Quem, como eu, já passou tem tempos dos 20 anos, deve se lembrar de suas manhãs de infância, quando no Xou da Xuxa, um desenho abria a programação. Aquelas criaturinhas azuis, saltitantes e felizes fizeram parte da infância de muita gente que, certamente, não deve perder a oportunidade de conferí-los agora novamente, dessa vez no cinema. Trata-se de Os Smurfs, claro!
Criados pelo desenhista de quadrinhos belga Peyo Culliford, em 1958, os Smurfs (ou Schtroumfs, no original belga) tiveram sua estreia como desenho animado em 1981, quando a rede americana NBC começou a exibição da série que teve 421 episódios produzidos.
Com a missão de mexer com a nostalgia dos mais velhos e apresentar os personagens à uma nova geração, o filme Os Smurfs chegou ao circuito e, tenho de dizer, cumpre muito bem a sua tarefa. O longa mistura animação digital com atores de carne e osso, numa história divertidíssima e que tem tudo para agradar a gregos e troianos. O diretor Raja Gosnell, que já havia “cometido” o crime chamado Scooby Doo no cinema (duas vezes, heresia!), dessa vez se redime.
Numa terra situada não se sabe exatamente onde, no meio de uma floresta, existe uma aldeia habitada por estranhas criaturas azuis, do tamanho de três maçãs. Os Smurfs são quase todos do sexo masculino e chegaram ali entregues pela cegonha (?) – a exceção é Smurfette, que em certa altura do filme explica como veio à existência. Cada Smurf tem um papel específico a desempenhar em sua sociedade, tendo seu nome ligado diretamente ao seu dom. Descobrimos (ou relembramos) isso logo no início, quando o Smurf Narrador explica toda a história.
Próximo à aldeia dos Smurfs habita o mago Gargamel e seu gato Cruel. O objetivo da vida do mago é capturar os Smurfs e retirar a sua essência, que pode lhe dar poderes inimagináveis. Assim, com a aproximação da Lua Azul e devido a um ataque mal sucedido de Gargamel, um grupo de Smurfs e seus perseguidores atravessam um portal e vão parar no Central Park, em Nova York. A história acompanha os pequenos seres azuis tentando descobrir uma forma de voltar à sua aldeia, enquanto fogem de Gargamel e Cruel e bagunçam a vida do casal humano que os encontra, Grace e Patrick.
O elenco está muito bem e parece se divertir em cena. O casal Grace e Patrick, formado por Jayma Mays (da série Glee) e Neil Patrick Harris (da série How I Met Your Mother) recebem os Smurfs que mudam seu dia a dia. Os atores estão à vontade em seus papéis e convencem como o casal que espera seu primeiro filho ao mesmo tempo em que acertam detalhes da própria vida.
Entretanto, o destaque quase que total do filme é de Gargamel e de seu gato Cruel. O ator Hank Azaria dá vida de forma surpreendente ao feiticeiro malvado, sendo idêntico ao personagem retratado no desenho animado. E o gato Cruel é uma diversão à parte. Em todas as cenas ele arranca gargalhadas da plateia, mas o seu ápice acontece no final, numa cena específica em que “pergunta” a Gargamel o mesmo que o mago lhe perguntou diversas vezes durante a projeção.
A animação dos Smurfs é fofa e é quase impossível não desejar que um daqueles seres azuis aparecesse para você também. Na dublagem original, a voz de Smurfete é feita pela cantora Katy Perry, o que rende uma piada divertida quando a personagem diz, em certa altura “I kissed a Smurf and I liked it…“
O filme, entretanto, tem um efeito colateral: você pode sair do cinema colocando a palavra SMURF no meio de qualquer frase aleatória, o que pode ser um tanto quanto constrangedor para uma pessoa adulta frente a outras pessoas que não viram o filme. E tem mais: prepare-se, pois será impossível não ficar todo sorridente e sair cantoralando por aí a irritante canção tema dos azuizinhos:
“La la la-la la la
Sing a happy song
La la la-la la la
Smurf your whole day long…”
E se você gostar da experiência, como eu mesmo gostei, vai ficar feliz: frente ao sucesso do filme, Smurfs 2 já foi anunciado e entra em produção em breve.






como eles venceram o gargamel?