O Suave Sexo das Pornochanchadas



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Sexo pode ser uma coisa ingênua, principalmente quando o tempo passa e as novidades são muito mais explícitas. Aconteceu isso no cinema brasileiro. Provavelmente somos o único país no mundo que deu ao seu cinema soft pornô um nome pra lá de sonoro e atraente: a pornochanchada.

O termo chanchada vem daquelas comédias da década de 50 que seguiam uma trilha abrasileirada da grande fase dos musicais americanos. Da mistura dos números musicais com nosso humor malandro/pastelão/inocente nasceram as Chanchadas.

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Duas décadas depois o cinema nacional estava em baixa e uma reserva de mercado, imposta pela Ditadura Militar, veio dar uma luz para a situação. Em pouco tempo a mistura da ingenuidade cômica das chanchadas se misturou ao erotismo leve, e assim nasceu a pornochanchada.

O público começou a consumir cada vez mais este gênero de filme e eles passaram a ser uma mina de ouro. Praticamente até aventureiros no cinema investiam em algum título e tinham altos lucros.

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A fórmula do sucesso era criar uma história divertida e recheada de elementos maldosos, principalmente com homens tendendo ao cafajetismo e mulheres lindas e ingênuas. Claro que em determinadas cenas era praticamente obrigatório alguma nudez parcial. Na verdade, a ousadia maior era os seios descobertos das atrizes e as nádegas dos atores.

O filme considerado precursor da pornochancada, ainda na década anterior, foi o Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera (1966). Mas só nos anos 70 é que os sucessos absolutos apareceram, já com o mercado todo voltado para esse tipo de produção.

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Um grande exemplo é A Super Fêmea (1973), onde vemos Vera Fischer em seu primeiro papel de destaque no cinema. A trama trata de uma modelo que é selecionada para fazer uma campanha de pílula contraceptiva, que é considera pelos homens como causadora de impotência. A cena a seguir é do mesmo filme.

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Outra característica inconfundível das pornochanchadas eram os títulos cheios de duplo sentido, como: Lua-de-Mel & Amendoim (1971), Cada Um Dá o Que Tem (1975). Ou até mesmo em situações de duplo sentido, que é o caso de O Bacalhau (1975),  sátira de Tubarão, onde a mocinha era comida pela criatura de outra forma.

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Nesse A Árvore dos Sexos (1977), as mulheres de uma pacata cidade começam a ficar grávidas quando consomem os frutos de formato estranho.

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Mas o títulos podiam também beirar o ridículo e/ou partir para um lado mais chulo: A mulher que se Disputa (1985), Elas São do Baralho (1977), Quando Abunda não Falta (1979).

A decadência começou por dois motivos básicos: a reserva de mercado deixou de existir ao mesmo tempo que as distribuidoras passaram a colocar no mercado filmes importados muito mais explícitos. O público passou a procurar o sexo não velado e não se importando da falta da característica base: a comicidade.

Os maiores produtores da pornochanchada, todos concentrados na região conhecida em São Paulo como Boca do Lixo, tentaram acompanhar a tendência também injetando cada vez mais cenas de sexo explícitos em seus filmes.

Um dos primeiros a mostrar o sexo de fato e quase dispensar as simulações é Oh! Rebuceteio (1984). Apesar da crise, ainda foi um sucesso, mas fez o gênero se perder com o caminho fácil da imitação. As principais dificuldades que se seguiram foram a fuga das estrelas. Nenhuma atriz de prestígio aceitou fazer cenas de sexo reais, então desaparecem nomes como Carla Camurati, Matilde Mastrange, Helena Ramos entre outras.

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Os Bons Tempos Voltaram… Vamos Gozar Outra Vez (1985) foi um dos últimos filmes que ainda se enquadravam na primeira fase das pornochanchadas. E mesmo tendo apenas as nudez brandas era evidente que elas já se faziam de maneira forçada na história, sem nenhuma situação que as deixassem naturais.

A pornochanchada não chegou a década de 90, onde já havia sido vencida pelos pornôs hardcore importados. No entanto, esses filmes, agora já clássicos, começaram a fazer parte do cotidiano da televisão. Quem não se lembra da famosa Sala Especial da TV Record que exibia (com muitos cortes) os filmes da pornochanchadas? Na verdade, o que escapava da tesoura era a parte realmente boa: a malícia e a comédia.

E foi isso: o tempo provou que a salvação das pornochanchadas seria ter se mantido nos seus elementos definidores.

 

Comentários

  1. Horacio disse:

    Achei um blog que tem qse todos esses filmes para baixar

    http://www.kerokoko.com

    Ótimo o blog!!

  2. naor disse:

    tem outro que tem quase tudo de filmes nacionais para baixar ACERVO NACIONAL

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