O cinema americano não é mais o mesmo. Muitos creditaram aos downloads ilegais a queda nas bilheterias. Mas seria o compartilhamento de arquivos o grande vilão das bilheterias? Pensando em novas armas para atrair o público, o universo 3D foi escalado como um elemento chave nos filmes e uma forma de obrigar o espectador a ir até uma sala de cinema convencional para assistir ao grande filme em cartaz. Até uma boa tática, ou você acha que teria a mesma graça assistir Avatar em casa, podendo curtir em 3 dimensões na tela grande?
Depois dessa guerra, em que a tecnologia foi aliada da sétima arte, o cinema voltou ao patamar crescente de queda, mostrando que o grande problema podem não ser os sites com links disponíveis de filmes para baixar, mas as histórias pouco criativas e instigantes das novas produções, que estariam distanciando o grande público. Mas como modificar mais uma vez isso? Se histórias originais não estão dando certo, vamos ao velho hábito de adaptar tudo para a tela grande. Assim como HQ’s, os livros são a fonte mais visitada pela indústria cinematográfica. A Rede Social foi a grande menina dos olhos da temporada 2010, tornando o filme um dos mais comentados dos últimos tempos e grande favorito dos festivais de cinema. Até que Cisne Negro (Black Swan) fez sua estreia e começou a dividir opiniões e chamar atenção de todos.
As várias categorias que o filme vinha concorrendo no Oscar me deixou mais impressionado com sua fama e a vontade de assistir à película só cresceu. Nada desesperador, mas precisava conferir antes do Oscar esse filme tão aclamado. E assim fui ao cinema e constatei que o filme não é nada demais. Muitos utilizam o artificio de elogiar a atuação de Natalie Portman para segurar os elogios da trama, mas uma coisa é a atriz principal fazer jus aos comentários positivos que vem recebendo e outra coisa é se deixar levar e considerar Cisne Negro a ultima bolacha do pacote, ou o melhor filme do ano.
O público regular de cinema e que tenha o senso crítico apurado, não pode ter saído da sala de projeção aceitando toda aquela história e concordando cegamente com a crítica ”especializada”. Em mais de trinta minutos somos apresentados ao universo de Nina (Natalie Portman), à peça clássica de Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes, e à versão “visceral” pretendida pelo diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel), além dos problemas da protagonista em se dividir entre o Cisne Branco e Negro. Se para a bailarina é uma tortura deixar de ser técnica para “se deixar levar” pela sombra do Cisne, para o público é totalmente torturante aquele universo que não evoluí e nem apresenta elementos que façam com que o filme se torne chocante, arrebatador ou, até mesmo, psicologicamente pertubador.
Com a pressão de se dividir em dois papéis, Nina vê seu universo delicado ir desmoronando. Erica Sayers (Barbara Hershey), mãe da protagonista, pode ser a que mais contribui para alimentar esperanças de que o longa promete ser mesmo sombrio, assim como as críticas vendem. Ao longo de suas aparições percebemos que a super proteção que a bailarina vem recebendo, pode ser bagagem de um surto anterior. Que fica mais explícito quando Sayers vê marcas vermelhas nas costas de sua filha e imediatamente descobrimos que a própria poderia ter feito aquilo, já que não seria a primeira vez que aquelas marcas aparecem.
Então o enredo fica mais pessoal ainda, focando na luta interna de Nina com seu Cisne Negro. Lily (Mila Kunis) faz parte dessa luta e contribui para que toda a sequência apresentada na boate e de volta à casa da protagonista seja memorável. E alimenta o final tão comentado e, como vendem, apoteótico.
Quem já leu Conte-me Seus Sonhos, de Sidney Sheldon, ou como mencionei no início do texto, tem um bom conhecimento de cinema, perceberá a lógica e simplicidade do final do longa. A morte do Cisne é levado até a realidade, já que sua intérprete buscava a perfeição e dentro da doença ao qual estava presa, foi levada até esse final.
Mas, como a crise de identidade dos filmes americanos é grande, filmes como Cisne Negro apresentam surpresas e envolvem realmente, mas não são inovadores e, na minha humilde opinião, está longe de ser um dos melhores filmes do ano. A história em si é fraca e Nina ganhou dignidade para o seu drama graças à interpretação de Natalie Portman. Que seja dado para a atriz todos os créditos merecidos.
Se vejo os pontos fracos da narrativa, o mesmo não posso apontar pela direção. Darren Aronofsky fez um bom trabalho na sua visão do drama. Mas a história de Andrés Heinz não conseguiu ser tão impactande assim, servindo apenas para aumentar a grande popularidade e reconhecimento para uma estrela em ascensão, Natalie Portman.







