Preciso admitir que nunca fui muito fã de biografias. Até FAB chegar às minhas mãos, a única obra do gênero que li foi: Dias Gomes – Apenas um subversivo. Uma autobiografia bem humorada que conta toda a trajetória de um dos maiores dramaturgos que o Brasil já teve e o que é melhor, como foi o próprio quem escreveu, você nota uma liberdade maior nos fatos que são narrados. E agora, após ter lido A Intimidade de Paul McCartney, percebo o quanto posso ter me viciado com esse gênero literário.
Howard Sounes, autor de Dylan: A Biografia, foi fundo para escrever sobre Paul. Afinal, essa não seria a primeira biografia lançada sobre o astro e o autor precisava de elementos diferentes. Sounes então decidiu se dedicar intensamente e passou mais de dois anos fazendo pesquisas sobre a vida e obra de McCartney, entrevistando mais de duzentas pessoas, já que sempre existem certas histórias que ainda não foram contadas (ou não ganharam o mundo) e que, eventualmente, podem chocar os fãs mais fervorosos.
O casamento com Heather Mills, por exemplo, é palco de inúmeras polêmicas como agressões físicas sofrida pela ex-modelo e o abuso de álcool e drogas do ex-Beatle. E as polêmicas não param por aí, na obra é “narrado” o esquema de drogas que o cantor teve na época da banda The Wings e fora dela. E também os problemas que chegou a ter com a polícia. Acredito que muitos fãs xiitas do músico podem sentir certa revolta em algumas partes, mas acredito que essa seja a real graça em se ler uma biografia, autorizada ou não.
A obra é dividida em duas partes: Com os Beatles e, logicamente, Sem os Beatles. No livro está toda as diferenças criativas que permearam o fim da banda e os desejos e vontades do Sir McCartney, propenso a ser do contra quando se tratava de alguma opinião ou vontade de John Lennon. Sem contar a raiva que sentia por Michael Jackson e toda a história que gira em torno da aquisição dos direitos autorais das músicas do “FAB FOUR” (Quarteto Fantástico).
Ao todo são 644 páginas de história e curiosidades que tentam dar um outro olhar sobre alguns acontecimentos da carreira e vida pessoal do cantor e que ajudam, de certa forma, a entender um pouco de suas músicas e o possível “sentimento” que possa ter passado por Paul na hora de compor ou gravar alguns dos seus sucessos.
Assumo que algumas passagens da obra chegaram a me deixar incrédulo. Seja pela simplicidade que momentos tão íntimos foram relatados, quanto a forma com que, sendo verdade, foi explorado pela mídia, em 1967, o uso de LSD do Beatle, que só tinha vinte e cinco anos e total imaturidade para lidar com a mídia. Além de ser relatada a forma como a família McCartney reagiu a isso tudo.
Sendo verdade ou não, acredito que FAB – A Intimidade de Paul McCartney, merece o benefício da dúvida, ou seja, uma lida. E o lançamento aqui no Brasil foi um gol de placa da editora Best Seller. Eu, como um fã dos Beatles, recomendo!










