Salt, de Phillip Noyce

   

salt Salt, de Phillip Noyce“Eu não sou uma espiã!” é a frase repetida exaustivamente pela mulher pega pelo governo norte-coreano em missão secreta naquele país. Esta espiã é Evelyn Salt, agente norte-americana da CIA, que depois de ser libertada numa operação de troca com os EUA, é acusada por um agente desertor russo, de ser uma espiã russa infiltrada no Serviço Secreto Americano.

Diante disso, Salt foge para tentar provar sua inocência. Eis a contradição que faz o ponto de partida do filme marcado pela volta da atriz Angelina Jolie à ação nas telonas. Salt é um longa cheio de tradições e contradições. Tradições, como o velho atrito americano-soviético da Guerra Fria e também a velha história dos “agentes dormentes”, espiões russos treinados deste a infância e infiltrados entre o povo norte-americano e que passam anos, possivelmente décadas, a espera da sua grande missão. Contradições como a missão da espiã russa de assassinar o próprio presidente russo em visita aos EUA. Tal missão, informada pelo desertor russo à CIA que aponta Salt como a executora.

A fuga de Salt e suas ações decorrentes disso colocam o espectador diante da pergunta que está nos cartazes dos cinemas: Quem é Salt? Hora agindo de acordo com o protocolo americano, hora agindo como traidora da pátria, Salt toma decisões que deixam seu propósito oculto. Não se sabe a quem ela é leal, afinal. A medida que os fatos acontecem, mais informações sobre ela vão sendo reveladas e tornam complicada a tarefa de quem assiste de entender a protagonista.

salt 2 Salt, de Phillip Noyce

Salt não é um suspense profundo. Histórias de conspiração soviética sobre os norte-americanos já foram contadas em vários filmes, mas acredito que o objetivo aqui é tornar o óbvio, não-óbvio. Justamente por ser um tema já abordado antes, Salt é uma tentativa de tornar as coisas mais divertidas e contraditórias (para alimentar o público de perguntas a serem respondidas), com seqüências eletrizantes de ação, muitos tiros, bombas e uma performance física incrível de Angelina Jolie que o prende até o final do filme.

Para a crítica especializada, Salt se mostrou um filme fraco e que não impôs com competência a personalidade do personagem que dá nome a ele, uma vez que esta personalidade vai sendo transformada ao longo da história. Para os fãs de filmes de agente-secreto, Salt tem todos os elementos de um bom filme de espionagem, como suspense, ação, disfarces e segredos porém sem responder á pergunta principal: Quem é Salt? A sensação geral é de que haverá uma sequência para a história mal terminada, mas acho que a incerteza desta sequência faz parte do mistério do filme.

Por Mauri Gonçalves, do Vida Urbana

   

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Comentários

  1. Para mim, o filme ficou vazio. É tanta conspiração e tanta ação que a história ficou comprometida. É claro que todas as cenas de luta e Jolie pulando sobre caminhões em movimento dá um ritmo alucinante ao longa, mas tanta pancada acaba deixando você meio tonto.

    A continuação é quase evidente, mas não creio que há certeza, visto que um filme como esse é um investimento considerável e se não render o esperado no primeiro, dificilmente veremos um segundo. Até porque, restou história para uma continuação?

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