A Invenção do Crime, de Leida Reis

   

invencao do crime A Invenção do Crime, de Leida ReisEscrever é, antes de tudo, um exercício de estilo. Ao escrever, o autor trabalha com as palavras de forma a atingir seu público alvo, desejando que ele abrace sua narrativa e mergulhe na história que se predispõe a contar. Dessa forma, nada mais natural que existam estilos de narrativa tão diversos quanto a quantidade de autores. Da deliciosa prolixidade de J.K. Rowling ao lirismo de Clarice Lispector; da escrita vertiginosa de Dan Brown à quase poesia de Machado de Assis; exemplos não faltam para demonstrar que cada estilo encontra um público cativo.

A partir dessa pequena introdução, me atrevo a falar sobre A Invenção do Crime, primeiro romance da mineira Leida Reis. A história é, antes de mais nada, um amontoado de fragmentos que se desenrola por vários continentes e cujo foco se prende a um traficante de armas e à sua própria desconstrução.

Entretanto, o livro que me ganhou pelo título, não manteve meu interesse por seu conteúdo. Achei o estilo de Neda um tanto quanto… ‘rebuscado’ demais. Ou, melhor dizendo, o texto parece querer provar a todo momento um estilo linguístico inovador e que, para mim, não convenceu. Pelo contrário, já que a leitura me cansou e pensei seriamente em interrompê-la em vários momentos.

Pra completar, a história não é lá das mais interessantes e as inquietações que tomam os personagens me pareceram idiotas e pueris. Somente como um exemplo, já no segundo capítulo vemos um personagem às voltas com uma porta que ele não consegue abrir apesar de trocar a fechadura trocentas vezes e de não ser reconhecido pela vizinhança. Tudo bem, pode ser uma alusão metafórica ao que quer que seja. Pra mim soou apenas patético. Sem contar o capítulo final, excessivamente longo e, ao meu ver, totalmente desnecessário, com suas mil citações e metáforas vazias.

No geral, não fui ‘pego’ pelo estilo de Leida Reis e certamente coloco A Invenção do Crime na lista de livros que não pretendo reler. Mas, cada um é cada um e a própria leitura (e seu gosto por ela) reflete suas experiências pessoais e sua identificação com o estilo do autor. O escritor Moacyr Scliar, por exemplo, é o autor do texto da orelha do livro e, para ele, o livro é ‘vertiginoso… a autora domina de forma soberba a arte de contar histórias.

Assim, sugiro sempre ao leitor que não se leve por qualquer crítica e se aventure a conhecer novos autores, mesmo que para isso encontre algo que não lhe agrade pelo meio do caminho.

Se A Invenção do Crime vale a pena? Não custa nada mergulhar na história que, para Moacyr Scliar pode resultar ‘numa reinvenção pessoal para o leitor‘. Pode até ser. Para mim, foi apenas… chato!

A INVENÇÃO DO CRIME
Leida Reis
Editora Record
Preço Médio: R$ 32,90

   

Sobre Leandro Faria

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