Tenho um gosto bem peculiar para música, levando em consideração que peculiar pode ser quase tudo. Não tenho um gênero musical preferido e, muitas vezes, uma melodia pode me ganhar de cara, uma música pode me seduzir e o resto de um álbum ser totalmente descartável para mim. Poucas vezes, entretanto, fico completamente apaixonado por um artista, a ponto de ouvir tudo dele e não me cansar disso. Adele é uma dessas exceções.
Atualmente com 23 anos, Adele Laurie Blue Adkins, nasceu em Londres e teve seu primeiro álbum batizado de 19 e lançado em 2008. Em pouco tempo, a cantora alcançou o sucesso com faixas como Chasing Pavements e foi premiada no Grammy 2009 nas categorias Artista Revelação e Melhor Performance Pop Feminina.
Como todo álbum de estreia bem sucedido, a dúvida era se Adele conseguiria manter o nível – de suas composições e de sucesso – em seu álbum posterior. Lançado em janeiro desse ano, 21, segundo álbum de Adele, só comprovou toda sua capacidade, feeling e encanto, arrebatando público e crítica.
21 é, antes de tudo, um álbum nascido da dor. Adele compôs suas canções dep0is de terminar um relacionamento e a grande maioria delas reflete seu desespero e tristeza ao se dar conta do fim de algo que lhe foi caro. Apenas para atestar isso, em entrevista à revista Out australiana, a cantora afirmou que o seu ex é, de fato, sua alma gêmea e que largaria tudo, até mesmo a carreira, por ele. A cantora afirma que tem medo de não conseguir produzir boas músicas se estiver feliz. É feio torcer pela dor de cotovelo alheia?
Em faixas como a belíssima Turning Tables, Adele canta a tristeza do fim (“…No, I won’t ask you, you to just desert me / I cant give you, what you think you gave me…” - “…Não, eu não vou lhe pedir, você só me abandona / Eu não posso te dar o que você pensa que me deu…”), ao passo em que em Don’t You Remember ela sofre a indiferença do ex (“…But don’t you remember? Don’t you remember? / The reason you loved me before, baby, please remember me once more…” – “…Mas você não se lembra, não se lembra? / A razão que me amou antes, querido, por favor lembra-se de mim mais uma vez…”). Em Rolling in the Deep, entretanto, a cantora dá pistas de que pode se reerguer (“…Finally I can see you crystal clear / Go head and sell me out and I’ll lay your shit bare…” – “…Finalmente eu posso vê-lo claro como um cristal / Vá em frente e me abandone, eu aguentarei as suas merdas…”).
O álbum inteiro é de uma beleza ímpar. A voz de Adele, forte e marcante, combina com o repertório, que flerta com o blues e o jazz, ao mesmo tempo soando pop e inovador. Ouvir 21 é uma experiência, como se tivesse a oportunidade de ouvir o lamento belo (?) da dor de alguém.
O fato é que Adele agrada. A cantora inglesa conseguiu a façanha de tirar Lady Gaga do topo do ranking das canções mais tocadas. Além disso, Adele é a única artista a se igualar à marca dos Beatles, desde 1964, tendo consecutivamente dois albúns mais vendidos e duas canções mais tocadas na Grã-Bretanha.
Comparada por alguns com Alanis Morissete, que alcançou seu auge com um álbum composto depois do término de um relacionamento, Adele é, certamente a voz do momento. Tomara que, apaixonada ou sofrendo, suas composições continuem tocando os corações (partidos ou não) que a ouvem ao redor do mundo.
Adele – 21 [2011]
1. Rolling In The Deep
2. Rumour Has It
3. Turning Tables
4. Don’t You Remember
5. Set Fire To The Rain
6. He Won’t Go
7. Take It All
8. I’ll Be Waiting
9. One And Only
10. Lovesong
11. Someone Like You




Sou apaixonadérrima pela Adele. OCnheci somente no final do ano passado e de lá pra cá não paro de ouvir.
Ela canta e consegue atingir nossa alma, já percebeu? É uma experiência muito profunda ouvir Adele. Incrível!
Tbm tenho um gosto musical peculiar, mas por que não costumo gostar de nada que a maioria goste.. Por isso, foi meio que uma surpresa perceber que Adele fugiu à regra.. Ambos os cds são mesmo daqueles que a gente não cansa de escutar.. E que parecem realmente genuínos.. Não de uma mocinha plastificada, brincando de ser alguém que não é..
Adorei seu lado crítico musical, quero mais! ^^
Que voz é essa ? Meu Deus , me apaixonei por ela completamente . Nao só pela voz , mas pela simplicidade que ela tem .
Nunca vi uma combinação tão perfeita de voz,letra e arranjo. Num mundo dominado pela Dance Music como hoje, ela vem com seu soul simples,mas tão sincero que faz a gente sentir cada palavra como se saísse da nossa própria boca. “Rolling in the deep” mostra a volta por cima da ‘dor de cotovelo’ e “Someone like you” a superação que vem depois. São raros os discos que são perfeitos de cabo a rabo e este é um deles. Você não se cança de escutar.
Eu também tenho um gosto eclético e raramente gosto de um álbum inteiro, mas ADELE me arrebatou de uma maneira que nenhum artista fizera antes.. essa sim é a deusa da música pop. Voz, letra e música.. uma palavra descreve essa artista …. DIVINA.
maravilhosa musicas e voz, e a música Don’t You Remember é digna as palavras ADELE é o tipo de voz em extinção. linda demais