Dia 6 de Janeiro, quando um release CAM de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres finalmente apareceu na internet (o filme foi lançado em 21 de dezembro de 2011 nos Estados Unidos, mas só chegaria ao Brasil em 27 de janeiro), nem pensei direito antes de baixar e assistir. Não ficava obcecado com um filme com esse grau de intensidade desde a parte final de Harry Potter, e esperar outras três semanas parecia mais do que eu podia suportar.
O release era horrível, cortava parte do começo, algumas cenas não tinham imagem, mas serviu para acalmar um pouco os nervos e matar parte da ansiedade. Mas só valeu a pena essa semana, quando vi no cinema.
Ao assistir pela primeira vez, disse que talvez depois do dia 27, quando visse o filme no cinema, eu já teria uma opinião formada. Então pode ser que ainda seja o fanboy gritando dentro de mim (ele está gritando desde que sai da sessão, há uns 3 dias), mas eu gostei demais do filme, considero o melhor trabalho de David Fincher (ainda que Se7en e Clube da Luta sejam clássicos irrevogáveis) e é superior ao original sueco em todos os níveis. E que, quem diz que o sueco é melhor, está tentando se fazer de cult.
Assisti o original, Män som hatar kvinnor, há um ano e meio. Não me entendam mal, é ótimo. E mês passado, assim que terminei de ler o primeiro volume da trilogia Millennium de Stieg Larsson, assisti à versão estendida do filme, com 3 horas de duração. As adaptações foram feitas inicialmente para a TV; uma minissérie de 6 episódios, 2 para cada livro, cada um com 1h30 de duração. Depois disso, algumas cenas foram cortadas e resumiram a produção em 3 filmes de duas horas cada. E assim como o sueco fez algumas mudanças – necessárias ou não – no roteiro para tornar o livro mais “adaptável”, o mesmo ocorreu com a versão americana.
Na euforia pós-filme (que já dura 72 horas), eu gosto de tudo e acho tudo lindo. Mas afirmo com quase 100% de certeza que a Lisbeth de Rooney Mara é melhor do que a de Noomi Rapace. Rapace é uma atriz incrível e fico até feliz com seu crescente sucesso no mundo do cinema americano, mas tem alguma coisa na hacker interpretada por Mara que me chama mais atenção do que a original. Além de ser mais parecida com a personagem descrita nos livros (Larsson diz que, se vista de longe, Lisbeth poderia ser confundida com um menino de 15 anos; Rooney Mara é bem mais “miúda” que Noomi Rapace), Mara entrega uma performance silenciosamente perturbadora enquanto a atriz dos filmes suecos era um pouco mais… “efusiva”.
Algumas pessoas reclamaram da mudança no final do roteiro, e, na verdade, foi a única coisa no filme que me deixou em dúvida, ainda que não tenha exatamente me incomodado. Uma surpresa para os fãs do livro e filme original que têm a mente aberta o suficiente para se deixarem surpreender sem dar ataques xiitas dentro do cinema. Concordo que se mudassem o final de um Harry Potter, por exemplo, eu daria ataques xiitas onde quer que estivesse, mas nem vamos entrar no mérito das comparações. Os Homens que Não Amavam as Mulheres foi o melhor livro que li ano passado e nem por isso achei o roteiro de Steven Zaillian ruim. Muito pelo contrário. E ele ainda adicionou o gato de Blomkvist que ficou de fora da minissérie/filme sueca/o.
O que me revolta é A Rede Social (The Social Network), filme anterior do diretor (e que eu também gosto muito, diga-se de passagem), ter sido indicado a oito Oscars em 2011 (fotografia, direção, mixagem de som, melhor filme, melhor ator por Jesse Eisenberg, edição, trilha sonora e roteiro adaptado, levando os três últimos) e Millennium receber apenas 5 indicações (fotografia, edição, mixagem de som, edição de som e melhor atriz por Rooney Mara), mesmo sendo (pelo menos ao meu ver) melhor.
Infeliz e provavelmente Mara vá perder o prêmio para Meryl Streep, mas realmente espero que dominem nas categorias técnicas. Pelo menos como um pedido de desculpa por não terem indicado o score fantástico de 3 horas composto pela mesma dupla responsável pela trilha vencedora do Oscar d’A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross.
Defendo aqui o título brasileiro: antes de saber o significado do título sueco, julgava que o americano fosse “correto” e que o brasileiro, mais um exemplo de como podemos aparecer com nomes “criativos” em vez de traduções literais. Acontece que, dessa vez, quem inventou um nome completamente diferente foram os americanos; Män som hatar kvinnor quer dizer algo como “homens que odeiam mulheres”, e o negócio da “menina com a tatuagem de dragão” é só pra mostrar que títulos completamente diferentes não são exclusividade tupiniquim.











