Sempre fui um cara que gosta de filmes. Desde muito pequeno, um dos meus programas preferidos era ir até a locadora, escolher os filmes e voltar pra casa muito faceiro. Tudo bem que na época minha parte era escolher entre Turma da Mônica e o Bicho Papão ou A Princesa Xuxa e os Trapalhões, mas sempre acabava vendo os filmes que meus pais alugavam (Top Gun, Dirty Dancing, entre outros).
Depois de mais velho, morando em uma cidade maior, onde as salas de cinema ainda não eram igrejas evangélicas, conheci a tão aclamada “magia” do cinema. Lembro-me que um dos primeiros filmes que vi foi Batman, com Michael Keaton e a estridente Kim Basinger. E foi paixão à primeira vista. O amor só viria mais tarde…
Sempre fui um pouco preconceituoso com filmes em preto e branco. Com filmes antigos em geral. Os únicos que me agradavam eram os épicos (Jasão e os Argonautas, Os Dez Mandamentos…), e ainda sim, poucos. Até conhecer um amigo que ADORAVA filmes clássicos, e me convidou a assistir o filme que escolhi para a “estreia” aqui no Sem Tédio.
O Que Teria Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?) é um filme de Robert Aldrich que fala de duas atrizes já idosas, que por motivos diferentes tiveram suas carreiras fracassadas. “Baby” Jane Hudson (Bette Davis) era uma atriz mirim que simplesmente não foi convidada fazer nenhum outro papel no cinema (como tantas que conhecemos hoje em dia), e sua irmã Blanche Hudson (Joan Crawford) abandonou a carreira depois de um acidente que a deixou presa à uma cadeira de rodas. E à mercê da irmã.
Sozinhas, morando em um casarão às custas de Blanche, vemos Baby Jane tornando-se cada vez mais obcecada em retomar sua carreira e a ter fama novamente, não importando muito como chegar lá. Imprevisível, ela começa a maltratar a irmã privando-a até de alimentar-se (a famosa cena da bandeja coberta) e contrata um pianista para ajudá-la a ensaiar o seu show de retorno, exatamente igual ao da sua infância. A cena do ensaio, com Bette Davis cantando “I’ve written a letter to daddy” é de dar arrepios, como vocês podem conferir abaixo:
Mas, se apenas um roteiro bom e ver duas atrizes maravilhosas se superando para superar uma a outra (elas se odiavam na vida real também) não for o suficiente, esse clássico é um daqueles filmes que o final surpreende e te faz reviver mentalmente toda a história sobre outro ângulo.
Filmado em preto e branco, mesmo em 1963, para aumentar o clima tenso em cena, O Que Teria Acontecido a Baby Jane? é um verdadeiro duelo. Bette Davis e Joan Crawford mediram forças nesse thriller impressionante, e o vencedor dessa batalha sem dúvida é o espectador.
Para aqueles que gostam de filmes clássicos e ainda não o viram (o que acho difícil), vale a pena ver. E pra quem, como eu, tinha algum “pré-conceito” com os chamados clássicos, faça um teste: assista a O Que Teria Acontecido a Baby Jane? e deixe-se envolver pelo amor à Hollywood de antigamente.





Feriado amanhã… programa: assistir ao filme O Que Teria Acontecido a Baby Jane?
Tato,
Achei super legal e uma ótima indicação praqueles dias que queremos assistir outras coisas que não o habitual.
Anotado aqui!
Belíssima estreia!
Abraço