Bruna Surfistinha era um filme esperado desde que o anúncio de que seria feito foi comunicado. Baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, escrito a partir de depoimentos de Raquel Pacheco, o filme narra a história da jovem Raquel, que larga sua vida de classe média junto à família para se tornar na prostituta mais famosa do Brasil ao assumir a alcunha de Bruna Surfistinha. O que ninguém contava era que Bruna Surfistinha fosse um filme tão bom, tão bem feito e com interpretações excelentes e ótima história. A estreia na direção do até então publicitário Marcus Baldini é obrigatória para todo fã de boas histórias e de filmes feitos com qualidade.
Bruna Surfistinha nasceu Raquel Pacheco e era uma adolescente desajeitada que foi adotada por uma família tradicional de classe média. No colégio, era o patinho feio; em casa, a filha problemática. Um belo dia Raquel chuta o balde e foge de casa. Seu destino? A vida como prostituta em São Paulo, a princípio, numa casa de prostituição; mais tarde, como garota de programa de luxo. De patinho feio à garota mais popular, essa é a trajetória de Raquel/Bruna.
E, é inegável que MUITO do sucesso do filme se deva à interpretação de Deborah Secco. A atriz, conhecida por seus trabalhos na televisão, normalmente em papéis sem muita profundidade, dá uma dignidade à Raquel Pacheco que não há como deixar de elogiar. De adolescente desajeitada à mulher fatal, Deborah constrói Bruna Surfistinha com talento e nos arrebata no meio do caminho, se despindo de qualquer pudor, em todos os sentidos. Das cenas de desconforto ao transar por dinheiro ao momento em que descobre que pode sim ter prazer se vendendo, a atriz dá um show. Sem contar a interpretação do quarto final do filme, quando acompanhamos o mergulho da personagem no mundo da dependência química e a derrocada da Surfistinha.
Mas não é somente Deborah que brilha em cena. Todo o elenco foi muito bem escolhido e está muito à vontade em seus papéis. Drica Moraes, Cássio Gabus Mendes, Fabíula Nascimento, Cristina Lago e demais atores, não há um senão nas interpretações. Todos se entregam aos personagens e nos convencem daquela história.
Outro ponto positivo do filme é que o roteiro foge da previsibilidade de construir uma história idiota, que poderia tender ou para a glamourização de uma prostituta (vide Uma Linda Mulher - filme que eu adoro, diga-se de passagem) ou para o trash e over. Bruna Surfistinha equilibra as coisas, mostrando uma história real, que grande parte dos brasileiros já conhecia e tinha curiosidade de ver na tela dos cinemas.
Sim, o filme é ousado e foi taxado por alguns de pornô light. Não concordo com a definição. As cenas de sexo estão lá e algumas delas são realmente bem intensas e podem chocar aos mais pudicos. Mas trata-se da história de uma garota de programa e todas as cenas estão muito bem contextualizadas. Choca-se quem entrar na sessão enganado sem saber o que vai assistir. Mais do que isso, o sexo é parte da história de Bruna e foi muito bem utilizado nos vários momentos em que surge no filme.
Em apenas dois finais de semana (sendo um deles o do Carnaval, feriado que normalmente é ruim para as bilheterias brasileiras), Bruna Surfistinha ultrapassou o 1 milhão de expectadores, arrecandando R$ 9 milhões nesse tempo de cartaz, tornando-se a segunda maior abertura de 2011 e a sétima no ranking do cinema brasileiro dos últimos 20 anos.
O que é fácil de se explicar: Bruna Surfistinha é um filme que foi feito sob encomenda para ser comentado. É impossível sair do cinema e não recomendá-lo aos amigos. Seja para apreciar a beleza da atriz principal, seja para chocar os mais conservadores, seja para se conferir uma boa história.
Uma coisa é inegável: Bruna Surfistinha deve ser assistido! É mais do que um bom filme: é um excelente programa!












