Alguns dias atrás, li sobre um filme que estavam fazendo baseado em um romance inglês, sucesso de público e crítica. O que chamou a minha atenção para o livro (e provavelmente a de muitos leitores) foi a maneira como o autor estruturou a história: duas pessoas que se encontram numa determinada data, e como está a vida delas naquela mesma data, ano após ano, durante quase duas décadas. É o tipo de sacada que qualquer aspirante a escritor gostaria de ter.
O ponto de partida é uma formatura, quando Emma e Dexter têm um desses momentos em que se cria uma conexão, daquelas que não há muito como explicar. Eles têm pouco em comum, e nesse ponto o livro não é original. Ela é uma típica nerd, idealista, cheia de sonhos a concretizar. Ele é um cara popular, bem nascido, que não sabe o que quer da vida. Reconhecem suas diferenças e têm tudo pra nunca mais se verem, mas simplesmente não querem se perder um do outro para sempre.
E assim vamos acompanhando o que acontece com eles ano a ano, e o grande mérito do livro, sem dúvida, é manter a nossa curiosidade sobre o que vem a seguir. Algumas vezes é divertido, em outras é angustiante, e você se pergunta quando as coisas vão entrar nos eixos, se é que algum dia vão entrar. E é impossível não se reconhecer em algum deles, em alguma parte do que eles vivem.
O romance é considerado o retrato de uma geração, porque as mudanças políticas e culturais ocorridas a partir de 1987 estão presentes em várias referências. Mas a história de Emma e Dexter se sobressai, é antes uma história universal e atemporal.
O filme está pra ser lançado (com Anne Hathaway e Jim Sturgess encabeçando o elenco), mas recomendo ler Um Dia primeiro. É uma história pra qualquer pessoa a partir dos vinte anos, embora eu ache ideal para uns trinta. E como a interpretação sempre tende a variar e se enriquecer com o tempo e a experiência, talvez eu releia o livro daqui a uns dez anos.








