Em outubro de 2003, ao conhecer Mark Zuckerberg na Universidade de Harvard, o brasileiro Eduardo Saverin não devia fazer idéia de como sua vida mudaria a partir dali. De um encontro casual para uma amizade fraterna, os então dois jovens foram os responsáveis pelo surgimento do Facebook, a rede social mais conhecida do planeta, atualmente com mais de 500 milhões de usuários. Bilionários Por Acaso, do americano Ben Mezrich tenta mostrar os bastidores dessa história, mas o acaba fazendo de uma forma unilateral, já que Mark Zuckerberg, o grande ‘personagem’ disso tudo, se recusou a participar com depoimentos dando a sua versão do que efetivamente aconteceu.
Bilionários Por Acaso é também o livro que inspirou o aclamado sucesso de David Fincher no cinema, A Rede Social. Entretanto, apesar de muitos fatos mostrados no filme estarem também no livro, muito da versão cinematográfica não existe no papel. O que é natural, já que uma obra difere da outra e são feitas para mídias diferentes. Mas não deixa de ser interessante comparar as duas histórias, ao mesmo tempo em que se pergunta: quão reais são ambas?
A obra de Ben Mezrich surgiu a partir de vários depoimentos do brasileiro Eduardo Saverin e dos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss. Anos mais tarde, todos entrariam com ações judicias contra Mark Zuckerberg reclamando direitos sobre o Facebook. Com base nesses depoimentos, Ben Mezrich cria uma história baseada em situações ficcionais em cima de fatos reais: reproduz diálogos, encontros, mensagens e até mesmo reprojeta pensamentos desses personagens. O resultado é uma prosa deliciosa para uma história cativante, daquelas que você não consegue largar as páginas e deseja saber sempre mais e mais.
É interessante notar que, assim como no filme, Mark Zuckerberg é, por vezes, tratado como um grande vilão narcisista nessa história toda. Mas como tudo tem três lados e o jovem dono do Facebook não deu a sua versão da história, é certo que as coisas não são somente como contadas em Bilionários Por Acaso.
Com personagens marcantes que parecem talhados para uma história cinematográfica (o que o sucesso do filme A Rede Social só confirma), não há como não vibrar a cada página de Bilionários Por Acaso. A inabilidade social de Mark Suckerberg, a passividade irritante de Eduardo Saverin, o magnetismo dos gêmeos Winklevoss e o aparente mau-caratismo de Sean Parker, tudo isso salta das páginas e nos acompanha depois que fechamos o livro.
Real ou não, Bilionários Por Acaso é daqueles livros que merecem ser lidos, já que conta uma história fascinante sobre algo que todos estamos familiarizados. E chega a ser irônico que a criação da maior rede social da história tenha causado tantas baixas de amizade na vida de seus criadores.




