Agora vocês vão entender o porquê dessa pequena introdução. O livro em destaque hoje é Desculpa se te chamo de amor, de Federico Moccia, autor italiano em ascendência. Ele não chega a ser tão conhecido quanto Dan Brown ou Stephenie Meyer, mas já chegou por aqui com um certo prestígio, com direito até a busdoor que, embora não seja super atraente, como qualquer busdoor não passa despercebido às pessoas ao menos um pouco observadoras.
Fato é que eu já tinha reparado nesse busdoor algumas vezes, especialmente pelo título do livro, que de primeira me sugeriu tratar de uma nova peça de teatro. Afinal, guarda alguma semelhança com A história de nós dois”, ou “Despertar da primavera”, outros títulos de peças em cartaz na cidade do Rio de Janeiro.
Mas eis que, em busca de algo para ler, numa conversa com um amigo, ele me disse que havia comprado dois livros, sendo um deles “Desculpa se te chamo de amor”. Ele me perguntou se eu queria emprestado e, na falta de outra leitura que me chamasse mais atenção no momento, disse que sim, sem grandes expectativas (Isso não chega a ser uma novidade, inicio praticamente qualquer leitura sem grandes expectativas).
Enfim, comecei a leitura, e as primeiras dez páginas não me chamaram muito a atenção. Mas persisti, porque vários livros não prendem mesmo nas primeiras páginas. E aí Alessandro começou a ficar interessante pra mim. Talvez porque a sua incapacidade de aceitar o término de uma relação sem motivo claro aproxime o personagem do universo feminino. Ou talvez porque ele pareça o ideal de homem que desejamos: aquele que busca ser o melhor na vida, tanto no plano da razão quanto no da emoção, no auge dos seus 37 anos.
E, é justo esse cara, que acaba literalmente atropelando – e sendo atropelado – por uma adolescente sem freios na língua, no corpo e na alma: Niki. Em algum momento da história, alguém a qualifica com o adjetivo “solar”. E essa me parece mesmo a melhor palavra para defini-la. Uma garota que exala a energia da juventude, e atinge Alessandro como uma onda, trazendo para o seu mundo um frescor do qual ele já não se lembrava.
Fica divertido acompanhar o envolvimento desse casal que, contra todas as diferenças, dá certo. Como se juntos eles conseguissem se encontrar num ponto médio, entre aqueles em que um e outro estão. É claro que não é assim o tempo inteiro, todo bom romance precisa de obstáculos para sobre eles se mostrar maior. E esse não foge à regra.
No mais, as tramas paralelas não se valorizam por si mesmas, cumprem apenas a sua função básica como complemento para delinear os perfis dos protagonistas, pela apresentação dos ambientes em que eles transitam e das pessoas com as quais convivem. Algumas partes da história são previsíveis, outras um pouco forçadas. Alguns diálogos soam um pouco truncados. Mas nada que chegue a comprometer.
No geral, a história flui bem, o texto é leve, atual, com algumas tiradas engraçadas e com algumas passagens eventualmente poéticas. Mas agrada especialmente por nos trazer outro amor de ficção, daqueles improváveis, que povoam sonhos desde sempre, numa versão moderninha. Vale a pena ler “Desculpa se te chamo de amor”.
Federico Moccia
Editora Planeta
Preço Médio: R$ 30