Um Dia, de David Nicholls

um dia capa 358x500 Um Dia, de David Nicholls

Alguns dias atrás, li sobre um filme que estavam fazendo baseado em um romance inglês, sucesso de público e crítica. O que chamou a minha atenção para o livro (e provavelmente a de muitos leitores) foi a maneira como o autor estruturou a história: duas pessoas que se encontram numa determinada data, e como está a vida delas naquela mesma data, ano após ano, durante quase duas décadas. É o tipo de sacada que qualquer aspirante a escritor gostaria de ter.

O ponto de partida é uma formatura, quando Emma e Dexter têm um desses momentos em que se cria uma conexão, daquelas que não há muito como explicar. Eles têm pouco em comum, e nesse ponto o livro não é original. Ela é uma típica nerd, idealista, cheia de sonhos a concretizar. Ele é um cara popular, bem nascido, que não sabe o que quer da vida. Reconhecem suas diferenças e têm tudo pra nunca mais se verem, mas simplesmente não querem se perder um do outro para sempre.

E assim vamos acompanhando o que acontece com eles ano a ano, e o grande mérito do livro, sem dúvida, é manter a nossa curiosidade sobre o que vem a seguir. Algumas vezes é divertido, em outras é angustiante, e você se pergunta quando as coisas vão entrar nos eixos, se é que algum dia vão entrar. E é impossível não se reconhecer em algum deles, em alguma parte do que eles vivem.

O romance é considerado o retrato de uma geração, porque as mudanças políticas e culturais ocorridas a partir de 1987 estão presentes em várias referências. Mas a história de Emma e Dexter se sobressai, é antes uma história universal e atemporal.

O filme está pra ser lançado (com Anne Hathaway e Jim Sturgess encabeçando o elenco), mas recomendo ler Um Dia primeiro. É uma história pra qualquer pessoa a partir dos vinte anos, embora eu ache ideal para uns trinta. E como a interpretação sempre tende a variar e se enriquecer com o tempo e a experiência, talvez eu releia o livro daqui a uns dez anos.

Desculpa, Quero Me Casar Contigo – de Federico Moccia

desculpa quero me casar contigo Desculpa, Quero Me Casar Contigo   de Federico Moccia

Então que, mais de um ano depois de falar sobre Desculpa Se Te Chamo de Amor, estou aqui novamente pra falar sobre Desculpa, Quero Me Casar Contigo, a continuação da saga romântica dos atrapalhados Alex Belli e Niki Cavalli.

Ao contrário do primeiro livro, que não me despertou interesse à primeira vista, assim que soube que havia uma continuação, já fiquei interessada. Não tem jeito, quando criamos simpatia por alguma personagem, se inventam um volume 2, o bichinho da curiosidade nos perturba pra saber como a história dela anda. E, apesar de Desculpa Se Te Chamo de Amor ter seus poréns, Alex e Niki acabam por conquistar nossa simpatia.

Se antes o dilema era a possibilidade de duas pessoas com uma diferença de idade de quase duas décadas se amarem verdadeiramente, agora – dois anos depois de se conhecerem – o dilema é se o amor que sentem será capaz de resistir às divergências cotidianas agravadas pelos diferentes estágios que vivem. Enquanto Alex se sente preparado para se comprometer integralmente com uma vida a dois, Niki, no vigor dos seus vinte anos, se vê vacilar diante do peso das palavras “para sempre”.

Em pararelo, tanto os três amigos dele quanto as três amigas dela passam por outros conflitos, que testam seus relacionamentos e eles mesmos. Na verdade, tirando o fato de todos serem ricos ou no mínimo economicamente muito bem resolvidos, e do exagero de citações, especialmente de músicas italianas, que dão ao livro um tom fantasioso, ele narra situações a que todos estamos sujeitos quando se trata de relacionamentos.

O segundo livro, como o primeiro, não tem a pretensão de ser imprevisível ou fugir de clichês. Muito pelo contrário, é literatura com fundamentos comerciais, tanto que até já virou filme (que eu não vi, logo não vou comentar). É bom frisar isso pra que os leitores curtam a história mas mantenham o senso crítico. Ficção é ficção. Pra quem gosta de refletir um pouco mais, cada página convida a pensar nos relacionamentos – o que os faz melhores ou piores, o que os sustenta ou destrói. E em como, é claro, eles nos transformam.

Alguns trechos de aperitivo:

“Ela ainda não sabe o que Alex acaba de decidir, porque às vezes as decisões, grandes ou pequenas, são tomadas pelas razões mais variadas e ninguém sabe realmente qual foi o instante, a sensação, o desconforto ou a emoção que nos levou a decidir.”

“Niki segue serena e segura para casa, deixando-se acariciar pela brisa agradável, sem pensar em nada, com essa felicidade e essa tranquilidade que às vezes nos tomam e nos fazem sentir bem, no centro de tudo, sem inveja, ciúmes ou preocupações, sem saber de onde vem essa espécie de equilíbrio perfeito que nos faz temer até o simples fato de pronunciá-lo. Surpreende-se de ver até que ponto pode ser rara e difícil essa delicadíssima e mágica harmonia na qual nosso mundo parece, de repente, vibrar de maneira adequada. São instantes. Instantes que deveriam ser vividos em profundidade porque são incomuns. E porque, às vezes, podem acabar de repente sem que haja um verdadeiro motivo.”

