Desde que li Desculpa Se Te Chamo de Amor - e, mais recentemente, sua continuação, Desculpa, Quero Me Casar Contigo – e soube que o primeiro livro tinha uma versão cinematográfica, fiquei curioso para acompanhar essa história em outra mídia. Gostei razoavelmente dos dois livros e ter a oportunidade de ver os cenários e personagens imaginados por mim transpostos para a realidade do cinema me causou curiosidade. Então, entre uma pesquisa e outra cheguei até Lição de Amor, título ridículo no Brasil, para o filme italiano de 1999 baseado no primeiro livro.
O que eu não imaginava era que o diretor do filme fosse o mesmo Federico Moccia, autor dos romances. Assim sendo, pensei que o filme poderia ser tão ou mais divertido que os livros, mas acabei me enganando. Embora tenha um enredo até que interessante para desenvolver, Federico Moccia mostra, como diretor, que deveria apenas escrever livros. Sua versão para os cinemas de sua própria história é sonolenta e chata. Somente como exemplo: querendo soar criativo, os recursos de citar nos livros frases de diversos autores conhecidos para enfeitar a história, no filme soa desproposital e gratuito.
A história é a mesma do livro original: Alex, um publicitário de 37 anos, está numa depressão depois que foi largado por Helena, a quem havia pedido casamento. Num belo dia, literalmente atropela Nikki, uma jovem de 17 anos, que cruza um sinal e bate com sua moto no carro de Alex. A partir daí, numa dinâmica de encontros orquestrados por Nikki, o casal acaba se apaixonando.
As comédias românticas, em geral, seguem a fórmula pronta do casal que se conhece e devido às diversas circunstâncias não podem ficar juntos, para que isso aconteça somente no final. Aqui, o charme da história fica na diferença de 20 anos de idade dos protagonistas.
Os demais personagens são bem interessantes, mas unidimensionais demais na transposição do livro para o cinema. Pietro, Enrico e Flávio – e suas respectivas esposas ,- amigos de Alex; e Olly, Diletta e Erica, amigas de Nikki, não dizem a que vieram e são apenas suportes bobos dos dois protagonistas. Os pais de Nikki, que poderiam ser colegas de Alex devido à aparência física, são sub-aproveitados e a história é rasa demais.
O que vale a pena no filme é a fotografia, com suas belas paisagens e o tour que fazemos por Roma e vizinhança. As tomadas são belíssimas e acompanhar os personagens por aqueles cenários é bem prazeroso – se você se mantiver acordado durante o filme, já que a história não é contada de uma forma que isso seja muito possível.
Então, a dica é: leia o livro que originou o filme. Vale bem mais a pena. E se, e somente se, você for como eu, assista o filme para comparar as duas obras e ter certeza de que quase sempre o livro é melhor do que o filme. Em Lição de Amor isso é mais que verdadeiro.



Então, quem me conhece sabe que eu não sou muito fã de bestsellers ou “candidatos a”, esses livros que são lançados com estrondosas campanhas de marketing, como se fossem as melhores obras do pensamento contemporâneo, quando na verdade estão a quilômetros de distância desse lugar. Mas tudo bem, como uma aguerrida defensora da leitura como prática habitual, acho que ninguém perde nada em lê-los, no máximo deixa de usar o tempo para ler outra coisa mais interessante.

