Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Malu de Bicicleta vem sendo vendido como uma comédia romântica brasileira. Afinal, todos os ingredientes realmente estão lá: o rapaz paulista mulherengo que vai para o Rio de Janeiro espairecer, a carioca linda e deslumbrante que o fará perder os eixos, os amigos divertidos dos protagonistas, os encalços no caminho do final feliz. Assim, Malu de Bicileta poderia realmente ser uma comédia romântica, entretanto, é bem mais que isso, é um filmão!
Bastante fiel ao livro original (que li há muito tempo, o que me garantiu não me lembrar direito do final e assistir ao filme sem surpresas), o roteiro – do próprio Marcelo Rubens Paiva – acompanha Luiz, um paulistano garanhão que coleciona conquistas e mulheres. Depois de um inconveniente com uma louca e aconselhado por seus amigos, sai de São Paulo para passar uns dias no Rio de Janeiro e descansar um pouco enquanto pensa sobre sua vida. É ali, num calçadão de uma praia da zona sul carioca, que é literalmente atropelado por Malu e sua bicicleta. E, claro, se apaixona pela menina.
A história poderia se prender a como esse romance iria acontecer, mas não faz isso. Vemos o envolvimento de Malu e Luiz, mas as coisas acontecem rápido: eles se apaixonam e logo percebem que o eixo Rio-São Paulo é um problema. A solução? Malu se muda para Sampa e se ‘casa’ com Luiz. Claro que a protagonista sentiria falta do Rio e é então que a história muda o tom de comédia romântica e passa a ser quase um triller psicológico quando Luiz se transforma num louco obsessivo e ciumento por Malu.
Marcelo Serrado faz de Luiz um tipo interessante, apaixonado e, principalmente na segunda metade da projeção, com um ar louco obsessivo que dá medo. Já Fernanda Freitas faz de Malu uma personagem adorável e que nos conquista de cara, assim como a Luís (e sim, é inegável que a atriz é MUITO parecida fisicamente com Deborah Secco, mas acho ótimo que esteja conseguindo achar seu caminho, fazendo bons papéis como esse apesar da semelhança com a atriz mais famosa). Além disso, o elenco coadjuvante é muito bom, com várias participações especiais de nomes como Daniele Suzuki e Eriberto Leão. Sem contar a personagem de Marjorie Estiano, amiga da protagonista que desencadeará toda a tensão dos momentos finais do filme.
Malu de Bicicleta tem uma montagem divertida, mesclando técnicas de animação interessantes em vários momentos do filme para demonstrar os pensamentos de Luiz. Além disso, é interessante observar como o Rio de Janeiro é muito mais iluminado na fotografia do filme do que a cinza e sem graça São Paulo que, apesar de atrair os olhares curiosos de Malu é bem diferente da terra em que cresceu e por qual é apaixonada.
Malu de Bicicleta é mais um bom filme da safra nacional e que merece ser assistido. Aliás, o longa é de dar inveja e ensinar muito filme americano que quer ser mais do que uma simples e boba comédia romântica. A história de Malu de Bicicleta faz isso muito bem.