Anaíd e o Clã da Loba, de Maite Carranza

anaíde e o cla da loba Anaíd e o Clã da Loba, de Maite CarranzaSim, provavelmente você já viu coisa parecida. Se for de uma geração mais antiga, As Brumas de Avalon. Se for de uma geração mais recente, Harry Potter. Seja qual for a sua geração, se você gosta do gênero sagas místicas, mesmo que já tenha lido algo semelhante, provavelmente vai gostar da história dessas bruxas.

O livro inicial da Trilogia A Guerra das Bruxas (sim, temos mais dois livros ainda pela frente), Anaíd e o Clã da Loba, é uma mistura de Cinderela e mitos pagãos, com toques de vampirismo (não podia perder a onda) e até de lendas orientais encontradas em mangás.

A protagonista, Anaíd, é uma garota de 14 anos nada popular por causa de sua aparência ainda infantil, contraponto com sua inteligência bem acima da média da sua faixa etária. A garota, que se considera diferente e desafortunada, vê sua vida piorar com o desaparecimento repentino da mãe, Selene.

Esse evento provocará uma série de desdobramentos pelos quais, intuitivamente, Anaíd perceberá que sua natureza é incomum. Quando sua verdadeira origem é revelada, e ela descobre ser descendente de uma poderosa linhagem de bruxas do Clã da Loba, ela precisa aprender a utilizar seus dons.

Determinada a encontrar a mãe, seu aprendizado ocorrerá em meio a vários fatos intrigantes e nebulosos que envolvem o sumiço de Selene e uma profecia ancestral. Valendo-se de sua habilidade intelectual, e do apoio de bruxas de clãs de outros elementos, Anaíd se prepara para o resgate.

Nessa jornada, Anaíd cresce tanto quanto bruxa, quanto como mulher. E descobre que coisas ainda mais extraordinárias estão escritas em seu destino.

ANAÍD E O CLÃ DA LOBA
Maite Carranza
Mundo Editorial
Preço Médio:  R$ 39,90

Idas e Vindas do Amor – Muito Açúcar na Telona

idasevindasdoamor 330x500 Idas e Vindas do Amor   Muito Açúcar na Telona

O que esperar de um filme cujo título original é Valentine’s Day (Dia dos Namorados, em inglês) e que estreou no Valentine’s Day? Sugar, and more sugar, of course…

Pois Idas e Vindas do Amor (o nome em português) é mais um filme simplista, sem inovações dramáticas ou técnicas, rasinho, daqueles pra sentar e assistir sem maiores pretensões. A história começa com um Ashton Kutcher menos bobo do que em comédias românticas e filmes-besteirol anteriores – o que já é uma grande vantagem – pedindo a personagem de Jessica Alba em casamento na manhã do Dia dos Namorados. Doce, doce…

Ao mesmo tempo, sua melhor amiga – Jennifer Garner – é acordada pelo namorado médico, que não vai poder comemorar a data com ela. Enquanto a melhor amiga dela organiza uma festa para solteiros que não tem o
que comemorar no Dia dos Namorados.

Acompanhamos também um casal que trabalha numa mesma empresa em início de namoro, e outro casal, já maduro, prestes a completar novas bodas, terem suas relações abaladas por segredos que vêm à luz.

E temos Julia Roberts acordando nos braços do charmoso Bradley Cooper durante um vôo, ponto de partida para que eles se conheçam melhor…

Todas as histórias se cruzam, mesmo alguns personagens que parecem soltos, fazem sentido ao longo do filme. Embora Idas e Vindas do Amor até tente fugir um pouco do lugar comum, para o público acostumado a
comédias românticas, boa parte dos desdobramentos é totalmente previsível. Ainda assim, não chega a ser tempo perdido assistir mais essa. Afinal, como em qualquer narrativa, por mais simples que seja, é quase sempre possível captar algumas lições válidas para a vida real.

A Verdade Nua e Crua – Mais Uma Comédia Romântica Típica

verdadenuaecrua A Verdade Nua e Crua   Mais Uma Comédia Romântica Típica

Pegue uma mulher bonita, inteligente e solitária. Pegue um homem atraente, esperto e sacana. Pronto. Você já tem os ingredientes necessários para uma típica comédia romântica, como A Verdade Nua e Crua.

O filme conta a história de uma produtora de TV workaholic, Abby Richter (Katherine Heigl), que além de ver sua cabeça a prêmio por causa da baixa audiência de seu programa, não consegue manter um relacionamento.

Ela vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando um novo apresentador, Mike Chadway (Gerard Butler) – que ela considera a escória da programação de entretenimento – é contratado como trunfo para elevar a audiência de seu programa.

Chadway tem um quadro chamado “A verdade nua e crua”, em que fala sem meias palavras do que os homens gostam. Ou não gostam. Abby não aguenta ouvir suas teorias…

Para tentar manter a paz no ambiente, eles fazem uma aposta: se os conselhos dele a fizerem conquistar seu vizinho – que ela vê como o homem perfeito – ela se dedica à sua produção para torná-lo um astro. Se não…

Só saberá quem for assistir… (ou quem já viu outras comédias românticas típicas…)

verdade1 A Verdade Nua e Crua   Mais Uma Comédia Romântica Típica

Filme pipoca, mas que com um refrigerante, até vai bem…