Desde muito pequeno, sempre fui apaixonado por suspenses. Aquela tensão que envolve essa categoria cinematográfica, que nos deixa doloridos quando o filme acaba, seguida do alívio por ter terminado, são das sensações mais apreciadas por este que vos escreve.
Estava eu um dia na locadora procurando filmes da Audrey Hepburn (já tinha assistido Bonequinha de Luxo e My fair lady) quando me deparei com esse título. Confesso que nunca tinha ouvido desse filme, mas como era um suspense com a “bonequinha”, resolvi alugar pra assistir.
Assim como Virgínia Woolf, Um Clarão nas Trevas é uma adaptação de uma peça teatral. A peça de Frederick Knott conta a história de uma mulher que ficou cega recentemente e cujo esposo não a trata com regalias por conta disso. Ele sempre deixa claro que ela deve ter sua liberdade e sua autonomia, acima de tudo. Assim, mesmo se sentindo um pouco perdida, Susy Hendrix leva sua vida normalmente, aprendendo a cada dia como não depender de ninguém. Para tarefas mais complicadas, como ir às compras, ela conta com a ajuda de Gloria, uma adolescente vizinha.
Certo dia, o marido de Susy, Sam, volta de uma viagem ao Canadá e presta um favor a uma companheira de viagem: guardar uma boneca para que ela a pegasse mais tarde. Acontece que essa boneca está recheada de drogas, o que leva três bandidos à casa de Susy para tentar recuperar seu prejuízo.
A trama toda se desenvolve no apartamento de Susy, com os bandidos usando de todas as artimanhas para tentar descobrir onde está a boneca. Usando-se de vários disfarces, os bandidos tentam enganar e iludir a mulher cega, mas não contam com suas novas habilidades, como ter uma audição tão aguçada a ponto de reconhecer passos.
Durante boa parte do filme, a impressão que temos é que estamos vendo uma peça, com um dos atores inclusive fazendo vários papéis (disfarces). Mas o clima começa a esquentar, Susy começa a pressentir o perigo até chegar na parte final do filme, onde ela usa sua intuição e inteligência para sobreviver ao seu assassino. Seu único meio de lutar de igual pra igual? Deixá-lo no escuro, onde a vantagem é dela!
Na última parte do filme, a ação toda acontece na penumbra, o que leva os níveis de suspense às alturas, com grandes sustos incluídos. Na época, os cinemas que exibiam o filme, para entrar ainda mais no clima, baixavam a iluminação até o mínimo permitido, e na cena final, o cinema ficava totalmente na escuridão. Uma pena não termos mais esse tipo de coisa hoje em dia…
Um Clarão nas Trevas provou, ainda em 1967, que um bom filme de suspense não precisa ter sangue e violência explícitos. A atuação intocável de Audrey (que a levou a receber uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz) e fotografia muito bem feita não deixam nada a desejar às películas atuais, e vão deixar qualquer fã do gênero maravilhado no final. E com aquele friozinho na barriga que é o máximo!










