Lançado um ano depois de Atividade Paranormal faturar milhões de dólares com um baixíssimo orçamento, podia se esperar uma menor qualidade da sequência dessa história. Afinal, é clássico: numa sequência, a qualidade é inversamente proporcional ao aumento de grana que a produção ganha. Entretanto, não é o que acontece nesse Atividade Paranormal 2, que garante bons sustos, usando todas as técnicas empregadas no primeiro filme e inovando aqui e ali. O sucesso do filme (que custou US$ 3 milhões e rendeu, só nos três primeiros dias de exibição nos EUA, US$ 41,5 milhões) comprova que a fórmula é boa. Pena que deverá ser utilizada à exaustão, como Hollywood é hábil em fazer.
Atividade Paranormal 2 é um filme mais explicadinho que seu antecessor. Se no primeiro longa, acompanhávamos os problemas de Katie (Katie Featherston) e Micah (Micah Sloat) com um possível espírito, nessa sequência entendemos como o que aconteceu com eles teve início. Mas, apesar disso, é uma excelente história que, certamente, deixará alguns sem dormir, olhando para a parede ou se assustado ao ouvir algum barulho à noite.
Kristi (Sprague Grayden) é irmã de Katie e acaba de ter recentemente um bebê com seu marido Daniel (Brian Boland). Com uma criança e uma adolescente (Molly Ephraim), filha do primeiro casamento de Daniel na casa, depois de um aparente ‘arrombamento’ do imóvel, o casal decide instalar um sistema de câmeras para inibir uma nova invasão. E esse é um dos diferenciais em relação ao primeiro filme. Enquanto ali tínhamos apenas uma câmera na mão ou num tripé filmando a ação, agora temos um circuito inteiro além da tradicional câmera de mão.
Outro fato interessante é que a ação desse Atividade Paranormal 2 se passa ANTES do que acompanhamos no primeiro filme. Assim, temos a ocasional participação de Katie e Micah reprisando seus papéis e ainda sem saber o que o futuro lhes aguarda.
Assim como no primeiro filme, a ação é lenta no início. Mas nem por isso, desinteressante. Vamos acompanhando a rotina daquela família e, sem nos darmos conta disso, estamos envolvidos e nos preocupando com aqueles personagens, o que é um ponto para a direção e para os atores. Assim, quando as coisas começam efetivamente a acontecer, o impacto é ainda maior.
E o final também é impactante. Quando vi que o que Daniel faz é que desencadeia os eventos do primeiro filme, desconfiei que as coisas não terminariam bem nesse. E foi assim que vimos, depois dos eventos que presenciamos nessa história, o salto no tempo para depois das atividades do primeiro filme, para que então tivéssemos o ressurgimento de Katie e climax dessa nova história. Tenso!
O filme não chega a inovar, os personagens são beeeem burros (quem, numa casa com clara demonstração de ser assombrada continua a morar ali, a andar no escuro, a deixar uma criança dormindo sozinha no quarto???), mas o resultado é bem legal. Em vários momentos da história eu me peguei grudado na cadeira, sem conseguir me mover, sabendo que o som aumentaria no auge daquela cena, mas, mesmo assim, eu estava apavorado. E, não é esse o objetivo de um bom filme de terror?
Como boas fórmulas são usadas à exaustão por Hollywood, não acho muito improvável que surja em breve uma nova continuação. Afinal, Katie e o bebê desaparecem no final dessa projeção, o que é um bom gancho para uma nova história. Será?




