Preciso começar esse review deixando claro que não sou espírita, nem mesmo um grande conhecedor da obra de Chico Xavier. Quando ele morreu, lembro da comoção geral, mas para mim era apenas um nome de alguém conhecido que acabava de falecer. Dessa forma, minha avaliação será de Chico Xavier como filme, entretenimento e apenas como isso.
Dito isso, vale lembrar que Chico Xavier é a biografia de vida de um dos mais conhecidos médiuns brasileiros, que morreu aos 92 anos de idade deixando um legado e uma impressionante história de vida, que o filme retrata de forma interessante. O roteiro, de Berntein, é baseado no livro As Vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior.
Se prendendo como se o ‘presente’ fosse passado na época de uma entrevista de Chico ao programa Pinga Fogo, o filme acompanha as lembranças do personagem desde sua infância até a data do programa.
Chico é vivido no longa por três atores distintos, que o fizeram muito bem, com destaque total para Matheus Costa, que interpreta o jovem Chico, no período de 1918 a 1922. O menino é um achado e que tem uma presença na tela absurda. De 1931 a 1959, Chico é vivido por Ângelo Antônio que é, pra mim, o mais apagado dos três, não sei bem porque. De 1969 a 1975, quando a dita entrevista foi concedida, é Nelson Xavier quem dá vida a Chico e, não tem como não ficar impressionado com a semelhança entre o ator e o médium, além da coincidência de sobrenomes. Será que coincidências existem?
O elenco ainda conta com nomes de peso como Tony Ramos, Christiane Torloni, Giovanna Antonelli, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luís Mello e muitos outros que também brilham na história.
Mesclando uma história comovente de vida com possíveis fenômenos espirituais, o filme cativa e surpreende. Em minha opinião, um ponto fraco do longe é a totalmente desnecessária presença de Emmanuel, o conselheiro espiritual de Chico. Sei lá, não me agradou. Além disso, a cena da turbulência da viagem de avião é muito mais divertida quando contada pelo verdadeiro Chico Xavier, em vídeo original apresentado em trechos durante os créditos finais, do que na cena constrangedora inserida no meio do longa.
No geral, o filme consegue ser interessante para todos os telespectadores, estejam eles familiarizados ou não com a doutrina de vida de Chico Xavier. Vale a conferida, inclusive para valorizar os bons produtos nacionais que o cinema vem produzindo.




