Críticos de cinema podem ser cruéis, podem ser convenientes, podem ser críticos (o nome não é mera coincidência), mas o que eles não podem ser, ao ver “Direito de Amar” (péssima tradução de títulos, por sinal), é indiferentes.
O filme conta a história do britânico George Falconer (Colin Firth) professor universitário em Los Angeles que sofre com perda de seu companheiro por mais de 16 anos, Jim (Matthew Goode), que morre em um acidente de carro, lhe restando a companhia de sua amiga Charley (Julianne Moore), não sem ter que lidar com Kenny (Nicholas Hoult) um jovem aluno de George que se mostra interessado por ele. O filme é dirigido pelo estilista Tom Ford, sendo este seu primeiro trabalho no cinema como diretor.
Ao ver “Direito de “Amar” a primeira sensação que você tem é de estranhamento pela quantidade reduzida de falas, sendo que quando aparecem elas são “suaves”, mas isso não quer dizer que elas não são “intensas”. E foram essas cenas de poucas palavras as que disseram mais e, com a ajuda de uma fotografia criteriosa e sensível e de atuações igualmente sensíveis, foram capazes de suprir o silêncio com muita competência.
Colin Firth prova mais uma vez por que é um dos melhores atores da atualidade ao mostrar o luto silencioso, principalmente se levarmos em consideração que o filme se trata de um casal de homossexuais do começo dos anos 60. Sofrer quando não se deve, chorar quando lágrimas não são aceitas; esse é o mote do filme, e ele cumpre seu papel com maestria, afinal sofre-se junto com George e redescobre-se as cores da vida junto com ele, tudo de maneira suave, com um ritmo mais lento que os filmes “blockbusters” a que estamos acostumados, mas sem criar um clima enfadonho ou cansativo.
Julianne Moore, apesar de ter uma participação de menor destaque, agrada em sua dona-de-casa desquitada e infeliz que vê em George uma possibilidade de ainda ser feliz, já que no passado eles tiveram um breve romance, e a cena deles dois dançando foi de uma tristeza não óbvia admirável. Mas quem rouba a cena, mesmo que não por sua atuação, é o personagem do jovem Nicholas Hoult, que interpreta um jovem aluno de George que, percebendo a solidão e a tristeza do professor, tenta se aproximar e desenvolve uma paixão pelo docente.
Quando digo que o personagem rouba a cena, não é no personagem per se, mas na relação e no impacto que conduz o personagem de Firth até o fim do filme, que aliás também não decepciona. Kenny segue o filme todo com um propósito prático: o de agente combustivo para o caminho tortuoso emocionalmente de George.
Além da história em si, não tem como não se impressionar com a beleza do filme, como disse um bom amigo: “O filme é belo”, e ele o é, em todos os sentidos. Tom Ford, acostumado com o universo do belo, se preocupou em fazer os olhos do espectador brilhar e se impressionar com a delicadeza do tratamento de imagem congregada com a história.
Em conclusão, “Direito de Amar” é , para mim, um dos melhores filmes do ano, daqueles para ser revisto várias vezes, ser sentido várias vezes, e ser chorado várias vezes.























