Há muito que as animações digitais são um programa para a toda a família e não somente para as crianças. Acompanhar as crianças ao cinema para assistir uma animação nem precisa mais ser usado como desculpa, já que os adultos são um público mirado por essas produções, que divertem os pequenos com os traços e efeitos e fisgam os adultos com a profundidade das histórias e tudo que elas representam.
Carlos Saldanha, o brasileiro que fez fama em Hollywood ao co-dirigir A Era do Gelo e assumir a direção das continuações, ganhou respeito e assina Rio, a nova animação da 20th Century Fox e Blue Sky Studios. Carioca radicado nos Estados Unidos, Saldanha era o nome mais indicado para levar às telas a história da ararinha azul Blu.
A história, simples e cativante, acompanha a aventura da arara azul macho Blu, que ainda filhote é capturado por contrabandistas de pássaros e obrigado a deixar o ensolarado Rio de Janeiro e enviado para o frio de Minesota, EUA. Devido a um pequeno acidente, o filhote acaba sendo cuidado e criado pela jovem Linda, que se apaixona pela arara. Quinze anos depois, entretanto, o brasileiro Tulio busca o possível último espécime macho das araras azuis para, ao lado da fêmea Jade, impedir sua extinção. De volta ao Rio de Janeiro, para o acasalamento dos dois animais, Blu e Jade são capturados por outro contrabandista de pássaros e é aí que começa realmente a (ave)ntura dos bichinhos.
Rio é, em suma, uma ode à Cidade Maravilhosa. Todos os cartões postais da cidade estão presentes no filme, assim como o conhecido carioca way of life. Para mim, que moro na cidade, foi mais que divertido assistir o filme: procurar referências e me encantar com a semelhança de lugares tão conhecidos por mim foi um plus à experiência.
O trabalho de Saldanha, pelo menos no que diz respeito à animação, é impecável. O Rio de Janeiro visto no filme é uma cópia perfeita da cidade tão conhecida por nós. É aí, arrebatados pela paixão pelos personagens e pela trama apresentada, que acabamos perdoando alguns escorregões (ou seriam liberdades poéticas?) vistos no filme. Entre eles, a limpeza exagerada da Lapa, assim como uma Santa Teresa VAZIA numa noite de carnaval são os mais gritantes. Isso sem contar o desfile das escolas de samba visto, que mais parece realmente uma grande parada do que uma competição entre diversas agremiações diferentes; claro, isso é muito pouco e, provavelmente, passa batido pra qualquer pessoa que não seja carioca ou não conheça bem a cidade. Mas, pra mim, o mais exagerado foi qualquer personagem falar inglês imediatamente ao perceber que o idioma nativo de alguém não era o português – incluindo-se aí um menor órfão residente em uma favela.
A versão em 3D – que assisti – surpreende ao não usar os recursos em demasia, como é comum em muitas produções feitas utilizando-se do recurso. Em Rio, o 3D é usado em favor do filme e não o contrário.
Na versão original, a dublagem encabeçada por Jesse Eisenberg (Blu), Anne Hathaway (Jade) e Rodrigo Santoro (Tulio) impressiona. A escolha foi mais que acertada e todos dão conta do recado muito bem. O Blu de Eisenberg é um típico pássaro nerd (?), ao passo que Hathaway faz de Jade uma arara que busca a liberdade e se apaixona pelo protagonista. Santoro está muito bem como o idiota ornitólogo apaixonado por pássaros.
Aliado à qualidade do filme, o super-lançamento da história – estreia conjunta em 72 países – rendeu um excelente resultado na bilheteria: U$ 55 milhões em seu primeiro fim de semana, sendo U$ 8,3 milhões só no Brasil, transformando a história na melhor estreia de um filme de animação no Brasil.
Rio é o típico exemplar de filme que te dá a impressão de que valeu a pena cada centavo pago no ingresso – e olha que eu acho um absurdo o preço cobrado para se assistir a um filme em 3D, principalmente num sábado à noite. Mais do que isso, Rio é mais um sopro na estima do carioca (e, por que não, do brasileiro, em geral), já que com Copa do Mundo e Olimpíadas, a cidade é, mais do que nunca, um cartão postal nacional.
Vá se medo pro cinema e encante-se por Blu, Jade e companhia. Afinal, quem consegue se render aos encantos do Rio?






Excelente comentário! Resume muito bem o filme, que fiz questão de assistir no fim de semana de estréia. A versão em 3D é muito legal, e realmente não abusa do efeito. Só achei um desenho bem mais infantil que a trilogia Era do Gelo. Nesse filme, as crianças vão se divertir mais que os pais. Por sorte, meu lado criança é grande suficiente pra me permitir diversão total.