
Já conheci muita gente que encara a leitura como uma obrigação sem prazer nenhum. Talvez por culpa de exigências escolares, ou mesmo por que algumas obras são mais difíceis de ler. No entanto, quando me deparo com livros tão bobinhos como Ecos da Morte, me pergunto o quanto estão perdendo. E, antes de qualquer reclamação, deixo claro que ser ‘bobo’, nesse caso, não é uma ofensa.
Primeiro volume da trilogia The Finder, de Kimberly Derting, a história não é daquelas sensacionais e inovadoras, que te fazem criar mil teorias. No entanto, cabe perfeitamente como um entretenimento rápido, fácil de acompanhar e que prende atenção tanto quanto uma comédia romântica qualquer. Mesmo que sua descrição indique que se trata de um suspense, seu enfoque está muito mais no lado romantizado, com cara de enredo teen. Na verdade, não há dúvidas de que essa é uma trama adolescente, não apenas por causa da idade de seus protagonistas, mas por que conta com todos os dilemas que só me parecem sinceramente verdadeiros quando tinha uns 15 anos. Ainda assim, não deixa de ser uma trama agradável ao longo dos capítulos.
Contando com Violet, uma menina que tem um dom que permite descobrir cadáveres, como eixo principal, o livro explora as consequências de seu lado sobrenatural, na mesma medida em que trata de seus recém descobertos sentimentos pelo melhor amigo Jay. Com potencial para ter um lado mais mórbido (e consequentemente, mais interessante, por sinal), é meio difícil manter algum sentimento de surpresa ou choque, já que mesmo a aparição de um serial killer acaba não sendo exatamente empolgante. Entretanto, como uma distração simples, é um perfeito de exemplo de que nem tudo que se lê precisa ser profundo, rico e instigante.
Mas, apesar dessa sensação de que é uma trama adoravelmente/facilmente dispensável, em tempos de vampirice romântica e até da decadência zumbi, não é nada improvável imaginar que a coleção possa ir parar eventualmente no cinema. Com todo seu ar de amor-que-não-é-proibido-mas-todos- fingem-ser-difícil, pode se valer de um casal de atores fofura para angariar tantos fãs quanto os de Crepúsculo, por exemplo. E,mais uma vez, isso não é uma ofensa, apenas uma constatação de que leitura pode ser superficial e um sucesso, mesmo que acabe roubando espaço de tramas muito melhores.
Assim, não é como se Ecos da Morte fosse um livro essencial na estante de alguém, apenas não é tão ruim a ponto de merecer desprezo (Oi, Sangue Quente). Pode ser uma boa opção para uma tarde de tédio, especialmente se a ideia for ler algo previsível e sem nenhuma expectativa. Como os dois outros volumes ainda não foram lançados por aqui, não dá pra saber se a história evolui para algo mais empolgante, mas eu não esperaria muita coisa.


