“Eu não sou uma espiã!” é a frase repetida exaustivamente pela mulher pega pelo governo norte-coreano em missão secreta naquele país. Esta espiã é Evelyn Salt, agente norte-americana da CIA, que depois de ser libertada numa operação de troca com os EUA, é acusada por um agente desertor russo, de ser uma espiã russa infiltrada no Serviço Secreto Americano.
Diante disso, Salt foge para tentar provar sua inocência. Eis a contradição que faz o ponto de partida do filme marcado pela volta da atriz Angelina Jolie à ação nas telonas. Salt é um longa cheio de tradições e contradições. Tradições, como o velho atrito americano-soviético da Guerra Fria e também a velha história dos “agentes dormentes”, espiões russos treinados deste a infância e infiltrados entre o povo norte-americano e que passam anos, possivelmente décadas, a espera da sua grande missão. Contradições como a missão da espiã russa de assassinar o próprio presidente russo em visita aos EUA. Tal missão, informada pelo desertor russo à CIA que aponta Salt como a executora.

Salt não é um suspense profundo. Histórias de conspiração soviética sobre os norte-americanos já foram contadas em vários filmes, mas acredito que o objetivo aqui é tornar o óbvio, não-óbvio. Justamente por ser um tema já abordado antes, Salt é uma tentativa de tornar as coisas mais divertidas e contraditórias (para alimentar o público de perguntas a serem respondidas), com seqüências eletrizantes de ação, muitos tiros, bombas e uma performance física incrível de Angelina Jolie que o prende até o final do filme.
Para a crítica especializada, Salt se mostrou um filme fraco e que não impôs com competência a personalidade do personagem que dá nome a ele, uma vez que esta personalidade vai sendo transformada ao longo da história. Para os fãs de filmes de agente-secreto, Salt tem todos os elementos de um bom filme de espionagem, como suspense, ação, disfarces e segredos porém sem responder á pergunta principal: Quem é Salt? A sensação geral é de que haverá uma sequência para a história mal terminada, mas acho que a incerteza desta sequência faz parte do mistério do filme.



Para mim, o filme ficou vazio. É tanta conspiração e tanta ação que a história ficou comprometida. É claro que todas as cenas de luta e Jolie pulando sobre caminhões em movimento dá um ritmo alucinante ao longa, mas tanta pancada acaba deixando você meio tonto.
A continuação é quase evidente, mas não creio que há certeza, visto que um filme como esse é um investimento considerável e se não render o esperado no primeiro, dificilmente veremos um segundo. Até porque, restou história para uma continuação?