.Apenas o Fim, de Matheus Souza



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“O único lado bom de se morrer de amor é que você continua vivo…”

Com um pequeno atraso, finalmente assisti a .Apenas o Fim, provavelmente um dos filmes brasileiros mais comentados em 2008, que levou inclusive o Prêmio do Público e uma menção honrosa no Festival do Rio daquele ano. E, devo dizer, me arrependo de não ter assistido a essa pequena obra prima antes, já que .Apenas o Fim é realmente um filme simples e delicado, mas muito bem feito, com uma sutiliza quase incomum nos filmes atuais.

O longa acompanha basicamente um pouco mais de uma hora de conversa entre Adriana (Érika Mader) e Antônio (Gregório Duvivier) enquanto eles caminham pela PUC Rio e discutem a relação que chega ao fim. Adriana, sem nenhum motivo aparente, resolve fugir do mundo (pais, amigos, namorado) e reconstruir sua vida, mas tira essa última hora para se despedir de Antônio, dando-lhe a opção de conversarem ou passarem esse tempo transando. O rapaz, um verdadeiro nerd, escolhe a primeira opção e é essa conversa que acompanhamos durante todo o filme.

Lendo assim pode parecer algo chato, mas a coisa é feita de forma tão boa, que você não vê a hora passar. Enquanto conversam, Adriana e Antônio nos levam para diferentes pontos de discussão, passando por toda uma cultura pop que marcou a juventude de uma geração. De Cavaleiros do Zodíaco a Britney Spears, passando a qual o melhor console de vídeo game a obras cinematográficas, o filme mexe com o lado nerd de qualquer um e vai arrancando sorrisos expontâneos de quem o assiste.

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Érika Mader e Gregório Duvivier dão vida e convencem como os jovens protagonistas. O gestual, o modo de falar, as referências, tudo nos leva a ver na tela dois jovens da zona sul carioca em seu habitat natural. E, por mais toscos que sejam os papos, as inquisições e dúvidas dos dois, é fácil se identificar com os personagens.

Claro que boa parte dessa “culpa” é de Matheus Souza (ele próprio, aluno da PUC na época em que fez o filme), roteirista e diretor de .Apenas o Fim, que colocou na boca de dois bons atores a voz de toda uma geração. A imagem, que a princípio pode incomodar, parecendo por vezes, quase amadora, acaba fazendo parte emblemática do filme e, no final, você já se acostumou com aquela ‘fotografia não-profissional’. Os cortes, que nos levam do presente aos flashbacks do relacionamento dos protagonistas, apesar de quase bruscos são naturais à narrativa e importantes para entendermos (e questionarmos) que aquele casal realmente existe e funcionava, apesar das discrepâncias.

.Apenas o Fim é um filme honesto e marcante. E que fica em nossa cabeça depois que os créditos sobem, nos deixando saudosos e felizes por termos tido a oportunidade de apreciá-lo.

 
Sobre Leandro Faria

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